Assim que entramos na van, o silêncio foi substituído pelo som de equipamentos sendo checados. Cada um buscava seu lugar naquele espaço apertado.
— Para onde vamos exatamente? — perguntei, quebrando o gelo.
— Não ouviu seu tio? — Liz rebateu, sem tirar os olhos de um relatório.
— Não, Elizabeth Webber. Eu não ouvi — respondi com um pingo de sarcasmo.
— Vamos para Carpazinha — Thiago interveio, tentando amenizar o clima.
— E onde fica isso?
— Exato — ele respondeu com um sorriso enigmático. Carpazinha era o tipo de lugar que não aparecia em qualquer mapa.
Tentei focar nos meus novos companheiros. Olhei para o homem robusto ao volante.
— Então, Christopher... você é o pai do César?
— Sim — ele respondeu com uma voz grossa e amigável. — Mas pode me chamar de Tio Cris.
— Mais alguém aqui já se conhecia?
— Eu conheço o Cris há muito tempo. Fizemos missões pesadas juntos — Thiago explicou, antes de completar: — Mas chega de perguntas, querida. Guarde energia para o que vem por aí.
Virei-me para os bancos de trás e notei o rapaz de suéter vermelho. Ele era o único que ainda não tinha dito uma única palavra, observando a estrada com uma calma oriental.
— E você? Como se chama?
— Meu nome é Joui — ele respondeu com um leve sotaque.
— Notei sua pulseira do Japão. Já foi para lá?
— Eu nasci lá — ele sorriu educadamente.
— Que legal... — murmurei, voltando a me sentar corretamente.
— Estamos chegando — avisou Liz. — Preparem-se.
O cenário lá fora mudou drasticamente. Carpazinha tinha um ar pesado; as poucas pessoas nas ruas pareciam carregar segredos sob os casacos. Paramos em frente a um estabelecimento de fachada rústica e nome peculiar.
— "Suvaco Seco"? Que tipo de nome de bar é esse? — indaguei, incrédula.
— Vamos entrar? — César chamou, já saindo da van.
O interior do bar era escuro, cheirando a serragem e álcool barato. Homens de barba longa e jaquetas de couro ocupavam as mesas. No balcão, uma senhora de olhar afiado secava um copo.
— Pois não? O que vão querer? — perguntou ela, a voz rouca.
— Primeiro, o seu nome, minha flor — disparei, tentando ser simpática do meu jeito torto.
— Cala a boca, menina! — Liz me deu um tapa na nuca e me puxou pelo braço. — Eu vou querer um João Daniel, por favor.
— Claro. E a propósito — a mulher me encarou com um brilho divertido nos olhos —, meu nome é Ivete, "flor".
— Já gostei de você, Ivete — sorri, sentando-me ao lado de Liz, que já virava seu uísque. — Quero o mesmo que ela.
Ivete me mediu de cima a baixo.
— Menores não bebem no meu bar. Quantos anos você tem?
— Tenho vinte e dois. — Tirei o RG do bolso e bati no balcão. Ela conferiu com desconfiança antes de ceder.
— Que seja.
Ela preparou o copo com agilidade e o deslizou pelo balcão. Peguei a bebida e fui para uma mesa mais afastada, onde Joui e César logo se juntaram a mim.
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Noites Frias
Fanfiction[seu nome] sobrinha de veríssimo foi convocada para uma missão onde ela irá ser obrigada a voltar para seu passado e conhecendo o amor da sua vida. Sendo reescrita.
