Passatempo

288 20 2
                                    

Tanto quanto América adorava ficar em casa com Rússia, ele também precisava de saídas ocasionais a rua, gostava do ar puro, da liberdade! De ir a festas, rodopiar na calçada sem nenhum impedimento, de dar voltas pelo parque acompanhado de seus irmãos ou algum outro amigo e então seguir até a sorveteria local para comprar um delicioso milkshake para si mesmo. Ir ao shopping para comprar roupas ou a algum show famoso o enchia de ânimo. Pequenos mimos que ele gostava de conservar, e que mantinham seu humor elevado mesmo em épocas difíceis.

Ser o centro das atenções era incrível, e ele amava sentir os olhares admirados de países mais jovens ou dos menos desenvolvidos, gostava de incentivar pequenas colônias a conseguir suas independências. Estar no topo e ser reconhecido por seu trabalho era gratificante.

Mas talvez por conviver muito tempo com alguém tão recluso, América tinha aprendido que ficar sozinho também era benéfico para sua mente, e ele rapidamente aderiu a curtos passeios solitários, espairecer em algum lugar isolado com seus fones ou apenas comer em um de seus amados Mcdonalds seria o suficiente para organizar sua avalanche de ideias e sentimentos.

E Rússia se esforçava para compreender esses momentos, quando não podia ter seu baixinho abusado por perto. Era comum dele se acomodar facilmente, e a companhia do americano era mais do que suficiente para si na maior parte do tempo, mesmo que mantivesse um curto contato com os outros países. Tinha aprendido com o tempo que América precisava de contato com o mundo, com as pessoas, ele era assim, brilhante demais para ficar escondido.

Então, em dias como aquele, em que ele se arrumava como um príncipe prestes a receber sua coroa e dizia não saber quando voltava, Rússia se esforçava para reagir positivamente, para entendê-lo assim como ele fazia com suas manias. E contava com seus amigos e o álcool para distraí-lo da preocupação que sentia em estar longe da outra metade de sua alma.

Costumava ir provar as bebidas loucas que China inventava e então fumar um charuto enquanto o ouvia explicar seus projetos futuros no trabalho ou como seus filhos estavam finalmente tomando algum rumo na vida – ou os pequenos amores que ele escondia de todos, era sempre engraçado ver a face estoica se quebrar em milhões de pedaços ao ver IJ passando ao lado de Japão.

As vezes Norte o chamava em busca de conselhos, sua relação não era mais a mesma desde que havia assumido seu romance com o americano, mas ambos mantinham a diplomacia e poderiam passar horas discutindo sobre potências nucleares e como dominariam o mundo com elas.

Belarus também era uma companhia agradável, e os irmãos compartilhavam pequenos momentos juntos quando podiam, se entendiam melhor do que ninguém, mesmo que o bielorrusso não entendesse o conceito de amor que o irmão insistia existir. Ele ainda era novo demais para um sentimento tão arrebatador, ou foi o que o eslavo disse a si mesmo ao desistir de explicar o funcionamento das emoções, optando apenas por longas doses de whisky e caminhadas juntos, fazendo amizade e mapeando novos ursos locais.

Mas ao final do dia, quando voltasse para casa e se jogasse no sofá, arrancando a gravata que detestava usar e os sapatos, Rússia só conseguia pensar em onde estaria seu marido e no que estava fazendo sem ele.

Não era como se duvidasse dele, mas porque não confiava nos outros. Rússia já tinha visto demais, e sabia que com um simples descuido uma guerra poderia acabar sem sequer ter começado, América era forte, mas muito relaxado, ele contava com a vitória e isso queimaria lentamente na mente do eslavo até que o outro voltasse para casa em segurança.

Em seus braços, onde poderia checar cada parte dele e ouvir suas provocações por conta de sua preocupação aparentemente sem motivos, ele soltaria uma risada ébria e o russo finalmente relaxaria ao seu redor, como um cão de guarda que finalmente retornava para perto de seu dono, recebendo um afago por seu bom trabalho.

E então os dois se enroscariam no sofá, ignorando o som que a televisão soltava e se concentrando na respiração um do outro. A conversa tranquila em forma de sussurros mal poderia ser ouvida, América era uma bagunça de fios loiros e álcool apoiado no peitoral alheio, enquanto Rússia teria pólvora e nicotina em suas mãos e corpo, os braços firmemente seguros ao redor do corpo fofo, e nem um dos dois se importaria com o que estava errado, ou que ainda precisariam tomar banho antes de ir para cama, apenas aproveitando o momento e o único carinho que lhes fazia falta no fim das contas.

 Xxx FIM xxX

Me perdoem se ficou confuso ou se tem algum erro, eu quero tornar essa história o mais simples possível já que é apenas para descontrair, e isso incluiu não revisar demais kssksk

Nosso CotidianoOnde histórias criam vida. Descubra agora