Um dos soldados de JK chegou carregando YG. Ele estava desacordado, mas tinha sido tratado e parecia bem. Alguns dias de descanso seriam suficientes para um lobo se recuperar dos ferimentos, por isso NJ e JK ficaram aliviados ao vê-lo.
Só então Jin teve permissão para ir e TH subiu as escadas em direção ao quarto. A porta não tinha tranca, ele encostou uma cadeira, só para deixar claro.
Não demorou para ouvir som de passos, depois a porta de fora e o corpo batendo na cama. JK também tinha se ferido. A blusa de dentro estava manchada de sangue e ele não estava andando direito. Aparentemente tinha preferido não cuidar e só deitou daquele jeito.
TH se virou e se encolheu debaixo das cobertas. Abraçou com força o travesseiro.
Quando JK disse que não confiava nele, prendeu Jin, afastou HS...ele sentiu medo dele como nos primeiros dias. Era devastador pensar que eles não evoluíram nada...apesar do esforço e do convívio...
A verdade é que tinha se iludido, duas pessoas não podiam começar a se amar assim.
Descansou por algumas horas, virando várias vezes na cama sem conseguir dormir. Levantou-se quando ainda aurora e andou sozinho pelas ruas esvaziadas sem ser notado por ninguém, nem pela guarda.
Foi até o estábulo que ficava a dois quarteirões. Ali havia alguém que levaria uma carta para JM mais rápido que qualquer um na residência. Queria que ele soubesse através de suas palavras o que tinha acontecido e também ouvisse os medos e os receios que por ora lhe ocupavam.
Os noivos saíram da festa bem no início. JM fez piada sobre a pressa deles. Nesse momento, lembrou-se, Jia-er ficou muito sério e olhou para JK. Esse apertou os olhos, estranhando a reação. Jia-er ao menos sabia que haveria um ataque. JK facilmente chegaria a essa conclusão, se não já tivesse chegado. Ele queria que JM soubesse.
Quando terminou o que fora fazer, não voltou para casa. Saiu da cidade por um caminho secreto, que reservava para momentos como aquele, misturando-se às pessoas, passando por travessas, ruas sem saída aparente, pequenas extensões.
Enquanto andava, seus pensamentos se voltaram novamente para JK. Para o que acontecera. Não tinha razão para se sentir surpreendido, nem magoado. Sempre soube que seu casamento era um ato político sem nenhum lastro em sentimentos. Pior, tinha um legado imenso de razões e suspeita e só por milagre geraria uma relação saudável. Mesmo assim, ele tinha começado a desejar isso.
Desejou porque se sentia atraído por JK. Seu lobo também estava. Essa atração aumentava a cada dia, fazendo-o acreditar em algo que não existia. Fazendo-o ver mais do que devia no jeito que JK olhava, na atenção que dava a ele, nos toques sempre mais frequentes.
Mas JK achou que TH o trairia na primeira oportunidade.
'Talvez porque ele mesmo o faria se pudesse, na primeira oportunidade', não podia deixar de pensar.
Andou na direção da floresta, subiu a montanha. A bruma estava tão densa que quase não podia ver. Seu lobo, no entanto, podia se mover perfeitamente com a ajuda de seus outros sentidos. O som da água, o cheiro de musgo, o alívio do transe. O refúgio dentro de si e o privilégio de poder recorrer a ele. Foi o que lhe permitiu suportar os últimos anos. E era para lá que ele agora corria.
A cachoeira estava escondida dentro da névoa branca. Sentou em uma das pedras em posição concentrada, sem pensar. Permaneceu por mais de uma hora. Acalmou a mente. Apenas via o que era, a textura do vazio e seu brilho espectral.
Depois já se sentia um pouco melhor. Até nadou por um tempo, deixou o sol que saía esquentar de novo a pele.
Se fosse preciso ficaria a semana inteira ali.
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O Casamento
Fanfiction- Ele está mesmo vivo? - Sim. É ele, Jeon Jungkook, seu primo-primeiro. Ele é um dos líderes da rebelião TH engoliu em seco. - Então será como a Deusa quiser A cidade era governada pelos Kim havia treze anos. Mas uma rebelião iniciada cinco anos an...
