Capítulo especial - Spin Off

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Keiko Fukuda estava sobre sua cama, fazendo mais um de seus inúmeros desenhos, sua concentração foi voltada para a porta assim que ouviu um barulho vindo atrás da mesma, sua avó logo entrou em seu quarto.

—Vovó? Aconteceu algo?

Bem, recebi uma ligação de seus pais —a fala fez Keiko ficar paralisada, a senhora se sentou na cama ao lada de sua neta e continuou. —Eles vão passar um tempo aqui em Tóquio.

—Mas, como? Eles nunca ligam e muito menos vem fazer uma visita, por que algo tão repentino?

—Eles perceberam que estavam errados e querem consertar as coisas, finalmente —a mais velha levantou-se, mas antes de sair voltou a falar. —Eles chegam hoje no final da tarde, os ouçam por favor.

A avó de Keiko saiu do quarto, deixando uma certa jovem perplexa, não queria acreditar que depois de tanto tempo seus pais iriam vir fazer uma "visita". Deitou-se na cama e não se impediu de mergulhar na imensidão que eram seus pensamentos e lembranças, tanto boas quanto ruins. Lembranças de quanto contou para seus pais que gostava de garotas e quando a expulsaram de casa, a crueldade das palavras que nunca imaginou que seus pais iriam pronunciar.

Só o som do celular fez com que Keiko voltasse para o presente, despistando os pensamentos ruins, pegou o aparelho e clicou no aplicativo de mensagens de texto, era Mahina.

'Como você está, meu amor? Espero que bem. O que acha de sairmos ainda hoje? Estou no tédio aqui :p'

Keiko sorriu e logo respondeu.

'Estou bem, obrigada. E você? Como está? Eu adoraria sair com você, estou querendo me distrair um pouco.'

Mahina não tardou para responder.

'Com você, tudo sempre melhora. Estarei te esperando no restaurante perto da sua casa.'

Keiko digitou uma confirmação somado à um "eu te amo" que foi correspondido por Mahina. Keiko caminhou até seu armário e de lá tirou uma roupa quente para o inverno rigoroso que estavam passando, olhou-se no espelho, satisfeita com o resultado de seu visual, pegou sua bolsinha e desceu a escada apressadamente até a porta da frente.

Keiko? Aonde vai? —Perguntou seu avô que estava sentado no sofá lendo um jornal.

—Vou sair com a Mahina, não vou voltar muito tarde.

—Tudo bem, cuidado —respondeu voltando a ler.

—Sim, até mais.

—Até.

Assim que fechou a porta de casa, focou-se em chegar logo no restaurante, desejava com todas as forças ver Mahina naquele dia, ao entrar no estabelecimento pôde encontrar de imediato sua amada sentada em uma mesa.

—Você chegou rápido —disse Keiko se aproximando.

—Eu já estava aqui quando te mandei mensagem.

Uma garçonete apareceu e anotou o pedido das duas e logo saiu da mesa. Enquanto o pedido era feito, o casal conversava sobre assuntos banais até Mahina fazer uma pergunta que deixou Keiko tensa.

—Por que você precisa se distrair? Aconteceu alguma coisa? —Indagou preocupada.

—Bem... —Tentava pensar em algo para falar, não queria contar sobre seus pais, Mahina sabia de tudo e não queria que ela tivesse um surto. —Estou nervosa por conta do concurso de artes, quero muito ganhar o primeiro lugar.

Não é total mentira, pensara Keiko, realmente estava participando de um concurso e queria ganhar o primeiro lugar.

Não precisa se preocupar, tenho certeza que você vai ganhar o primeiro lugar —sorriu segurando a mão de Keiko. —Te prometo que vou estar com você, sempre que estiver se sentindo estressada ou mal, pode me chamar.

—Promete? —Sorriu timidamente.

—De dedinho —levantou seu mindinho e logo Keiko o entrelaçou com seu dedo.

Naquela hora, lembrou-se de uma música que achara muito bela, I'd Come For You, era muito bela e jurava que podia ouvir a canção soar pelo restaurante naquele momento, sabia que Mahina sempre viria por si, assim como também iria por ela. Aquela era a melodia que as duas poderiam considerar suas.

A garçonete chegou com os pedidos e deixou-os sobre a mesa, logo saindo para atender outra mesa.

赤い糸

Quando Keiko voltara para sua casa já estava bem tarde, talvez fosse sete ou oito da noite, não se importava mais em levar uma branca enorme, teve uma tarde inesquecível com Mahina e nada estragaria sua felicidade. Sorriu ao relembrar de tudo que aconteceu nas últimas horas, as melhores e mais perfeitas horas da sua vida.

—Tadaima —murmurou tirando os sapatos.

—Okaeri Keiko —saudou uma voz feminina.

—Mãe? —Disse surpresa ao ver sua genetriz bem na sua frente.

—Sim, minha filha —Sorriu.

—Acho melhor vocês irem conversar na sala —a matriarca da família disse enquanto puxava sua neta e sua filha para a sala de estar.

—Pai? —Sussurrou ao ver o homem sentado no sofá.

—Olá Keiko —o mais velho sorriu ao ver a filha.

—Acho que vocês dois tem algo para dizer, não? —O avô se pronunciou, incentivava o casal a falar.

—Keiko, eu sinto muito por tudo que você passou —sua mãe já chorava, Keiko se surpreendeu pelo que fora dito por sua genetriz. —Você não sabe o quanto eu fiquei preocupada com você, eu sei que erramos e muito, não merecemos o seu perdão.

—Mãe...

—Eu sou uma orgulhosa e teimosa, e cega demais. Me perdoa minha filha, nunca pensei que eu pudesse ter de causado tanto mau.

Keiko se jogou nos braços da mãe enquanto deixava as lágrimas descerem pelo seu rosto.

—Eu te amo mãe.

—Eu também te amo, muito.

As duas se abraçavam fortemente, estavam matando a saudade, depois de longos anos. Keiko sentiu uma grande mão em seu ombro.

—Eu estava pensando e cheguei à conclusão que você é você e eu te amo desse jeito, e não queria que você diferente —disse seu pai enquanto puxava as duas mulheres para um abraço apertado.

—Eu amo vocês —Keiko falou com uma voz trêmula.

—Também te amamos! —Exclamaram em uníssono.

A avó entregou copos de água para os três e se sentou perto dos mesmos.

—Sabiam que Keiko já namora? Uma garota linda e muito educada.

—Sério? Quando posso conhecer minha nora? —Perguntou a mãe sorrindo.

—Pode ser amanhã, fazemos um jantar em família e apresento ela a vocês.

—Me parece uma bela ideia.

Como já estava ficando tarde, todos foram dormir, enquanto Keiko se aconchegava na sua cama a porta de seu quarto fora aberta por sua mãe.

—Queria te desejar uma boa-noite.

—Boa noite mãe —sorriu enquanto a mulher afagava seus cabelos.

—Estou feliz que você está feliz, principalmente por estar com alguém que ama —beijou a testa da filha. —Eu te amo.

—Também te amo.

Akai ItoOnde histórias criam vida. Descubra agora