É difícil de acreditar o quão pesado estou nesses últimos dias. Minha respiração anda pesada por causa do carbono acumulado no ambiente e sinto cada vez mais o cheiro de ansiedade e desesperança. Fico triste de terminar o primeiro parágrafo assim.
Minha mente é como uma fita cassete muito retrô que só tinha gravado em seu verso uma música, e de tanto escutar acabei criando um álbum com a letra dela. Todas com um som diferente. O mesmo som que escuto nas festas de finais de ano quando vou mais uma vez acordar de madrugada com suor no rosto e dor na coluna por mais uma noite de sonhos estranhos.
Meu sangue corre entre os papéis e minhas respirações apagam as coisas que não desejo falar. O que se faz nesses tempos? Onde eu estaria se não tivesse reconhecido esse espelho quebrado de dentro pra fora que se chama "Eu"? A caneta em minha mão treme por estar preocupado demais sobre se aquilo que é vivido realmente é digno de ser narrado.
Me engano todas as vezes em pensar que posso esconder essas aventuras. Afinal, a vida é uma delas e a fé é uma loucura. Narrar uma aventura como aquelas de Dom Quixote, um louco aventureiro numa era que não existiam mais cavaleiros como ele. Fez de seu coração latente um acompanhante, e fez-se um com seu objetivo final: amar.
Eu provavelmente ainda escuto a mesma música do início, mas ela está apenas na minha cabeça. Provavelmente eu esteja ficando louco a cada dia que passa, e minha arte vai ficando cada vez mais densa, e ninguém consegue decifrá-la.
Um dia me perguntaram o que era essa "arte", e eu respondi que ela era "A pergunta inicial do Criador e a resposta final do Criação". É um ciclo viciante que apenas vai te dando asas pra nadar em um oceano profundo, e pulmões pra segurar essa vida submersa com um último suspiro, lutando pra não deixar ela ir.
Uma enciclopédia de uma palavra só é formada pelos corações daquele que detestam esse mundo cinza formado pelas mentes fechadas e a frieza da mente dos que estão perdidos. Perdidos dentro de um labirinto de espelho sem saber o que são mediante a todas as coisas lindas deste mundo. Porque a arte está em conjunto com ela.
Ela está em cada parte de mim. De nós.
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O título morreu e eu sinto saudade dele
RandomObrigado por vir até aqui. Daqui em diante seguem todas as cartas que foram escritas a todos mas apenas um saberá para quem ela realmente é destinada. Peço que tenha gentileza ao lê-las, é difícil escrever para as pessoas. Fico feliz de ter você...
