Keller

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[Matheus POV]
[13 de agosto de 2019]
Já havia alguns meses que eu já havia me assumido pra João e que finalmente ele me pediu em namoro. É claro que eu aceitei.
Tudo estava o paraíso, a vida esta perfeita, posso enxergar flores até nos lugares mais sombrios do mundo. Nossos amigos já haviam aceitado a historia minha e do João, sem nenhum problema.
Sim, eu ainda não contei pro meu pai.
Tudo estava muito difícil, eu não queria que ele pensasse que eu tinha vergonha dele, mas ate os dezoito anos eu apenas falava pro meu pai sobre meninas, e depois chegar e falar que eu namoro um menino seria bem diferente. Ele nunca havia falado nada sobre homofobia, ele sempre deixa de lado quando passa alguma coisa sobre homofobia na televisão.
Seria um caos em casa, todos os dias eu planejava um jeito de contar a ele, mas eu tenho tanta vergonha. Estou confuso.
Meu pai passa quase 99% em viagens de trabalho, eu via ele muito pouco, eu sentia sua falta, eu ficava sozinho em casa é claro, então, hoje que ele foi pra algum lugar nos estados unidos, a casa estava totalmente livre.
Pego o celular e ligo imediatamente pra João, eu estava com os créditos ao fim, então eu só falo.
-Estou sozinho em casa, estou te esperando.
Quando desliguei o celular, uma vibração junto com nervosismo me fez tremer todo, será que íamos ir mais alem de beijos e alguns toques como sempre fizemos?
Será que ia doer?
Será que ia dar errado?
O mundo está girando, não sei o que fazer, e eu vou ficar sozinho em casa com meu namorado.
A campainha toca.
João.
Vou ate a porta e a abro, com calma, não ia pular no ser que estava li do nada, vai que era o vizinho, o carteiro alguma coisa?
Por sorte era João.
Ele estava com um cheiro bom e olhava pra mim com uma cara de "o que você quer garoto, te arrombo em dois segundos".
-Entre - Abro a porta.
Ele entra inocentemente.
Não tenho nem tempo de fechar a porta quando ele me pressiona na parede, ele não fala nada, apenas me beija de um jeito quente, sinto ele ficar excitado, o que me deixou também.
-vai ser aqui mesmo? Não quer ir pro quarto? - digo rindo.
-Vamos pro quarto Nigthmare.
Nigthmare. Era o apelidoque me dera quando havia chamado ele de sonho, pois o contrario  e pesadelo, eu também não entendi, e melhor não questionar ele mesmo.
Ele me pega no colo e sobe as escadas da minha casa tirando os tênis, quando ele chega no meu quarto ele me joga e pula em mim.
Ele beija cada parte do meu rosto enquanto eu lhe tocava.
Ele tira minha camiseta e beija cada parte do meu corpo, ele tira a dele também.
O jeito que ele me olhava, me dava uma vontade de gritar de tanta felicidade.
Tiramos todas nossas roupas, as deixamos jogadas pelo quarto, nosso centro de antemão era um ao outro.
Ele me deixa de quatro na cama, eu ja estava preparado, ja sabia o que ia acontecer.
Bem, doeu um pouco, talvez muito, mas foi bom, pra falar a verdade.
[23:20 Hoje]
João ainda não havia voltado a dormir, eu e ele tínhamos conversado muito nesse tempo, nos havíamos nos lembrado dos nossos planos do futuro, das coisas dos passados, tudo sobre algum casamento.
"Quando o médico chegar e me falar, você está curado, você pode interpretar como um " casa comigo?" vindo de mim é claro"
Foi o que ele falou, eu fiquei tão emocionado, João me amava, ele queria passar o resto da vida comigo, e era o que eu mais queria também.
Mas temos que passar esse obstáculo, sei que vamos passar.
-Joe, eu quero que você ultrapasse esse obstáculo, você está forte, sei que você vai conseguir.
-Eu espero.
-Em qualquer ocasião dessa doença eu quero que você lembre que eu te amo, e que eu vou te amar ate o resto da vida.
Ele não responde nada, mas ele começa a chorar.
-Isso e tão emocionante, e você sabe que eu te amo também.
Eu apoio minha cabeça em seu peito, e começo a imaginar coisas sobre o futuro, sobre adotarmos um filho, termos uma casa só pra nós, casarmos, acabar com tudo isso.
Quando a levanto vejo que Joe havia adormecido.
Fico triste, mas aceito isso, sei que isso e da rotina dele agora, dou um beijo em sua testa e vou ate a poltrona do hospital, dormir um pouco.
***
Acordo com dor de cabeça, olho em volta do quarto, não tinha ninguém, apenas eu. Onde esta Joe? Levanto-me da poltrona e vejo que a cama estava vazia, começo a me desesperar, então vou correndo pra fora do quarto, mas a porta atrapalha, estava trancada, eu não tinha nenhuma força pra derruba-la, então eu sento no chão, vejo que lá tinha um bilhete.
João está bem, so quero que saiba que ele esta fazendo um teste da doença, como uma cirurgia, para ver se ele pode melhorar, é oque esperamos, a e tetrancamos no quarto para ninguém ir te incomodar, na verdade e pra você não sair, João esta em uma pequena situação de risco, e nem uma mosca pode atrapalhar.
-Vit.
Leio o bilhete milhares de vezes antes que eu fixe na minha cabeça que eu estou preso e meu namorado esta fazendo uma cirurgia super importante que tem risco de morte. Tento fingir que está tudo bem, mas não esta, até ontem tudo tinha sido perfeito.
Eu saio do chão e me deito na confortável cama do hospital, olho para o teto, rezando para que essa cirurgia dê certo.
***
Ja era quase quatro horas da manhã e eu ainda não havia saído do quarto, eu não fazia nada, apenas rezava, ia no banheiro, chorava um pouco, comia. Vit deixou uma caixa térmica com comidas de vários tipos, mas eu apenas comi uma fruta durante essas seis horas esperando.
A porta se abre, e vejo o médico entrando no quarto.
-O que aconteceu com ele?
Ele fica alguns segundos em silêncio e fala.
-Ele vai melhorar. 
Começo a chorar, em silêncio, o medico sai do quarto, trancando a porta.
Fiquei chorando ate as nove da manhã, então resolvo dormir, por um tempo.
Acordo as duas da manhã, com as pernas doendo, então resolvo dar uma volta pelo hospital.
Vou ate um lugar, onde tem uma varanda, do terceiro andar, era bem alto.
Olho para baixo.
E se eu pulasse? Será que minha dor pelo João passaria de uma vez?
Alguns minutos pensando bem movo-me para frente da grade, eu ia pular.
Mas, alguns braços me puxam pra trás.
Eu conhecia aqueles braços como ninguém.
Eram os braços do João.
-Não pule amor, eu preciso de você.
***
Joe estavam com aparência normal, tirando sua cabeça, que estava raspada, e com algumas cicatrizes.
Ele me levou para o quarto, para que eu me acalmasse. Então, um medico entrou no quarto, um psicólogo.
Ele diz pra João ir embora.
-Então, Math?
-Sim, eu - digo em um tom triste.
-Tudo bem?
-Sim.
-Me disseram que você andou tentando se matar.
-Sim, e se João não se curar, tentarei de novo.
-Ele vai se curar.
-Prove.
Então, ele anota algumas coisas em um caderno e sai do quarto, sem dizer nada.
Se passa alguns minutos antes de entrar no quarto.
-Oi amor.
Dou um sorriso.
-Não queria dizer isso, mas os médicos decidiram manda-lo para um centro de reabilitação.
-Como?
-Você estava tentando se suicidar, eles te mandarão pra la, pra seu bem.
-NÃO, EU NÃO VOU.
-Math é pro seu bem.
Ele se aproxima de mim e senta no meu colo, beijando me.
-Juro que sempre que acordar eu vou te visitar?
-Onde que é?
Ele aponta pra janela, onde se vê um pequeno prédio cinza, com grades de arame farpado. Parecia uma cadeia.
-E lá, não e muito longe.
-Eu não quero ir - começo a chorar.
Ele começa a fazer uma massagem nos meus ombros, me distraindo.
-Me desculpe math.
Dois guardas entram, um aplica uma injeção em meu pescoço, apagando-me.
***
Acordo em um quarto todo branco, com paredes e chão macios, e uma elevação mais confortável, onde eu estava preso, com correntes em meu pé, e cintos no meu pulso.
Dou um grito, mas parece ser abafado pelas paredes.
Um médico entra.
-Ja acordou?
-E o que parece.
Ele me solta da cama e fala.
-Venha vamos tratar você.
***
Eu havia conversado com pessoas com o mesmo problema que eu, algum amor perdido, ou quase perdido, o psicólogo ao meio da roda, nos motivava, fala frases lindas.
Tudo uma bosta.
***
Acordo de novo no quarto, mas não estava preso, mas não havia nada de novo no quarto, então pude me sentar no meio de tudo, abraçar meus joelhos e pensar.

I been thinking about the nights

Eu estava pensando sobre as noites

And the dangerous tricks

E os truques perigosos

People play on the eyes of the innocent

As pessoas jogam nos olhos da inocência

I can turn a lot of hearts into

Eu posso tranformar um monte de corações em

Breaks with smoke and

Quebrados com fumaça.

 Mirrors disappearing

Espelhos desaparecendo

Right in front of them

O que eu fiz pra parar ali? Eu estava tentando, apenas, aliviar minha dor. Começo a chorar, e tento achar algum jeito de me matar ali mesmo, eu não poderia bater minha cabeça na parede, elas são macias, não fariam efeito nenhum, pensei em minhas roupas, poderia fazer uma espécie de corda e enrolar ao meu pescoço, e é isso que faço, tiro toda minha roupa, e começo a fazer uma corda com ela, faço um nó estranho, que consegue se envolver em todo meu pescoço, começo a puxar o resto da “corda” com o braço, começo a sentir a ausência de ar, e minha visão começa a se embaçar, dou um puxão final antes de apagar.

[João POV]

Mais um grande dia de cirurgias, injeções, testes e exames, tudo aquilo já estava virando um saco, eu havia parado de “morrer”, mas sempre que eu ia dormir, eu tinha algum pesadelo, eu queria apenas Matheus, queria ver ele, ter ele em meus braços, mas era impossível, sempre estou olhando para a janela, vendo o prédio que parecia uma grande cadeia, não tinha janelas, então não podia me comunicar com ele.
-Você vai ficar o dia todo nessa janela? – Era Vit atrás de mim.
-Eu quero Matheus de volta, você não entende, ele e como uma droga pra mim. Estou viciado e preciso mais e mais.
Ela da uma risadinha.
-Você está apaixonado capitão.
-Só agora que você percebeu?
-Não - ela diz rindo.
-Vá tomar um banho Joe, você está fedendo?
-Não consigo tomar banho sozinho, minhas pernas perderam o movimento.
-Eu te ajudo.
-Você está louca? Acha que eu vou exibir meu corpo pra você? Melhore querida.
-Eu sou treinada pra isso querido.
-Mesmo assim, meu corpo não é pra qualquer um.
-Se eu chamar Matheus pra dar banho em você, você vai com força, de perna aberta.
-Eu sou ativo baby.
Ela solta uma gargalhada enorme, o que não me impede de rir também.
-Já sei quem chamar – Digo.
-Quem?
-Damarys Keller, minha amiga.
-Como você confia nela?
-Ela meio que não gosta da minha fruta.
Ela solta uma risada.
***
Havia telefonado para ela, ela chegou em cinco minutos, com seu carro novo, que já tinha uma batida atrás, ela estacionou bem mal e subiu aqui toda bem vestida.
-Oi Joee! – Ela entra gritando.
-Oi Dada!
-Bem, eu tenho que dar banho em você?
-Isso ai.

Jotheus: True LoveOnde histórias criam vida. Descubra agora