Akatsu.

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Akira

Já é de noite e eu só consigo pensar no quanto eu estou morta. Não literalmente, é como se hoje eu tivesse a oportunidade de renascer, eu aproveitei essa chance. Eu vou ser uma garota feliz, como eu sempre quis ser. Passei toda a minha vida invejando a vida das pessoas ao meu redor, pois algo sempre me convenceu de que a vida de todos, por mais que seja desprezível, conseguia ser muito melhor do que a minha. Viver com esse peso é como se perder no fogo do inferno, e eu sei bem como é.

— Por que insiste em ficar calada, Akira? O gato mordeu a sua língua?

Maggie está o dia inteiro me provocando. Senti mesmo sua falta. Durante todo esse tempo, apesar de serem anos longe, não consegui evitar lembrar de todos os momentos que passamos juntas. Ela é minha única e melhor amiga, e isso nunca mudará.

— Estou apenas pensando!

— O que você conversou com a Cassandra?

— Não foi nada demais! Na verdade, ela foi até simpática!

Maggie se ajeita na cama, me repreendendo com seu olhar.

— Me conte agora o que vocês duas conversaram!

— Mas não foi nada mesmo! — sento na cama, me escorando na parede — ela apenas se desculpou e disse que vai me ensinar algum truque poderoso que eu esqueci o nome!

— Claramente você recusou! — afirma ela. Logo seus olhos se arregalam quando percebe que estou negando com a cabeça — você recusou, não é?

— Não pude recusar! Ela estava sendo gentil!

A garota avança de sua cama, saltando diretamente para a minha. Pegando em minha mão, a mesma me puxa para perto.

— Cassandra é perigosa! Você não pode confiar nela! Claramente ela está enganando você! — grita Maggie, mas logo ela se acalma — não posso deixar isso acontecer!

— Por que ela é perigosa? — pergunto, soltando sua mão da minha.

— Cassandra é uma assassina profissional! Ela nasceu para matar! — conta Maggie — ela vem do clã Nakamura, da Aldeia da Mágoa. Uma aldeia onde as pessoas são como demônios encarnados. São malvados.

— Clã?

— Não seja tapada! — grita ela em meu ouvido — mantenha distância dela e de suas amigas! Elas são armas mortais!

— Está bem! — digo, suspirando.

Maggie dá um beijo em minha testa e logo salta de volta para sua cama, virando para o canto. Quando a mesma dá um simples boa noite para mim, respondo um simples boa noite para ela e viro para o canto também. Tudo que eu mais preciso é descansar.

| NARRADOR

Após quase onze horas de sono, Akira acorda se espreguiçando. Quando olha para o alto, percebe que Maggie já não está em sua cama.

— Akira! Acorda! Acorda!

Aparece Amaya no quarto de Akira, aos berros.

— Você precisa levantar! Agora! — a garota de cabelos castanhos continuava a gritar — AGORA!!!

Akira sequer havia tido tempo de coçar os olhos. Como os gritos incessantes de Amaya não tinham fim, tudo que Akira fez foi levantar de sua cama, ainda desnorteada.

— Vamos!

Amaya pega na mão de Akira, a levando até o corredor. Descendo as escadas rapidamente, as duas chegavam na sala principal, que já estava rodeada com os outros dezenove jovens.

AKIRAOnde histórias criam vida. Descubra agora