[João POV]
Eu não lembrava de mais nada, estava tudo branco, eu não sentia nada, não via nada, só ouvia Math falando constantemente eu te amo.
Eu ainda estava dormindo quando cheguei na sala branca, não sabia onde era, eu andava normalmente la. Sem nenhum problema. A sala era totalmente branca, não havia saída nem entrada, não havia cor, não havia cheiro, nada.
Inclusive eu, eu estava todo de branco, tão limpo, sem dor, sem nada
Teria eu morrido.
Eu andava suavemente, quase flutuando, ate que um barulho me fez cair no chão. Um barulho de alguma coisa metálica raspando em uma pedra. Muito alto. O barulho foi constante. Entre as minhas mãos, corria sangue no chão impecável da sala. Meus ouvidos estavam sangrando. Eu gritava para parar, mas ele sempre ficava mais alto. Deito-me no chão, com as mãos no ouvido, sem saber o que fazer. Ate que o som para do nada. E depois de três segundos, outro som diferente vem. Um som irreconhecível, como se fosse um radio falhando, junto com um som de eletricidade. O que era tudo aquilo?
E o barulho parou, então eu começou a flutuar, meu corporal estava leve, eu não respirava mas também não sentia falta do oxigenio. O que significava tudo aquilo?
Logo depois, tudo ficou preto.
[Matheus POV]
Demorou duas horas para que eu parasse de chorar, uma enfermeira havia me dado um calmante, o que me fez parar de chorar, mas mesmo assim eu fiquei acordado.
-Tente dormir Senhor - diz a enfermeira.
-Nada me faria dormir agora.
-E seu te dar um calmante para alce? - Ela ri.
-Talvez não dê - Respondo serio.
-Você esta mal, e o nervosismo trás muitos problemas, os médicos estão tratando bem ele, ele vai sobreviver.
Será?
-Posso ao menos saber seu nome - pergunto.
-Vitória, mas pode me chamar de Vit. - Ela sorri.
-O que eu faço agora Vit? Esta tudo dando errado, eu e ele comemoramos um ano de namoro hoje, era pra ser um dia feliz.
-Eu sinto muito Math. Mas a doença é um grande azar. Posso falar sobre algumas coisas que eu descobri sobre a doença?
-Claro.
-A doença ela não causa apenas dor, como você vê, João esta em um sono profundo, quase em coma. Mas para ele nem tudo esta preto. Ele esta tento alucinações.
-Como assim?
-A doença causa alucinações na pessoa, toda hora que ela dorme.
-Como...?
-Como se ele estivesse sendo torturado, ele ouve barulhos enormes também, como se ele estivesse preso em sua mente.
Aquilo congelou todo meu corpo. O que estava ocorrendo dentro da enorme mente do amor da minha vida?
-Acho que ele acordou.
Olho para seu rosto, e seu olhos estavam quase abertos e ele resmungava.
-João - digo - Ainda bem que você acordou.
-Eu dormi muito?
-Mais de uma noite.
-Parecia pouco
Olho para Vit.
-Você teve algum sonho?
-Sim, tive. Eu estava em uma sala branca. - Vit coloca a mão em meu ombro para que eu me afaste. - E barulhos estranhos. Muito estranhos.
Vit começa a medir a pressão dele e a temperatura. Fico calado.
-Joe, você consegue se mexer? - Vit pergunta.
Ele tenta e com fraqueza sua perna direita levanta um pouco.
-É meio difícil, mas eu consigo. Moça, você ja sabe o que eu tenho?
-Vou pedir para que seu namorado conte - Ela da um sorriso pega suas coisas e vai embora.
-Então Math, diga-me o que eu tenho?
-Eu não sei como explicar amor.
Lagrimas escorrem pelo meu rosto, como eu diria pra ele, que ele estava caminhando para a morte, que ele tinha uma doença super rara.
-Fale, antes que eu apague novamente.
-E uma doença rara. Poucas pessoas tem, ela chama Avir, e uma doença do seu cérebro.
-Tem cura?
-Não sei.
-Tenho chances de morrer? - Ele começa a chorar.
Fico alguns minutos sem dizer nada, ate que o seu choro aumentou, ele ja devia ter capitado a resposta.
-Eu te amo Math - Ele diz em prantos.
-Eu também te amo, sabe que eu faria o que for possível para salvar sua vida.
Ele não responde.
Então, nos beijamos.
-Ja que vou morrer, porque não passar os últimos segundos ou dias com você? - Ele ri.
-Você não vai morrer João. - Era Vit na porta do quarto.
-Não tem como saber.
-Tenha fé, e a ultima coisa que se resta nesses dias sombrios.
Ele aperta minha mão, antes de apagar novamente.
***
Foram dias sem ele, dias ao lado da sua cama, ja foram milhares de pilulas para que eu dormisse, rios de lagrimas, alguns cortes, ja tentei de tudo para que eu dormisse, mas nada dava certo. Sim, eu lia, muito, sobre a doença, mas não chegava a lugar nenhum. Ja se passou uma semana que eu estou sem dormir, a dor era muita, eu não conseguia me recuperar, não conseguia ver João daquele jeito, como morto. Eu estava morrendo também. Lagrimas, era o que meu corpo produzia, eu não tomava banho, me alimentava raramente, e não saia de perto de João. Ontem, os pais de João, foram visitar ele, foi muito choro, eles tentaram me consolar, mas eles não podiam ficar no hospital, eles tinham outros filhos para cuidar, e muito trabalho para manter eles vivos.
Hoje quem apareceu aqui foi um irmão do João. Ele chegou, parou na cama e ficou observando o irmão, sem nenhum sentimento, e quando saiu, ele me olhou com a maior cara de nojo de todas que eu ja vi. Ele tinha nojo de mim.
Outro dia se passa e nada dele acordar. Ligo a televisão, e fixo navegando pelos canais, falavam só da falta de agua, e outros passavam series inuteis e algumas novelas. Resolvo deixar em um canal, não sabia o nome e nem a serie que estava passando, mas parecia chato. Alias, tudo sem ele fica chato. Então depois de ver tres episódios da serie, eu consigo dormir. Um pouco.
[João POV]
Eu estava em algum lugar, desconhecido, era um bairro pra ser especifico, tinha bastante grama, e casas enormes, não havia pessoas passando, nem animais, estava tudo deserto. O que se faria quando estivesse em um bairro deserto com milhares de casas enormes.
Claro, eu entraria em uma.
Escolho uma de dois andares, ela era feita de tijolos vermelhos, era muito bonita.
Quando entro, vejo que tudo estava muito mal iluminado, mas todaba decoração estava impecável. Dou dois passos na madeira rustica, que cobria o chão, fazia vários estalos, mas tinha a aparência bonita. Aprecio um pouco ate que vejo um pouco a frente do meu pé, uma mancha de sangue. Fico em silêncio, ate que um vaso de flores se quebra logo ao meu lado. Começo a correr, mas sintos algumas mãos me tocarem. Subo em uma escada circular. Quando chego no ultimo andar, vejo uma figura preta, parecia de borracha, que me empurra da escada, eu cai tão perfeitamente ate o ultimo degrau. Não sentia dor. Mas a ultima coisa que vejo e o homem borracha me levando para algum determinado lugar. Eu morreria. Então, ele me leva até o porão, onde começa a me torturar, vários golpes, cortes, mas nada me fazia sentir dor. Ele me da uma facada no meio do peito, o que doeu. Mas eu não morri. Apenas acordei.
Eu ainda estava no quarto do hospital, olho para o lado e vejo Math dormindo na cadeira ao lado.
A enfermeira entra no quarto, ela chega perto de mim e começa a me examinar.
-Você acordou, graças a deus, achamos que vive entraria em coma.
-Não brinque com isso.
-Tudo bem, eu sói a enfermeira Vit. Sou sua enfermeira, e a do Matheus também. Ele tem tendo uma seria depressão.
-Por causa minha?
-Sim, não queria te magoar, mas faz uma semana que você esta dormindo, sua familia ja veio o visitar. Mas nada de você. E também durante esse dias, Matheus não dormia de jeito nenhum, e era muito raro ele comer alguma coisa.
-Ai meu deus! Estou vendo que ele parece ruim.
Ele estava na cadeira, pálido, mais magro do que o ja vi, olhos inchados com olheras. Ele parecia pior que eu.
-Você consegue se mexer?
Nexo a perna mas uma dor enorme percorre meu corpo.
-Consigo, mas dói pra caralho.
-Vish.
-E sobre a doença, alguma coisa?
-Eu fiquei sabendo de algumas coisas, quando você acordar, e preciso que se converse muito com você, para oucupar sua cabeça, mas então, durante esse tempo você teve muitos sonhos?
- Não tive apenas um. Eu estava em uma casa, e la dentro tinha um cara de borracha que começou a me torturar, quando ele foi me matar, que eu acordei.
-Credo, foi muito longo?
-Pareceu durar uma hora mais ou menos, tinha um bairro enorme, então fiquei andando la ate achar essa casa.
-Que tenso.
-Como esta o tempo?- pergunto.
-Bem estranho, um dia chove no outro não, e no outro ta sol, ai chove de novo.
-Que horas são?
-Duas da tarde, você gostaria de se alimentar?
-Claro.
A enfermeira aperta um botão perto da cama e começa a me ajeitar para comer.
-A outra ja deve estar chegando com a comida.
-Mas então, alguma noticia enquanto dormi?
-Nada de novo, só ontem que o presidente do estados unidos morreu.
-Morreu?
-Sim, mataram ele.
-Chocado.
A comida chega, era uma tigela com sopa de legumes. Tento mexer o braço mas Vit me empede.
-Não, evite fazer exercícios físicos, eu o alimento.
Então ela começa a me alimentar enquanto contava histórias aleatórias sobre a vida dela. Ela falava de um cachorro quando apaguei novamente.
[N/A]
Bem, o capítulo ta pequeno, mas eu estou fazendo o maximo para aumentar eles, espero que estejam gostando. e.e
A fic se passa por mais ou menos 2021, então o presidente morre sim.
Amanhã tem cap novo.
XOXO Luiz
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