A Afirmação

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Assim que adentrou pela porta da frente do hospital, Sasuke foi recebido por uma enxurrada de olhares surpresos, alguns até temerosos e outros admirados, mas a maioria incapaz de disfarçar a curiosidade diante da presença do último Uchiha, antigo nukenin e integrante do time sete. Sasuke nunca soube exatamente o que fazer com aquele tipo de atenção, sempre buscou passar despercebido por todos os lugares que passava, ainda muito novo, havia aprendido com seu pai que não há ninguém mais poderoso neste mundo do que aquele que é invisível, e carregava isso consigo como uma filosofia pessoal. Então, como sempre, optou por ignorar todo o ambiente que o fitava.

Entretanto, um par de olhos em específico não se contentou em apenas observar de longe.

Ino. No instante que a Yamanaka percebeu a notável presença do ex-nukenin, ela curvou os lábios em um sorriso travesso, pequeno demais para ser inocente. Neste momento, ela percebeu que seu plano havia dado certo e estava a poucos passos de ser realizado por completo.

- Sasuke. - ela o cumprimentou de longe, erguendo a mão num aceno breve. - Shikamaru me alertou sobre sua chegada. - completou, se aproximando do moreno com a postura confiante de quem sabia exatamente como aquele dia terminaria.

- hm. – ele balbuciou sem ânimo, o cumprimento mais econômico que sua educação shinobi conseguia produzir.

- preparei a sala de cirurgia três para a realização do procedimento, vamos até lá despachar o corpo para que as enfermeiras façam a limpeza dele. – disse deixando no ar a sugestão de que ele a acompanhasse.

Ele apenas retribuiu com um aceno curto.

- Sakura está concluindo o horário de plantão na ala da emergência. - esclareceu a ausência de sua melhor amiga. - mas creio que logo estará disponível.

Ino agia com uma naturalidade ensaiada, ela não queria deixar transparecer nenhuma das engrenagens que girava por trás daquela frase. As peças estavam dispostas no tabuleiro, cabia a ela saber como jogar.

Sasuke nada questionou. Ele compreendia o quanto Sakura era ocupada, havia visto isso à distância, em relatórios e em menções ocasionais que chegavam a ele por vias tortuosas, enviadas por Kakashi e por Naruto na maioria das vezes. Sakura também lhe enviara cartas, sucintas e omissas, palavras que destoavam de sua personalidade — cartas que o moreno não respondera. Postergara tanto redigir uma resposta que elas pararam de chegar, restando apenas os garranchos de Naruto e Kakashi para lhe entreter e informar. Entretanto, Sasuke não gostaria de interromper todo o trabalho dela apenas para "atendê-lo". Não queria ser mais um item na lista de coisas que ela tinha que fazer.

Em um silêncio quase total, ambos se deslocaram até a ala cirúrgica. Durante a caminhada, Sasuke notou que o hospital de Konoha tinha o hábito de parecer ainda maior por dentro, seu saguão principal se abria em comprimentos que a fachada não prometia, e a luz que descia pelas janelas altas da tarde chegava em faixas oblíquas, iluminando o pó suspenso no ar. As paredes dos corredores eram brancas, assim como as roupas de todos que ali trabalhavam. Os passos de Ino ressoavam num padrão metódico que sugeria que ela estava acostumada a não desperdiçar movimento.

A ala cirúrgica ficava mais fundo, onde a luz artificial assumia o controle e as janelas desapareciam a cada passo, na sala de pré-operatório, Sasuke depositou o cadáver sobre uma maca metálica. O corpo fez um som ao pousar, não exatamente pesado, mas denso, o tipo de impacto que denunciava que tecido estava sem vida, como uma inércia específica.

Antes de se retirarem, Sasuke observou, um pequeno grupo de enfermeiras tomava o controle da situação com a eficiência discreta, enquanto Ino passava ordens explícitas para que limpassem bem o corpo e deixassem tudo perfeitamente preparado para a chegada de Sakura, alertando que a médica teria um período curto de tempo para realizar a necropsia.

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