DEZ

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ZOE


Desço para a cozinha e estranho ao ver Lana sentada à mesa, com a cabeça baixa, parecendo alheia a tudo ao redor.

— Bom dia. Me desculpa pelo atraso. — digo, puxando uma cadeira para me sentar.

Ela levanta os olhos lentamente e força um sorriso educado.

— Bom dia, Zoe. O nosso senhor mandou mensagem pedindo para deixarmos você dormir até mais tarde.

— Já comeu?

— Sim. Fique à vontade para fazer sua refeição.

— E a Valentina?

— Já subiu.

Encho um copo com suco de laranja fresco e, ao dar o primeiro gole, percebo o quão faminta estou. A sensação de vazio no estômago combina com a ansiedade que ainda me percorre após a noite passada.

— Como foi ontem? — Lana pergunta com voz neutra, evitando meu olhar.

— Incrível. — respondo com sinceridade, sentindo um leve calor subir pelas bochechas.

Ela me encara por alguns segundos, mas logo desvia o olhar. Há algo em sua expressão... parece distante, como se estivesse presa em lembranças que prefere esquecer.

— Quanto tempo você está com o Santiago? — pergunto, tomada por curiosidade.

— Já tem sete anos. — responde em tom baixo.

— É muito tempo...

— Sim. — seu olhar ainda vago, como se falasse de outra vida.

— E Valentina?

— Há quatro anos.

— Você é feliz? — não consigo conter a pergunta. Há algo na tristeza silenciosa de Lana que me inquieta.

Ela demora alguns segundos para responder. Seus olhos se voltam para a mesa como se procurassem coragem entre as migalhas de pão.

— Sou eternamente grata por tudo que ele fez e faz por mim. — diz, quase como se recitasse uma frase decorada.

— Mas não foi isso que eu perguntei. — sussurro, atenta ao modo como ela evita a verdade.

— Eu sou feliz. — repete, mas seus olhos desmentem cada palavra.

Senti um aperto no peito. Aquela mulher não parecia feliz. Não de verdade. Mas não insisto. A última coisa que quero é colocá-la contra a parede.

— Fico feliz por ter você aqui. Se não fosse, eu estaria completamente sozinha. Sem ninguém para conversar. — admito.

Ela sorri, dessa vez um pouco mais sincera.

— Se algum dia não me ver por aqui, sinta-se à vontade para ir até o meu quarto, Zoe.

— Obrigada. — retribuo o sorriso com leveza.

— Esqueci de avisar: amanhã iremos ao médico.

— Por quê? — pergunto, surpresa.

— Você precisa começar a tomar anticoncepcional.

— Eu tomava quando estava em casa.

— Pois precisará retomar. — afirma com suavidade.

— Foi você quem deixou as pílulas no meu quarto?

— Sim. Apollo trouxe e pediu para que eu entregasse.

— Santiago mandou?

— Sim. Mas... Zoe, você precisa começar a chamá-lo de "senhor", e não pelo nome.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora