Capítulo 1

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Beatrice

Olhei para a minha pequena parte, que estava sentada ao meu lado — ou melhor, dormindo ao meu lado —, no banco de trás do táxi, enquanto nos encaminhávamos para o lugar que agora chamaríamos de lar... ao menos em um primeiro momento.

Era a segunda vez que eu metia o "pé no balde" se é que eu poderia considerar minha vida com essas simples palavras. A primeira vez, foi quando decidi deixar tudo para trás até o meu amor e viver o final feliz que eu nunca tive.

Só que eu fui deixada no altar e não vi escolha a não ser ir morar com meu irmão na Coreia. Ainda mais que nossos pais haviam falecido há pouco tempo. Porém, esse não era um dos meus maiores problemas, eu estava grávida e tive que descobrir como ser mãe, sem a ajuda da minha ao meu lado.

E sem o pai da minha filha para dar o apoio que eu precisava. Só que não podia mentir que Rob, meu irmão mais velho, foi como um pai para Sofia — a minha metade que estava babando em meu braço, pois sua boca estava aberta enquanto dormia.

Não podia negar que meu coração estava disparado, por estar em um lugar que não conhecia muito bem, mas que foi o primeiro a vir à minha cabeça quando decidi sair das asas do meu irmão.

Eu era conhecida por ser imediatista, se queria algo tinha que ser no tempo que escolhesse, então quando decidi o lugar para morar, não vi que seria uma má ideia partir para Londres.

Só quando saí do avião com Sofia ao meu lado, toda empolgada por estar conhecendo um novo país, que me arrependi no mesmo momento de estar naquele local, mas seria tarde demais para voltar.

No dia seguinte teria que encontrar a parte que queria esquecer há muito tempo, porém, que nunca pude tirar da minha mente: Marco Bernardi era minha pior lembrança, mas também a melhor pessoa que apareceu em minha vida.

Ele amava Sofia e a tratava como uma princesa todas as vezes que nos encontrávamos. E ela... ah, minha filha era completamente rendida ao tio Marco, ela adorava brincar com aquele homem. Tinha quase certeza que ela o considerava o pai que nunca o conheceu.

Assim que o táxi estacionou em frente ao prédio de Penélope, minha amiga que conheci há alguns anos e que me ofereceu a sua casa. Como estádia para que eu passasse algum tempo, até que achasse um lugar para mim e Sofia.

Saí dos meus devaneios e toquei o braço da minha filha para que ela acordasse.

Minha menina abriu seus olhos assustados e olhou para os lados, parecendo querer se situar de onde estava. Ela não havia puxado nada do pai, pois seus cabelos, olhos e até o nariz eram idênticos aos meus. O que era bom, pois se eu a olhasse não lembraria dos segredos que tive que esconder no passado.

Bom, ao menos não às vinte e quatro horas por dia. Balancei minha cabeça para desviar os pensamentos que estavam querendo me tomar e abri a porta do táxi para que saíssemos de dentro do carro.

— Nossa, mamãe. Aqui é tão diferente de onde morávamos — Sofia comentou, enquanto olhava para todos os lugares.

— É sim, querida.

Não tinha como não perceber a diferença gigantesca entre a Coreia do Sul e Londres. Essa seria a nossa nova vida, não podia voltar atrás, ainda mais depois de ver o brilho de felicidade nos olhos da minha filha.

Peguei as malas que o taxista nos entregou e comecei a caminhar para a entrada do prédio. Assim que toquei o interfone de Penélope ela o atendeu e quando ouviu minha voz, soltou um grito.

— Não acredito que me perdi no tempo e esqueci o horário que você chegaria.

— Tudo bem — respondi, rindo da minha amiga que era muito maluca.

CEO APAIXONADO - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora