-three-

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"Akkun?"
Ele solta minha mão e dá um selar em minha bochecha.
"O que você está fazendo aqui?" perguntou, sentando ao meu lado.
"Fiz alguns comentários para o professor e ele não gostou muito. Ele me levou para a diretoria, e no momento em que ele soltou minha mão, eu corri."
Terminei e olhei para ele. Ele estava segurando a risada.
"O quê? Ele tem uma cara feia e mal-humorada, isso é chato. É chato ver a mesma coisa tantas vezes."
Akkun me olhava confuso.
"A-ah, eu quis dizer, sabe, ele está sempre com a mesma cara," disse, coçando a própria cabeça.
Akkun riu e concordou comigo. Ficamos em um silêncio confortável. Eu poderia salvar Akkun agora que tinha total controle do meu corpo, mas será que isso mudaria algo? Eu poderia voltar à minha vida e sair desse 1º de julho?
Meus pensamentos foram interrompidos pelo sinal. Me despedi dele, que foi encontrar seus amigos, e segui para a cantina comprar meu lanche.
[Quebra de Tempo]
Já estava quase na hora do sinal bater. Recolhi meu lixo e fui para a porta do terraço. No último degrau, acabei esbarrando e caindo em alguém. Me levantei rapidamente, me desculpando com a pessoa.
"Não foi nada, você está bem?"
Olhei para o garoto e, para minha surpresa, era o platinado de antes.
"Sim, estou bem." Fiquei o encarando até que ele quebrou o clima que se formou entre nós.
"Seus comentários sobre o professor de história foram incríveis."
Eu corei na hora, rapidamente dei uma risadinha, e no instante seguinte vi o presidente do Grêmio Estudantil gritando conosco, mandando irmos para a sala.
Chegamos e era a aula de Geografia. A professora era um tanto legal, mas ainda assim eu já sabia do conteúdo, então nem prestei atenção. Fiquei pensando em como salvar Akkun de sua morte.
Eram 15h. Como sempre, eu estava indo esperar Akkun no portão da escola, até que ouvi alguém gritar meu nome. Me virei e vi o platinado, que eu ainda não sabia o nome.
"Posso falar com você?"
"Tenho que esperar meu namorado. Podemos conversar depois?" Eu sabia que não haveria depois. Salvar Akkun era minha prioridade.
"Não dá, eu já esperei tempo demais, e ver você morrer foi a pior coisa da minha vida!" afirmou.
Eu o olhei com uma cara confusa e assustada. Como ele sabia que eu tinha morrido?
Ele agarrou meu pulso com força, me puxando para fora da escola. Paramos bruscamente e ele me abraçou fortemente.
"Eu te amo, [Nome]-san, sempre te amei! Ver vocês morrerem foi a pior coisa do mundo!"
Tentei me soltar de seus braços, mas ele era muito forte e me agarrava como se fosse me perder a qualquer momento.
"Como você sabe que eu morri?" perguntei, depois de desistir de me soltar.
"Eu estou nesse dia repetidas vezes, e eu não posso te salvar dele nunca. Tento me mover, tento te avisar, mas é como se você quisesse mesmo se matar. É como se estivesse esgotada desse mundo," ele disse, tentando segurar as lágrimas.
"Ei, posso saber seu nome?" perguntei, na esperança de quebrar o clima.
"Mitsuya Takashi. Você nunca me notou, eu sei, mas esta é a primeira vez que consigo me mover sem que a linha do tempo me puxe para o que está destinado a acontecer."
Ele afirmou, me soltando de seus braços, e eu vi as lágrimas escorrerem lentamente em sua bochecha.
"Eu sei que você ama o Akkun. Eu só precisava dizer isso, já que eu não posso fazer nada e muito menos fazer você se apaixonar por mim. Eu tentei te tirar daquele lugar, eu não poss-"
Eu o interrompi, selando sua boca em um selinho demorado.
"Se você não calar a boca, eu não consigo pensar," eu disse, e o platinado me olhava surpreso por eu ter feito aquilo.
Pensamento:
"Como ele poderia estar em um loop infinito igual a mim, se a primeira vez que eu o vi foi ontem? É impossível, eu o teria notado. Bom, ontem foi a primeira vez que ele foi para o terraço. E por que diabos ele foi para o terraço naquela hora? Eu não o vi na sala nenhuma vez... Não me diga que ele estava em outra dimensão, e por algum motivo, quando eu tive a chance de me mover e fazer qualquer coisa, acabamos quebrando a linha do tempo, fazendo com que ele pudesse se mover e fazer quaisquer coisas?"
Fim do Pensamento.
"Você me conhece há quanto tempo?" pergunto, fazendo uma cara confusa.
"Desde o 6º ano do fundamental," ele responde, secando o rosto.
"Mitsuya, há quanto tempo você está nesse ciclo, mais ou menos?"
"Não sei direito, é meio confuso, já que não consigo marcar, mas creio que dois anos, mais ou menos." Eu o olhei com uma expressão neutra.
"Como você veio parar aqui?"
"Foi no dia da sua morte," ele respondeu com a voz embargada, prestes a chorar novamente.
"Espera, morte? Mas eu morri uma vez. Tipo, isso é impossível, não é?" perguntei ao menino, e ele já chorava, não se segurava. Então eu lembrei o motivo de ter entrado...
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Me empolguei eu sei perdão mas Jajá sai o próximo cap

Desculpem qualquer erro e obg pela leitura ❤️

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Seu Amor Me Salvou - MITSUYA TAKASHIOnde histórias criam vida. Descubra agora