[ Capítulo 6: Senhor Jeon.]
Entre altas cantadas de pneu e corações repletos de dúvida, JungKook e Nero logo chegaram na grande casa da família. O alfa mais novo olhava o relógio com alívio, agradecendo por ter nada mais que sete minutos de atraso. Não era o ideal mas era melhor que nada.
Recuperando o fôlego e se soltando do sinto de segurança - que por alguma razão parecia ridiculamente longo hoje - ele corria em direção a porta, vendo que virando a esquina estava a lamborguini branca de vidros completamente negros ao qual sabia que seu pai estava dentro. O jovem correu o máximo que pode ate chegar ate a sala de jantar, nem se importando se sua mochila, celular e afins ainda estavam dentro de seu carro.- JungKook? Filho que cara é essa? Posso sentir Nero chorando. - Sua doce mãe lhe perguntou com um par de olhos em um verde tão límpido que lembravam as esmeraldas mais bem polidas. Sentiu sua garganta fechar com as perguntas de sua mãe, sentiu seu lobo chorando de verdade e por um segundo quis muito se jogar nos braços de sua mãe e se esconder do mundo como um filhote assustado e frágil. - Meu amor... - Ela levantou de seu assento, passando os braços pelo filho e lhe apertando fortemente sobre o corpo. O Jeon mais novo até deixou pequenas lágrimas rolarem seu rosto, até se dar conta que não sabia o motivo delas, ou porquê elas lhe importam tanto.
- Vanilla... - O menino murmurou, talvez sobre a influência de seu lobo, talvez tentando raciocinar por si mesmo. Não sabemos. Apenas que meio segundo depois um grande homem alfa passou pelo batente da porta, o mundo parecendo pequeno perante sua presença, os olhos vermelhos caçando ameaças e ataques. Quase um homem que fareja sangue em meio a dias ensolarados.
Veja bem, JungKook não odiava o pai, mas definitivamente não amava. Ele não passava muito tempo em casa e quando estava era dormindo com muito cansaço das viagens de trabalho ou tentando deixar sua mãe entretida. Ele não sabia ser pai, verdade seja dita, não sabia dar carinho ou ser acolhedor. Era protetor, mas não significa que protegido seja o mesmo que acolhido.
Não era sempre que lembrava que ele existia, muitas vezes esquecia seu nome. Era como uma visita. Ele vinha, passava alguns dias, tinha conversas superficiais consigo, saia com sua mãe e depois voltava para Milão. Por um tempo achou que ele tinha outra família ou uma amante, mas a marca de sua mãe seguia belíssima e intacta assim como a dele. Ele não era um canalha, apenas viciado em trabalhar.
- Jungkook? O que isso? - Ele falou com a voz grossa e com um sotaque de que nasceu na Itália, seu lobo angustiado por ver seu filhote tão triste. Senhor Jeon tinha apenas a família do pai coreanos, tanto sua vida como seu nome eram italianos.
- Não fale tão alto, Giuliano! - A ômega disse irritada por ver o marido gritando quando seu filhote estava claramente magoado. - Nero, meu amor, o que houve? - JungKook não deixou seu lobo tomar conta de si, mas lembrava com perfeição dos olhinhos cor-de-rosa assustados em sua direção. Os olhos negros do menino enchendo de água por uma razão que não conhecia, sendo apenas a dor de seu lobo transparecendo sobre si. - Ei, calma, meu bem. Mamãe esta aqui. - Senhora Jeon passou os braços pelo corpo do filho, deixando que ele pudesse escutar seu coração batendo para acalmá-lo. Ela mesma sentindo dor por ver seu bebê daquele jeito.
O alfa mais novo não era um mal menino, talvez muito mimado e até egocêntrico, mas um bom menino. Desde novo tinha problemas para se relacionar com as pessoas desde que seu filho caçula havia morrido. Mas o que podia fazer? JungKook se recusava à ter tratamento psicológico e quando foi obrigado ele ficava quieto apenas esperando a hora passar.
Aos poucos as lágrimas paravam de rolar pelo rosto de marfim, restando apenas um menino em seus quase 18 anos abraçado na mãe com grande dor no peito e fungando vez ou outra enquanto respirava. Seu pai se aproximou e tocou seu ombro como forma de demonstrar apoio, expelindo sua presença e realmente feliz por ver o filho relaxar de alguma forma.
Não o entendam mal, Giuliano amava o filho e a esposa mais que qualquer coisa, mas não sabia ser tão carinhoso ou puxar uma conversa com o filho. Jungkook não era mais uma criança que lhe via como herói, que achava o pai tão incrível quanto o homem de ferro e Senhor Jeon não gostava de pensar que em 10 anos esteve tão longe da família.
- Eu... Me desculpa. - O adolescente soltou o corpo da mãe e terminou de enxugar os rastros de lágrimas. Respirando fundo e lento ele se virou para ambos os pais, vendo seus rostos preocupados e que esperavam alguma explicação. - Eu posso pular o almoço? Me sinto... Cansado.
‐ Claro, meu bem. Durma um pouco, eu subo pra te ver daqui a pouco. - A ômega disse com um olhar compreensível e carinhoso enquanto passava as mãos pelos cabelos levemente bagunçado do filho. Ela beijou a testa do filho e viu em silêncio ele dirigindo-se até a escada, seus ombros caídos em fadiga e seu lobo amuado.
- O que foi isso? Qual foi o problema? Ele nunca chora. - Giuliano sentou-se a mesa junto da esposa, preocupado com o emocional do adolescente e vendo a face triste da esposa. Os dois começaram a se servir, a ômega ainda muito quieta e pensativa.
- Eu acho que ele foi rejeitado. - Mei disse ainda pensativa. Podia parecer um pouco improvável pensando em como ele estava hoje pela manhã.
- Rejeitado? Você mesma me disse que ele agia como um gigoló, como ele pode estar tão mal com isso? - O alfa comentou enquanto lutava para conseguir usar os hashis.
- Eu acho que ele encontrou um parceiro Lúpus, querido. E deve ter feito algo para Nero achar que foi rejeitado, mas eu não tenho ideia de se ele sabe disso ou quem quer quê seja Vanilla.
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Louco por Ele.
FanfictionÉ mais do que clichê um alfa e um ômega se esbarrarem e ali nascer o amor. Mas e se nascesse o ódio? Amor é algo imprevisível de mil e uma formas, a prova disto é que ele pode vir a nascer do mais profundo ódio.