Oitava ligação

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A claridade começava a incomodar. Jimin fechou os olhos com força, tentou se acostumar com a claridade e foi abrindo os olhos aos poucos. Estava deitado de bruços, sentia o Sol bater nas costas, o esquentando um pouco. O rosto estava virado na direção contrária da janela então encarava o grande espaço vazio da cama, um edredom branco o cobria da cintura para baixo.

Então se sentiu péssimo. Toda aquela euforia tinha passado, se sentia pior que um lixo e ainda por cima se lembrava de tudo. Levou a mão à testa tentando se livrar da memória em que estava sentado entre as pernas do modelo, com as costas em seu peito e gemendo alto por causa da punheta que recebia.

Aquele era o fim. O ponto final. Tinha passado muito além do limite, estava sem controle algum. Aquilo... aquilo não passava de uma rebeldia. Isso. Era exatamente tudo o que seu pai abominava e era uma forma de bater de frente com ele, por mais que ele não soubesse. Era isso.

Mas tinha chutado o balde tão longe de uma só vez... respirou fundo e tomou coragem para se levantar. Os olhos correram pelo quarto espaçoso até encontrar sua roupa dobrada em cima de uma cômoda que tinha certeza não tinha dobrado de madrugada.

— Oh. Já está acordado.- Jimin olhou por cima do ombro, encarou o moreno— Eu trouxe seu café, mas não sei como gosta.

Hanse. Esse era o nome que mal saía da sua boca na noite anterior enquanto implorava por mais. Sentiu o rosto queimar de vergonha, queria se enfiar debaixo do edredom novamente, sem contar que se sentia... estranho. Parecia que uma camada de suor estava em seu corpo, lhe causando certa agonia na pele. Precisava de um banho.

— Você está bem?- o modelo se aproximou, tinha o cabelo amarrado num coque, o óculos com armação transparente enfeitava o rosto e usava roupas largas, uma camiseta cavada que mostrava as marcas em todos os bons tons de roxo.

Abaixou a cabeça. O que estava fazendo da vida? Hanse colocou a caneca de café na sua frente.

— Primeiro beba o café, você está com cara de quem precisa pensar um pouco.

Jimin suspirou e aceitou a caneca de bom grado. Bebericou um pouco do líquido preto e reprimiu uma careta, estava mais forte do que estava acostumado.

— Obrigado, hyung.- deu mais um gole tentando se acostumar com o amargo na boca, respirou fundo.

— Quer conversar?- o loiro o encarou com os olhos arregalados, Hanse riu soprado— Certo, se quiser, tem coisa para comer na cozinha, eu coloquei seu celular para carregar na sala e bom...- o moreno fez sinal de pouco caso.

O Park assentiu, Hanse continuou parado o encarando por alguns segundos, Jimin abaixou a cabeça.

— Hyung, eu... me desculpe por ontem. Eu acho que passamos um pouco do limite.

— É sério?- riu soprado— Não acredito que você está todo estranho por causa disso!

— O que? M-mas...

— A gente não fez nada demais, Jimin. Você não me machucou ou algo do tipo, nós nem transamos.

O rosto do mais novo tomou uma coloração avermelhada, por Deus, queria fugir. Precisava sair dali o quanto antes.

— É que eu...- arfou, iria mesmo falar sobre aquilo?— Me sinto... não me leve a mal, hyung, mas me sinto sujo.

— Sujo?- Hanse riu soprado.

— Não é algo pessoal, hyung, eu só não me sinto bem...

— Não é o que parecia ontem a noite.

Just a Call [YM]Onde histórias criam vida. Descubra agora