NOVE

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SANTIAGO


Eu estava sentado diante do computador no meu escritório, tentando consertar os problemas que Raphael tem causado. Ter um filho que age como um adolescente mimado é um peso que me arrasta para o fundo do poço. Poucas pessoas sabem dos detalhes, e o fato de ele não querer morar comigo — nem sequer no Texas — ajuda a manter tudo longe dos olhos alheios.

— Aqui está. — Jaxson largou uma pasta pesada sobre a mesa.

Não levantei o olhar, mostrando minha indiferença.

— O que é isso?

Ele sorriu, como se já soubesse que agora eu ia prestar atenção.

— Tudo sobre sua nova garota.

Franzi o cenho.

— Quem mandou você investigar ela?

— Ninguém. Fiz por conta própria.

— Como conseguiu essas informações?

— Ser da polícia ajuda, né?

Fitei Jaxson por um momento. Ele é meu amigo, mas às vezes me irrita profundamente com essa mania de se meter onde não foi chamado. Só deveria recolher informações quando eu pedir — e eu não pedi para ele investigar a Zoe. Quero que ela me conte tudo, pessoalmente.

— Seria bom você ler.

— Não quero.

— É importante.

Suspirei, perdendo a paciência.

— Você leu tudo?

— Li.

— Se é tão importante assim, por que não me conta?

Ele cruzou os braços, firme.

— Você precisa ler, não vou entregar o resumo.

— Certo. — Guardei a pasta na gaveta. — Lerei quando der.

Jaxson mudou de assunto.

— E quanto à Alba?

Fiz um gesto impaciente.

— O que tem ela?

— Como está?

— Está... bem.

Alba virou um problema constante. Ela não me quer, e eu não a quero. Mas prometi ao pai dela que me casaria com ela — e vou cumprir, custe o que custar. Mesmo que ela prefira se matar a me amar. Já tentou duas vezes.

Tive que colocar seguranças no apartamento dela para garantir que tome os remédios e não se machuque.

— Você não precisa se casar com ela.

— Vou. Fiz uma promessa.

— Acha que Alba será uma boa mãe para Raphael?

— Alba não tem nada a ver com a criação do meu filho. Ele não é mais um bebê.

— Ela vai se tornar a mulher da casa, vai querer mandar.

— Esquece Alba. E Raphael? Ele não quer voltar para cá.

Massageei as têmporas, tentando afastar a dor de cabeça que se instalava.

— Tive uma noite ótima ontem, não quero perder meu humor com essas bobagens.

Jaxson sorriu maliciosamente.

— E com a menina? Como foi?

— Muito bom.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Onde histórias criam vida. Descubra agora