Quando o relógio marcou trinta minutos eu desisti de ficar deitado.
Mas não tive coragem de descer, enfrentar todas aqueles desconhecidos sozinho não era uma opção. Andei pelo quarto, me sentei e peguei o celular.
Uma hora depois, ainda estava na mesma posição, meus ossos estalaram quando me levantei e estiquei os braços.
Nem sinal de Lee Felix, mesmo que eu encarasse a porta desejando que ela abrisse e ele entrasse com aquele sorriso que me confortava.
Duas horas depois eu já não tinha entretenimento, meu celular descarregou e eu sentia vergonha de pedir um carregador emprestado.
Também sentia vergonha de descer, pegar meu casaco e ir embora.
Três horas depois ele ainda não tinha voltado mas deixei minha vergonha de lado e desci.
A casa estava silenciosa, caminhei de vagar pra não ser ouvido e assim poder sair sem ninguém notar, mas o homem que lia na sala de estar me notou. Ele ergueu os olhos do livro e ao me ver ergueu uma sobrancelha também.
ㅡ Ainda está aqui, rapaz? ㅡ Não foi uma pergunta grosseira, ele pareceu realmente curioso ao me ver ali parado. ㅡ Achei que Felix não estivesse em casa. Aliás, todos saíram, achei que eu estivesse sozinho.
ㅡ Ele precisou sair e me pediu pra esperar. ㅡ Minha voz saiu um pouco rouca pelas horas em silêncio no quarto. ㅡ Desculpe por incomodar.
Ele fechou o livro que lia após colocar um marcador liso sobre a página e olhou o relógio de pulso.
ㅡ Você esperou bastante. O que foi tão urgente?
Não consegui falar a verdade.
ㅡ Eu não sei.
Ainda parado no meio da sala, esperei ele falar mais alguma coisa mas ficamos em silêncio.
Era constrangedor, eu queria sair mas não sabia se seria falta de educação fazer isso.
ㅡ Felix tem falado muito sobre você. ㅡ Comentou.
Acho que nós dois éramos ruins nesse lance de conversa, o silêncio voltou a reinar. Eu não sabia o que dizer e ele parecia vasculhar a própria mente em busca de algum assunto.
ㅡ Então vocês estão... Você sabe. Juntos, não é? ㅡ O jeito que ele perguntou foi tão engraçado que acabei rindo.
ㅡ Eu não sei. Acho que somos só amigos. ㅡ Dei de ombros. Ele assentiu, pensativo. Entendi de onde veio a tranquilidade de Felix. O pai dele era como a representação da serenidade.
ㅡ Ele nunca trouxe amigos pra almoçar conosco.
ㅡ Ah.
Duas pessoas tímidas mantendo um diálogo, ótimo.
ㅡ Por que não senta aqui e espera por mais dez minutos. Se ele não aparecer eu chamo um Uber pra você. Pode ser? ㅡ O homem sorriu levemente e eu tentei retribuir mas apenas fiz o que ele pediu e me sentei no sofá em frente a poltrona dele.
Tentei ver a capa do livro que ele estava lendo pra tentar criar algum assunto e ao notar, ele o pegou e ergueu para deixá-lo visível.
“O velho e o mar”, Ernest Hemingway.
ㅡ É a história de um pescador que vai ao mar em busca de alguma realização, ele estava muito velho e não tinha mais forças para voltar com a rede cheia como os outros pescadores. Mas ele encontra um peixe que valeria todo esse último esforço e passa dias no mar, por dias ele não desistiu, mesmo com fome, cede e cansaço, o velho pescador continuou tentando.
ㅡ Por quê?
ㅡ Por que você não tentaria?
ㅡ Eu não colocaria minha vida em risco por um peixe.
ㅡ Não era só a vida dele que estava em risco, Changbin. Era seu orgulho de pescador. Aquele peixe se tornou uma meta que ele almejou no instante em que percebeu que era um desafio.
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i wish i were heather.
Fanfictionchang + lix | baseada em "heather" do conan gray "por que você me beijaria? eu não tenho nem metade da beleza dela, você deu a ela o seu casaco, é só poliéster, mas você gosta mais dela. eu queria ser a heather. "
