Perigo?

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"Ele é muito perigoso"

"América finalmente perdeu o juízo!"

"É uma péssima escolha"

"Você poderia ter qualquer outro"

"É um russo, você sabe como eles são. Em algum momento ele vai trair você"

"Ele pode parecer feliz, mas é apenas uma questão de tempo até perder o controle e machucar você"

"É só um capricho, logo eles brigam e voltam ao normal"

— Blá blá blá. – Resmungou o americano.

Comentários como esses vinham com muito mais frequência do que América imaginou num primeiro momento, o choque e o temor dos outros sobre sua "condição" fora bem maior que o esperado, principalmente da parte dos europeus e UK, o qual deixou claro sua insatisfação – embora o estadunidense tivesse descoberto que ele e Rússia mantinham uma amizade formal, e saíam para beber ás vezes. Nas primeiras semanas, não importava por onde passava, alguém o chamaria para perguntar se estava tudo bem, se tinha perdido alguma aposta ou se Rússia o havia ameaçado para estar naquele relacionamento, eram questões tão maldosas e assustava o americano ver como todos achavam aquilo perfeitamente plausível.

Recebeu muitas propostas também, era incrível o número de países que apareceram se dizendo apaixonados agora que estava namorando, porém não contou ao russo para evitar uma possível guerra.

Por vezes, Rússia seria realmente atingido por algumas críticas, geralmente quando estava sozinho e ouvia coisas relacionadas a seu pai e avô, comparações dolorosas eram lançadas e era preciso muito autocontrole para que não partisse algum dos espertinhos ao meio. Ele ignorava, com muito custo. Mas depois, quando estivesse em casa, era comum que saísse para a floresta com sua arma, descontava seu ódio com socos e chutes nas árvores, assim como praticar seus tiros para relaxar.

Isso foi algo que ele aprendeu com o tempo, depois de muitas brigas, idas ao hospital e broncas de ONU.

E América sabia que tinha que se afastar nesses momentos, e que muitas das teorias eram preocupações reais de países que não haviam tido experiências boas com a família do eslavo, o norte-americano se dispunha a explicar para a grande maioria que ninguém havia feito lavagem cerebral em si, todavia, haviam indagações sem nexo e algumas que ofenderam até mesmo a ele por conta das expectativas nocivas - e bizarras - que alguns nutriam contra Rússia.

A situação seria pior quando estavam juntos, o clima tão tenso que poderia ser cortado com uma faca, enquanto América sorria sem graça e se esquivava das perguntas intrometidas, muitas vezes temendo a reação do namorado, o eslavo pouco ligava, os orbes cinzentos se desviando para o lado ou algum outro detalhe aleatório sempre que alguém se aproximasse, fingindo não ouvir os comentários que circulavam. Rússia sabia que aquilo viria de toda forma, desejava evitar discussões desnecessárias, e enquanto ele extravasaria sua raiva quando estivesse sozinho, sua tentativa de manter a paz muitas vezes incluiria arrancar um americano raivoso de cima de alguém que havia o ofendido.

— Você ouviu aquilo?! Me pergunto o que ele tem no lugar de cérebro! – Se indignava em um tom alto, ouvindo um suspiro escapar do maior — Na próxima, vou acertar tão forte que ele vai girar antes de cair!
— Não seja tão exagerado Amerika, são apenas comentários.
— Eles estão ofendendo você! Me ofendendo! Eu não posso só assistir!
— Não se preocupe, eu não me importo. – Houve um longo momento de silêncio entre eles, e então o menor se agitou novamente, ajeitando os óculos escuros.
— EU me importo, e é por isso que vou socar todos que nos pertubarem de agora em diante.
— Ame... — Ele quis dizer que ONU não apreciaria seus atos, ou que poderia se defender sozinho, mas a essa altura, o eslavo apenas desistiu de debater.

América achava simplesmente absurdo a forma como o marido ignorava os olhares e boatos, os sussurros que seguiam atrás de suas costas, ele continua calmo quando América mesmo estava prestes a sacar sua arma e acertar alguns babacas. Eles não tinham a menor noção do que falavam, nenhum deles jamais saberia o quão doce o russo poderia ser em sua casa, e quente em sua cama, ou como ele jurava seu amor com aqueles olhos antes gélidos mas que agora queimavam em paixão.

De certa forma, o estadunidense apreciou ser o único a conhecer aquele lado de Rússia, sorrindo de lado sob o olhar intrigado do maior.

— O que foi? – Perguntou o russo, como um gatinho curioso, envolvendo os braços ao redor do mais velho assim que ele se aproximou o bastante, se arrepiando ao sentir os dedos dele em sua nuca, brincando com alguns fios de cabelo.
— Nada. Só pensei que talvez seja bom que esses malditos não saibam de nada, assim você continua sendo só meu. Sem concorrência! – Se aconchegou contra o peitoral alheio, sorrindo animado, corando de leve ao ter um beijo suave depositado em sua testa.
— Idiota, eu seria seu de qualquer jeito.

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