Capítulo 4 😇

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Braden

- Tem certeza de que quer falar sobre o acidente ? - Questionei.

Eu estava na casa da Darya hoje, resolvi passar o dia com ela já que não tinha mais trabalho. Estávamos deitados na cama, ela de frente para mim e com a cabeça apoiada no meu braço. Eu sabia como o assunto do acidente poderia afetar ela e não queria ver o meu anjo mal.

- Sim, eu quero que você saiba sobre. - Ela disse. Eu acariciei seu rosto e ela suspirou. - Estávamos vindo para cá. Meus pais estavam na frente do carro e eu estava no banco de trás, estávamos rindo e conversando...Foi tudo muito rápido. Um homem bêbado estava dirigindo e acabou perdendo o controle do carro, ele saiu da pista e veio de encontro ao carro dos meus pais. Meu pai tentou desviar, mas não tinha como, então o carro capotou. Meus pais morreram na hora com o impacto.

Eu a apertei em meus braços e ela enterrou o rosto no meu pescoço. Eu podia sentir suas lágrimas e com a mão livre acariciei suas costas. Não consigo imaginar como deve ter sido para ela.

- A última coisa que eu lembro foi o vidro se partindo em milhares de pedaços e do grito que minha mãe deu enquanto o carro virava. A cena ficou em câmera lenta na minha mente. Acordei no hospital dois dias depois e foi um dos momentos mais aterrorizantes da minha vida. Eu não conseguia ver nada e isso me desesperou, foi quando o médico entrou no quarto e explicou que o acidente causou uma lesão e que por isso eu não conseguia mais ver. Que segundo os exames dele, não tinha como reverter e que ele sentia muito. - Ela sussurrou. - Logo depois eu descobri que meus pais não sobreviveram. A dor foi mil vezes pior.

- Amor, eu sinto muito!! Você não merecia nada disso, ninguém merece. - Falei. Darya me apertou mais junto a si.

- Eu entrei em depressão. Não comia, não saia do quarto e não tinha vontade de fazer mais nada. Raven e minha tia estavam desesperadas. Até que um dia eu estava na rua com a Raven e uma menininha nos parou, implorando por ajuda para um abrigo...Pedi que minha prima me levasse lá e quando cheguei, ouvi as histórias...Tinha pessoas que sofriam também, mas que não deixavam isso consumir elas. Eu me senti fraca. - Ela me disse.

- Darya, você não é fraca!! Não é agora e nem foi naquele momento. Você perdeu seus pais e sua visão no mesmo dia, você tinha o direito de sofrer. Ninguém pode dizer que você não é forte pois passar por tudo o que você passou e mesmo assim ser quem você é hoje...Eu tenho muito orgulho de você. - Confessei.

- Obrigada bebê. - Ela suspirou. Seus olhos transmitiam tristeza. - Depois daquele dia eu lutei para superar a depressão e me tornei quem eu sou hoje.

- Pegaram o cara ? Que estava dirigindo embriagado. - Indaguei.

- Sim, ele foi preso no mesmo dia. Ele se desesperou ao descobrir o que tinha feito. Ele quis pagar por seus crimes pois disse que nunca ia conseguir viver sem se lembrar do que me causou. - Me afastei dela e limpei suas lágrimas. - Há alguns meses ele pediu para entrarem em contato comigo. Ele queria me pedir perdão.

- O que você fez ? - Perguntei com cautela.

- Eu o perdoei. É complicado, sabe? Guardar rancor não iria trazer meus pais ou minha visão de volta, além de que só traria mal para mim. Eu o perdoei sim, mas foi para o meu bem. Para me ver livre dessa história e para que eu possa ser feliz novamente. - Eu sorri.

Como ela podia ser tão boa? O mundo não merecia ela.

- Você É realmente existe ? É mesmo um anjo. - Ela sorriu para mim.

- Bobo, claro que eu existo. Estou aqui deitada com você. E eu não sou um anjo...

- É sim, é o meu anjo. - Eu rebati e minha namorada riu.

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