ZOE
Desço para a cozinha e estranho ao ver Lana sentada à mesa, com a cabeça baixa, parecendo alheia a tudo ao redor.
— Bom dia. Me desculpa pelo atraso. — digo, puxando uma cadeira para me sentar.
Ela levanta os olhos lentamente e força um sorriso educado.
— Bom dia, Zoe. O nosso senhor mandou mensagem pedindo para deixarmos você dormir até mais tarde.
— Já comeu?
— Sim. Fique à vontade para fazer sua refeição.
— E a Valentina?
— Já subiu.
Encho um copo com suco de laranja fresco e, ao dar o primeiro gole, percebo o quão faminta estou. A sensação de vazio no estômago combina com a ansiedade que ainda me percorre após a noite passada.
— Como foi ontem? — Lana pergunta com voz neutra, evitando meu olhar.
— Incrível. — respondo com sinceridade, sentindo um leve calor subir pelas bochechas.
Ela me encara por alguns segundos, mas logo desvia o olhar. Há algo em sua expressão... parece distante, como se estivesse presa em lembranças que prefere esquecer.
— Quanto tempo você está com o Santiago? — pergunto, tomada por curiosidade.
— Já tem sete anos. — responde em tom baixo.
— É muito tempo...
— Sim. — seu olhar ainda vago, como se falasse de outra vida.
— E Valentina?
— Há quatro anos.
— Você é feliz? — não consigo conter a pergunta. Há algo na tristeza silenciosa de Lana que me inquieta.
Ela demora alguns segundos para responder. Seus olhos se voltam para a mesa como se procurassem coragem entre as migalhas de pão.
— Sou eternamente grata por tudo que ele fez e faz por mim. — diz, quase como se recitasse uma frase decorada.
— Mas não foi isso que eu perguntei. — sussurro, atenta ao modo como ela evita a verdade.
— Eu sou feliz. — repete, mas seus olhos desmentem cada palavra.
Senti um aperto no peito. Aquela mulher não parecia feliz. Não de verdade. Mas não insisto. A última coisa que quero é colocá-la contra a parede.
— Fico feliz por ter você aqui. Se não fosse, eu estaria completamente sozinha. Sem ninguém para conversar. — admito.
Ela sorri, dessa vez um pouco mais sincera.
— Se algum dia não me ver por aqui, sinta-se à vontade para ir até o meu quarto, Zoe.
— Obrigada. — retribuo o sorriso com leveza.
— Esqueci de avisar: amanhã iremos ao médico.
— Por quê? — pergunto, surpresa.
— Você precisa começar a tomar anticoncepcional.
— Eu tomava quando estava em casa.
— Pois precisará retomar. — afirma com suavidade.
— Foi você quem deixou as pílulas no meu quarto?
— Sim. Apollo trouxe e pediu para que eu entregasse.
— Santiago mandou?
— Sim. Mas... Zoe, você precisa começar a chamá-lo de "senhor", e não pelo nome.
VOCÊ ESTÁ LENDO
MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )
RomanceSe você está esperando um romance bobinho... melhor parar por aqui. Essa não é uma história de flores e chocolates. É um pacote completo de insanidade - e prazer. O mocinho? Santiago Holloway. Intenso, caótico e perigosamente viciante. E a mocinha...
