Minha família se foi em um grande incêndio anos atrás junto de quase toda a mobília da mansão Heelshire.
(...)
Ou eu cuido do que é meu, de uma vez por todas. Ou eu perco o que restou de meus pais.
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Acordei com o sol entrando pela janela. A chuva tinha passado e as velas já tinham queimado pela noite.
Brahms não estava ao meu lado e isso fez eu me sentir um pouco mal. Afinal, tinha sido nossa primeira vez juntos. Mas lembrei que Brahms não é o melhor exemplo de namorado perfeito.
O problema veio quando eu notei que, sentado na poltrona da escrivaninha, estava Brahms. O boneco.
Eu fiquei estagnada com aquilo.
Desde que Brahms – o homem – apareceu, nunca mais vimos o boneco. E pelas memórias de Brahms, eu imaginei que o boneco tivesse se transformado nele.
E agora, o boneco estava na minha frente e Brahms havia sumido. Diante de tudo que aconteceu nessas últimas semanas, só uma coisa explicava isso: Brahms voltou a ser boneco.
Meu coração pulava dentro do peito. Eu não queria acreditar naquilo.
As lágrimas começaram a sair contra minha vontade e eu tentei chamar pelo maior, mas minha voz quase não saia por conta de tanto desespero.
Se eu soubesse que uma noite o tiraria de mim, eu nunca teria dito que o amava. Teria escondido meus sentimentos fundo no coração e ele ainda estaria comigo.
Escorreguei pela cama até o chão e engatinhei até a poltrona. Alcancei o boneco e segurei-o no meu colo. Era o mesmo boneco de sempre.
Abracei-o com força. Parecia uma criança no meio do chão chorando pelo brinquedo quebrado.
- Eu sinto muito, Brahms. – eu não conseguia nem pensar em como conviveria com aquele boneco outra vez. Cheguei até a pensar que em algum momento, no passado, eu entrei em coma e tudo isso não passou de um sonho.
Uma parte de mim até queria acreditar que nada foi real. Parecia que doía menos saber que Brahms nunca deixou de ser um boneco.
(...)
Não sei por quanto tempo fiquei sentada lá.
Minhas lágrimas já tinham evaporado um pouco, mas eu ainda não conseguia aceitar o que tinha acontecido.
- Greta?!
Nessa hora eu tive certeza de que estava enlouquecendo. O boneco estava no meu colo e mesmo assim eu ouvia ele me chamando.
- Ei, Greta. O que aconteceu? Está machucada?
E dessa vez eu percebi que não estava louca. Parado na porta do quarto estava Brahms. O verdadeiro Brahms. O meu Brahms.
- Porra, Brahms! Onde você tava? Eu achei que o boneco . . . – eu mal conseguia formular a frase direito, as lágrimas já estavam surgindo novamente junto com o bolo na garganta.
- Eu estava no banho, Greta. Me desculpa. – o tom de Brahms parecia diferente e foi quando eu notei que suas queimaduras haviam sumido.
Brahms parecia um cara totalmente normal. Não estava acanhado ou parecendo infantil.
- Brahms . . . O que aconteceu com você?
- Eu não sei. Eu acordei e decidi tomar banho antes de você levantar. Encontrei o boneco sentado na mesinha do corredor. Na verdade, eu levei um susto enorme com ele. Depois, deixei ele aqui e segui para o banheiro. E então percebi que meu rosto não estava marcado mais. Alguma coisa dentro de mim mudou também.
- Meu Deus! Eu acordei e vi o boneco e não você, entrei em pânico. Achei que nossa noite tivesse feito você voltar a . . . Achei que nunca mais te veria outra vez.
Brahms correu na minha direção, sentou do meu lado e me puxou para seu peito.
- Me perdoe, Greta. Eu não achei que você acordaria tão cedo, perdão.
Ficamos um tempo ali entre carícias e teorias da conspiração sobre a razão de dois Brahms coexistirem.
Antes eu achava que nossa noite de amor tinha sido um gatilho para Brahms voltar ao seu estado original de boneco. Mas, agora, estou achando que foi um gatilho para ele voltar ao seu estado original de homem.
- Magia, talvez? Bruxaria?
- Não sei, meu amor. Talvez. Talvez esse mistério todo seja a sua real herança, Linda Greta.