O dia para Keiko Fukuda começara esplêndido, desde sua declaração desajeitada as coisas passaram a se tornar diferentes, já que Mahina finalmente dera uma chance para si e estava completamente feliz com os últimos acontecimentos. Naquela mesma tarde, Keiko e Mahina iriam para um de seus inúmeros encontros, as duas garotas estavam decididas a se assumirem oficialmente como um casal e isso era algo que deixava Keiko extremamente ansiosa.
Keiko sentia um enorme medo e receio de seus pais descobrirem que estava namorando, sabe-se lá como iriam descobrir de toda forma, e que essa pessoa seria uma mulher e não um homem, não queria sofrer mais do que já sofreu, além de que, seu grande amor finalmente havia a correspondido. Estava muito alegre e não queria que esses bons momentos acabassem em desavenças.
Após tomar um banho rápido, Keiko colocou uma roupa qualquer e saiu apressadamente de sua casa, indo o mais depressa possível de encontro com sua amada. As duas iriam assistir um filme que tinha estreado recentemente e que estavam loucas para ver, era Dumbo, desde sempre amava o pequeno elefante e chorava quando ouvia a história do animalzinho.
Assim que chegara ao shopping, tratou de se sentar em um banco que ficava perto da fila do cinema, mas nem a menos esperou por muito tempo no local, pois logo Mahina chegou. Infelizmente, as horas correram rápidas e o filme deu-se por finalizado, fazendo as pessoas saírem da sala, Mahina ria enquanto olhava para a namorada, Keiko passara grande parte do filme chorando, a mesma era muito sensível em relação a qualquer animal, e isso explicava o motivo de estar chorando compulsivamente. Mahina continuava a rir. A de cabelos roxos decidiu ir comprar um famoso fast-food para comerem e logo depois um doce para a sobremesa.
Sem mais nada para fazer no local, as duas deixaram o shopping para trás. O casal passaria primeiro na casa de Mahina, já que era a mais próxima. Era oficial, Mahina iria apresentar Keiko como sua namorada. Keiko sentiu todos os sentimentos de mais cedo voltarem com força total, sentia medo de ter uma crise de ansiedade logo ali, para a surpresa de Keiko, ao chegarem na casa de Mahina, havia somente uma mulher de longos cabelos negros e pequenos olhos.
Com um sorriso gentil, a mulher pediu para que Keiko se sentasse em um dos sofás, a morena sentia que aquelas duas figuras queriam algo.
—Querida, lembro-me de que havia mencionado que teria algo para contar junto da senhorita Fukuda —disse com um pequeno sorriso estampado na face.
—Por favor, me chame apenas de Keiko senhora Igarashi —pediu Keiko.
Então, por favor chame-me pelo nome também.
—Claro, mas não seria desrespeitoso? —Questionou receosa.
—Não se preocupe com isso, sinto que você já é da família —respostou fazendo um gesto com mão, mostrando que não se importava sem ser chamada pelo nome.
Obrigada, Sue.
Sue Igarashi era uma bela americana com descendência japonesa, tinha nascido e crescido —durante um tempo— nos Estados Unidos, porém, após sua graduação na faculdade, Sue decidiu morar em Tóquio e lá permaneceu durante anos.
Mahina foi direta e disse para sua genetriz que estava namorando com Keiko, sua mãe ficou extremamente feliz e isso assustou as duas garotas, não esperavam essa reação da mulher mais velha. Sue era uma ótima mãe, sempre quis que sua filha fosse feliz com quem amasse e percebeu que o comportamento de Mahina havia mudado de repente e viu que a mesma estava mais feliz, Keiko faz muito bem para Mahina.
A senhora Igarashi insistiu em levar a jovem para sua casa, Keiko, rendida, aceitou a proposta da mulher. Ao chegarem em seu destino, as moças foram recebidas pelo casal de idosos, os avós de Keiko já sabiam que sua neta estava loucamente apaixonada por Mahina havia tempo, então a revelação não os surpreendeu.
Os mais velhos ficaram conversando durante longos minutos, enquanto o casal foi até o quarto de Keiko e lá ficaram, trocando beijos e juras de amor. Sue chamou sua filha e as duas foram para suas respectivas casas. O dia com certeza fora um dos melhores de sua vida.
Com o final do ano letivo chegando, as provas finais também iam se aproximando e Naomi não queria ir mal em nenhuma prova, principalmente nas de exatas, já que nunca foi boa com cálculos e números. Naomi estava debruçada sobre sua cama enquanto lia algumas páginas da apostila de física, a matéria que mais odiava. Aquilo era seu pior pesadelo.
Naomi não saiu muito de seu quarto, apenas para fazer suas necessidades, comer e atender um telefonema de seus pais, fora isso, passou o dia estudando para as provas, estava impressionada como estava se dedicando. Por um momento, achou melhor parar de estudar, e repentinamente sentiu um vazio, sentia-se sozinha e um pouco triste, na cabeça de Naomi, isso poderia ser saudades de seus pais.
Porém lembrou-se de algo.
Acredita-se, que quanto mais longo for o fio, mais longe e tristes as pessoas destinadas estarão e vice-versa.
Não poderia ser, ou poderia? Estaria com saudade de Takashi?
Definitivamente toda aquela loucura de fio vermelho do destino e Reddobijon era real? Tudo era uma história real? Não estava louca e muito menos internada em um manicômio certo? Nada que viveu até agora era um sonho?
Por mais que estivesse apaixonando-se pouco a pouco pelo rapaz, ainda não engolia que está história de que "alma gêmea" existia, usava a lenda como uma massagem no seu ego, já que as almas gêmeas estão destinadas a ficarem juntas, aquilo dava esperança de que fosse ficar com Takashi. Olhou para seu mindinho e lá estava, o fio escarlate e brilhoso em seu dedo, pensara se Takashi se sentia da mesma forma.
赤い糸
A temível semana de provas tinha acabado e junto, os dias incontáveis de estudo e revisões, todavia os resultados iriam sair nesse dia, todos estavam ansiosos para saberem em que lugares haviam ficado.
Na escola existia um mural enorme mostrando a posição dos alunos, somando suas notas e as colocando como pontuações, tendo variadas posições, mas todos só queria uma, o primeiro lugar. O quarteto de amigos chegou onde o mural estava, por perto daquele local da escola, os alunos estavam quase eufóricos para descobrirem suas tão ansiadas posições, os quatro tiveram a sorte de ficarem no top dez da escola.
Sendo Takashi em primeiro lugar, Keiko em terceiro, Naomi em quinto e Mahina em sexto.
—Que surpresa o Takashi estar em primeiro lugar —comentou Mahina ironicamente.
—O que me surpreende é que você está em sexto lugar —retrucou Takashi.
—O que disse merdinha? —Resmungou irritada.
—Sei que não é surda —devolveu o rapaz com um sorriso de escárnio.
Keiko e Naomi riram do comportamento de Takashi e Mahina, se acostumaram com suas discussões frequentes, era algo que se tornou um momento cômico e quase rotineiro. A briga não durou muito e logo os dois já estavam rindo da situação, como bons amigos que eram.
—Estou orgulhoso de você, conquistou o quinto lugar —comentou Takashi se aproximando da parede onde Naomi estava encostada.
Estavam afastados dos outros alunos, encontravam-se perto da escadaria, os dois ficaram observando o casal de amigas conversando animadamente sentadas em um dos degraus da escada.
—Tenho que te agradecer, você me ajudou muito com as matérias que eu tinha dificuldade —olhou no fundo dos olhos de Takashi e segurou suas mãos. —Muito obrigado.
Naomi sorriu timidamente sentido as bochechas quentes, Takashi aproximou seus rostos, a distância de seus lábios diminuía. Sentiu suas testas encostarem levemente, estava ficando louca, queria sentir novamente os lábios de Takashi mais uma vez.
Talvez estivesse ficando viciada em seus beijos, ou melhor, em tudo.
Faltava muito pouco para finalmente sentir aquela sensação, porém, Mahina atrapalhou o momento, Takashi em um movimento rápido, se separou de Naomi, os dois estavam corados e isso gerou várias brincadeiras maliciosas por parte de Mahina, enquanto Keiko ria do que sua namorada dizia e das reações exageradas de seus amigos.
Não vejo para que me agradecer, se precisasse te ensinar de novo e de novo, eu não me importaria.
Sorriu para Naomi de forma calorosa.
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Akai Ito
Romance(ɑkɑi Ito | 赤い糸) Akai Ito ou "Fio vermelho do destino" é uma lenda de origem chinesa e de acordo com este mito, no momento do nascimento, os deuses amarram uma corda vermelha invisível nos tornozelos dos homens e mulheres que estão predestinados a...
