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Marianne

A manhã chegou mais cedo do que eu gostaria, e com isso uma dor de cabeça que eu julguei ser culpa do vinho. Enquanto a névoa do sono lentamente deixava minha mente, percebi que aquele jogo realmente havia acontecido, não tinha sido um pesadelo como pensei por alguns instantes ao acordar.

Agarrei meu travesseiro e virei pro outro lado, sentindo a cama confortável embaixo do meu corpo. Minha vontade era passar o resto do dia aqui, mas infelizmente isso não era uma opção.

Eu sei bem que não posso me abalar desse jeito, nem por ele e nem por tudo que aconteceu. Eu só preciso pensar que não fiz nada de errado.

Era isso.

Levanta, Marianne. Você não é uma covarde.

Digo pra mim mesma e chuto o edredom pra longe. Percebendo em seguida que Imani e Joan não estão mais no quarto. Ando até a janela após esticar meu corpo e um bocejo preguiçoso escapa por entre meus lábios enquanto reparo que o dia está nublado - quase como me sinto por dentro - e há uma camada fina de gelo sobre as folhas e o chão, parece que nevou um pouco na madrugada.

O sorriso dele invade meus pensamentos sobre o tempo, mas dessa vez ao invés de sorrir de volta eu me sinto encolher.

As lembranças da nossa troca de mensagens me fazem sentir ânsia imediatamente. E não era por conta de algum vestígio das bebidas da noite anterior, era por causa do Zachary mesmo.

Me arrastei até o banheiro e deixei a água morna me relaxar, pensar em vê-lo de novo me deixava triste e cheia de expectativa ao mesmo tempo.

Era uma mistura louca de sentimentos que até então eu desconhecia.

É só mais um dia, Marianne!

Você vai conseguir!

E foi repetindo isso mentalmente que eu me vesti, prendi meus cabelos e após colocar meus óculos escuros pra tentar disfarçar as poucas olheiras pela falta de sono na noite anterior, desci, dando de cara com ele.

Não o encarei.

Ele desistiu de mim.

Desistiu de nós.

Droga, nunca nem existiu um "nós."

- Bom dia!

Falei alto pra que todos ouvissem e já fui em busca de café.

Eu precisava disso tanto quanto de oxigênio.

Não olhei pros lados, eu não queria conversar porque ainda sentia a vergonha espreitando, talvez fosse ridículo. Mas era exatamente assim que eu me sentia. Enchi minha caneca e levei a boca sentindo o líquido me aquecer, o que não fazia sentido no entanto era os pelos do meu braço estarem eriçados, soube exatamente o motivo quando percebi que ele me encarava. 

Zachary Hanson estava me olhando, inteirinha.

Como se eu fosse comestível.

Por que ele fazia isso?

Olhei pro lado e fiz o que deveria ter feito todo o tempo - sem nunca permitir que ele invadisse minha mente e muito menos meu coração - eu fugi.

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