Acordei cedo, meu relógio ainda nao estava adaptado ao horário do país, mas pela claridade e o tom do céu parecia ser umas 10 da manha.
Coloquei meu jeans e um chinelo e desci no hall do hotel, após tomar um café da manha reforçado. Estava hospedada no famoso Harbour Rocks Hotel Sydney. Pedi uma informação ao recepcionista sobre pontos turísticos mas confesso que nao entendi muito bem, sabia o inglês americano mas com aquele australiano falando tudo rápido e de forma grossa, e até meio ríspida, nao consegui entender 5 de 10 palavras, então dei de ombros e sai sem rumo olhando vitrines e pessoas.
Aquelas ruas eram melhores do que pensava, um lugar tao agradável! Estava tendo uma feira ali perto então comprei lembrancas... Eu sempre comprava mesmo nao sabendo quando ia voltar pra casa, aquela vidas era incerta e todos os dias eu pensava em largar tudo e voltar pra onde sempre pertenci.
A festa em que faria presença era a noite, então fui ao centro da cidade - pelo menos na minha concepção aquele ali era o centro, eu definitivamente não conhecia Sydney e não me surpreenderia se me dissessem, que, na verdade, eu estava andando em circulos. - Entrei numa loja chamada Mon Petit Choue e comprei um vestido obviamente vulgar, era uma das condições, apesar de nunca ter sido falada verbalmente, eu apenas sabia.
Quando me viu experimentando o vestido preto, com um decote que ia até pouco acima do umbigo, uma das funcionárias da loja, comentou:
- Se eu te visse na rua jamais iria imaginar que você usaria um vestido desse.
Ri, um pouco sem graça, mas eu concordava: Uma garota de óculos de grau, blusa cinza despojada, jeans e chinelo, com um livro debaixo do braço, pelo senso comum, realmente nao parecia ser alguem que se interessaria por aquela roupa: um vestido apertado, decotado e vulgar. As vezes os julgamentos das pessoas fazem sentido.
Passei o dia na andando pelas ruas de Sydney, tudo parecia tão legal e diferente. Era como se um novo mundo estivesse sendo descoberto por mim. Novos ares, um novo sotaque, um jeito distinto de enxergar e viver a vida, parecia um outro mundo e eu estava gostando daquilo. Ao ver que o dia começara a se tornar noite, me sentei em um banco no qual dava pra ver perfeitamente a Harbour Bridge, a famosa ponte da baía de Sydney. Ver o sol se pondo ali foi uma das cenas mais maravilhosas da minha vida, em em meio ao burbirinho dos turistas e flashs das cameras, eu fechei os olhos, e tentei ao máximo guardar aquele momento dentro de mim. Quando os abri novamente, vi familias se abracando olhando para céu, enquanto outras tiravam fotos, de todos juntos, com a ponte em plano de fundo. Vi também casais, crianças, amigos e naquele momento, a solidão furou um pouco mais forte do que costumava dentro de mim. Senti a brisa que veio do mar e uma lágrima teimosa caiu do meu olho: eu já tinha me prometido que não ia chorar em Sydney, a cidade dos meus sonhos.
Pensei em como seria se eu eu tivesse alguem pra compartilhar aquele momento, será que eme sentiria da mesma forma ou eu estaria mais feliz? O fato é que tudo que eu havia feito até ali era pra realizar os sonhos que eu sempre tive dentro de mim mesma, aqueles objetivos não pertenciam à ninguem mais além de mim mesma. Pensei um pouco na uma música do Ed Sheeran que diz:
"We made these memories for ourselves, where our eyes are never closing, hearts were never broken, and time's forever frozen still" (Nós fizemos estas memórias para nós mesmos, onde nossos olhos nunca fecham, nossos corações nunca estiveram partidos, e o tempo está congelado para sempre) - Ed Sheeran.
