Quarenta e Sete

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Nunca foi fácil se acostumar com um adeus. Chaeyoung nunca poderia.

Eles vieram tão inesperadamente. Toda vez, Chaeyoung achava que as coisas estavam se alinhando para serem perfeitas. E toda vez, doía da mesma maneira.

Era o primeiro dia de dezembro. Elas deveriam comemorar. Jisoo tinha saído na noite anterior e comprado chantilly para poder colocar carinhas felizes nas panquecas. Ela definiu o alarme para mais cedo, para que pudesse acordar antes de Chaeyoung e Ryujin.

Por isso, ficou surpresa quando a voz preocupada de sua esposa a tirou do sono.

"Chu."

Mesmo em seu estado meio inconsciente, Jisoo sabia que algo estava errado. Ela rapidamente abriu os olhos, encarando a esposa em confusão. "Hã?"

"Ele está doente."

Franzindo as sobrancelhas, Jisoo sentou-se. "Quem?"

"Hank." A voz de Chaeyoung saiu baixa e ela acenou com a cabeça para o monte de cobertores em seus braços. Jisoo estremeceu.

"Como?"

"Ele simplesmente está." Chaeyoung balançou a cabeça, não querendo nenhuma das perguntas de Jisoo. "Eu preciso de ajuda."

"Deixe-me vê-lo." Jisoo disse suavemente, estendendo as mãos. Ela podia ver a preocupação no rosto de sua esposa, incentivando-a a lidar com ele com o máximo de cuidado quando Chaeyoung colocou ele em seus braços.

"E-ele não comeu ontem à noite. Ou hoje de manhã." Chaeyoung murmurou, sentando-se lentamente ao lado de Jisoo na cama e observando enquanto estudava cuidadosamente o velho gato branco. "Ele nem quis sair quando abri a porta."

"Isso é estranho." Jisoo sussurrou cuidadosamente, pressionando os dedos em volta do pescoço dele e percebendo que a respiração do gato estava lenta. "Onde você o encontrou?"

"Escondido." Chaeyoung assentiu, estendendo a mão e colocando a mão em cima da de Jisoo. "Debaixo do sofá. O que fazemos, Jichu?"

Foi nesse momento que Jisoo percebeu o pequeno par de olhos observando-as. Ela se virou e olhou para a porta, onde Ryujin estava de pijama azul claro, chupando o polegar e olhando para elas com preocupação.

"Vou ligar para o veterinário." Jisoo assentiu, ajustando o animal doente em seus braços. "Eu preciso que você vá vestir Ryujin para o caso de termos que ir até lá, sim?"

"Sim." Chaeyoung sussurrou, levantando-se lentamente e olhando para a porta.

"Ei." Jisoo parou para estender a mão e agarrar a mão de Chaeyoung. Ela encontrou seus olhos, dando-lhe um sorriso suave. "Tudo vai ficar bem."

Infelizmente não estava nada bem.

"FIP. Peritonite por infecção felina." Explicou a veterinária, voltando-se do computador para encarar a família em pé na frente dela. Ryujin estava nos braços de Jisoo, acariciando o gato branco que estava sobre a mesa na frente delas.

"O que precisamos fazer?" Jisoo perguntou olhando para Chaeyoung. Sua esposa estava um passo atrás delas, um tanto desconfiada da sala em que estavam. Ela nunca gostou de consultórios médicos de qualquer tipo.

"Bem, você tem duas opções." A mulher abandonou a prancheta nos braços e apoiou os cotovelos na mesa de metal frio. "Você pode levá-lo para casa com você e deixar a natureza seguir seu curso, ou pode salvá-lo de alguns dias de sofrimento e colocá-lo para dormir."

"Espere." O coração de Jisoo caiu em seu peito quando ouviu Chaeyoung respirar fundo. "E quanto à remédios? Ou uma cirurgia?"

"Não existe." A mulher balançou a cabeça, dando-lhes um olhar de simpatia. "O vírus age rápido. Ele não responde a nenhum tipo de tratamento. Eu gostaria de poder..."

Green (Chaesoo)Onde histórias criam vida. Descubra agora