Capítulo 1

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Emily Osíris.

Seis meses atrás...

A porta de ferro se abre e vejo um segurança trajado com um uniforme azul entrando na pequena sala, onde eu estava esperando há quase duas horas. Me levanto da minha cadeira, quando vejo quem realmente vim visitar adentrando a sala pequena e sufocante.

A primeira coisa que noto, depois de quase três anos, é como Thomas parece diferente do garoto que tremia ao me tocar. Seus olhos verdes se fixam em mim e posso ver cada um dos sentimentos intensos que suas irís refletem, mas o mais forte de todos é e, sempre será, a dor.
A segunda coisa que noto, é como meu corpo ainda reage a sua presença e como eu ainda me sinto trêmula e perdida, ao ser alvo de seu olhar gélido e doloroso. Eu desvio o olhar do seu, porque ainda sou uma covarde.
Nada nunca vai mudar isso.
Noto que seu corpo está mais forte e musculoso do que eu me lembrava, e mesmo aquele macacão laranja, consegue deixá-lo bonito.
Irritantemente bonito.

- O que está fazendo aqui? - Fecho os olhos, ao ouvir sua voz rouca, que ainda tem a capacidade de fazer cada parte do meu corpo se arrepiar.

Eu amava sua voz.
Sentia falta de ouvi-lo sussurrar contra os meus cabelos, me embalando em seus braços antes de dormirmos.

O silêncio se estendeu pela sala, sendo quebrado apenas pelo som das algemas sendo retiradas de seus pulsos pelo homem alto e careca, que permanecia no local. O guarda o mandou sentar e o prendeu novamente, dessa vez à mesa de ferro. Eu odiava vê-lo daquele jeito, pois me lembrava que sua própria mente já era uma prisão para Thomas.

Tinham sido ordens do governador tudo aquilo. Thomas era tido como um preso de segurança máxima. O homem que havia tomado para si a responsabilidade de ser meu tutor e de Lilith só tinha me permitido tirar Thomas da solitária para me ver, e mesmo assim, ele deveria estar algemado o tempo todo. Tinha dito que era besteira. Ele nunca me machucaria.

"A cadeia muda um homem, Emily."

Foi o que o Castelli disse quando o questionei se era realmente necessário. Havia uma certeza em sua fala que me fazia sentir que ele entendia do assunto, talvez, melhor do que ninguém.

Me sentei novamente na cadeira de ferro, soldada ao chão. Provavelmente, para que os detentos não tentassem matar ninguém durante as visitas particulares. Eu não me importava.
Levantei o olhar e corei, ao notar que seus olhos ainda estavam presos em mim e que ele mal piscava.

-- O que está fazendo aqui, Emily? -- Repetiu a pergunta, mas dessa vez eu não fugi.

Pigarreei e coloquei minhas mãos entrelaçadas sobre a mesa.
Eu já tinha 20 anos. Não era mais uma garota medrosa que achava que estava fazendo o bem quando, na verdade, só feria aqueles que amava.

-- Eu vim conversar com você.

Thomas inclinou o rosto para direita, me analisando minuciosamente, sem deixar nada passar. Notei quando seu olhar parou no pequeno decote da minha blusa e então fez uma careta de nojo, antes de desviar a atenção para o meu rosto. Eu senti aquilo afundar em meu coração como uma adaga afiada e mortal. Senti que aquilo poderia me matar.
Três anos.
Haviam se passado três anos.

-- Eu avisei que não queria receber visitas. -- Encarou as algemas ao redor de seus pulsos. -- Me disseram que era o meu advogado. Não quero ver ninguém.

Ele me olhou novamente e sorriu.
Meu pulso acelerou com aquele sorriso, pois, por um segundo, parecia que estávamos bem. Tudo sempre ficava bem quando Thomas sorria.
Mas agora não estava nada bem.

-- Com que transou para estar aqui, Emily? — Suas palavras sujas e encharcadas de mágoa atingiram meu estômago, me fazendo ter vontade de vomitar. -- Você deve ter feito algo para estar aqui.

Tentação ProfanaOnde histórias criam vida. Descubra agora