Eram duas da manhã. O silêncio do quarto 11 era pesado, quebrado apenas pelo som da chuva batendo no vidro e pela respiração descompassada de César. Eu não conseguia pregar o olho; minha mente era um carrossel de culpa e preocupação.
Será que eu devia falar com ele?
Não, ele foi rude comigo na floresta.
Mas ele acabou de perder o pai... como eu poderia guardar rancor?
No meio do meu debate interno, uma frequência distorcida ecoou dentro da minha consciência. Uma voz que eu conhecia bem demais.
— Então você finalmente admitiu, não é? — a Voz sibilou, fria como gelo.
— Achei que tinha me livrado de você — respondi em pensamento, cerrando os punhos.
— Eu nunca vou embora. Eu moro nas suas brechas. Sinto cada batida acelerada desse seu coraçãozinho culpado.
— Por que agora? O que eu fiz dessa vez? — questionei, sentindo um calafrio.
— Você verá...
A Voz se calou, deixando um vazio incômodo. No mundo real, um soluço baixo me trouxe de volta. Olhei para o lado e vi César sentado no chão, encolhido ao lado da cama, escondendo o rosto entre os joelhos. Levantei-me sem fazer barulho e sentei ao lado dele. Sem dizer nada, apoiei minha cabeça em seu ombro e comecei a acariciar seus cabelos.
— Por que está sendo legal comigo? — ele sussurrou, a voz rouca de tanto chorar. — Eu fui um babaca com você.
— Porque eu sei exatamente o que você está sentindo, César. De todas as formas possíveis. Está tudo bem — respondi baixinho.
Ele ergueu o rosto, enxugando as lágrimas com a manga da blusa.
— Acho que o Thiago acertou em cheio na minha colega de quarto.
— Para com isso — eu disse, séria.
— Parar com o que?
— De fingir. Você não está bem, e não precisa fingir pra mim.
Levantei-me, apaguei a luz e me deitei na cama, fazendo um sinal para que ele se aproximasse. César hesitou por um segundo, mas subiu na cama e deitou a cabeça no meu peito. Senti sua camiseta encharcar com novas lágrimas enquanto ele finalmente se permitia desabar. Fiquei ali, em silêncio, sendo o porto seguro que ele precisava, até que o cansaço o vencesse.
Quando ele dormiu, saí do quarto com cuidado. Precisava de ar. No corredor, vi Liz caída perto da escada — provavelmente o excesso de álcool a impediu de chegar ao quarto. Passei por ela, saí do hotel e encarei a rua deserta.
Como eu deixei isso acontecer? A culpa me corroía. Entrei novamente, sentindo o peso do mundo nos ombros, e tentei dormir.
O Pesadelo
Eu estava em uma casa familiar, mas distorcida. Papéis voavam por salas bagunçadas, quadros estavam destruídos no chão e o cheiro de ferro impregnava o ar: sangue. Subi as escadas e abri a porta de um quarto específico.
Lá estava o Veríssimo. Ele segurava uma arma, coberto de sangue. Seus olhos eram uma mistura aterrorizante de ódio e pavor.
— Foi quando aquela coisa invadiu minha cabeça... — murmurei no sonho.
— Eu não sou "uma coisa" — a Voz corrigiu. — Eu sou A Coisa.
— Por que me trouxe aqui de novo?
— Para você não esquecer. A dor é o que te mantém viva. E sabe... a Liz guarda uma arma no porta-luvas. Eu não resistiria se fosse você...
O Despertar
Acordei em um salto, suada e com uma enxaqueca lancinante. César ainda dormia profundamente. Levantei-me, tomei um banho rápido para tirar a sensação do pesadelo da pele e saí à procura de Thiago e Liz.
Ao passar pela recepção, o homem atrás do balcão me seguiu com o olhar.
— Bom dia, moça bonita. Se precisar de qualquer coisa... — ele disse com um sorriso malicioso que me deu nojo.
Apenas mostrei o dedo do meio para ele e saí do hotel. Encontrei Thiago na esquina, observando o movimento da cidade.
— THIAGO! — gritei.
— Não precisa berrar, minha querida — ele riu, me analisando. — Você está linda hoje.
— Obrigada — respondi, fazendo uma reverência dramática.
— É para impressionar o César? — ele provocou com um sorrisinho.
— Cala a boca, Thiago!
— Falando nele... — Thiago apontou para a porta do hotel.
César vinha em nossa direção. Ele parecia um pouco mais calmo, embora a tristeza ainda estivesse marcada em suas olheiras.
— Vou lá ver se a Liz sobreviveu à noite. Aquela ali bebeu por três pessoas — Thiago brincou e saiu, dando um tapinha de encorajamento no ombro de César ao passar por ele.
— Oi, César — eu disse quando ele se aproximou. — Como você está?
— Oi, [Seu Nome]... — ele desviou o olhar, parecendo envergonhado. — Aquele cara do balcão... ele fez alguma coisa? Eu vi o jeito que ele te olhou.
— Relaxa, eu sei me cuidar.
— Você foi muito gentil comigo ontem... — ele murmurou, chutando o chão. — Eu realmente não merecia, depois do jeito que agi na floresta.
— Esquece isso. Eu só me importo com você — respondi, abrindo os braços para um abraço.
César aceitou o abraço, escondendo o rosto no meu pescoço por um instante. O clima estava leve pela primeira vez em horas, até que a realidade da missão voltou.
— Vai ficar tudo bem — eu disse, afastando-me um pouco. — Mas ainda temos que falar com o Arthur. Ele viu coisa demais, e se abrir a boca, a Ordem vai ter problemas sérios.
— Você tem razão — César concordou, retomando a postura de investigador. — Vamos resolver isso.
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Notas da escritora
O surto da gataaaaaaaaaaaa
Do nada né famil
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Noites Frias
Fanfiction[seu nome] sobrinha de veríssimo foi convocada para uma missão onde ela irá ser obrigada a voltar para seu passado e conhecendo o amor da sua vida. Sendo reescrita.
