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Enquanto ainda estava caída no chão, toda machucada e sem nenhuma esperança de sobreviver, me passava um filme sobre todo o que vivemos e sobre o quanto essa mulher cuidou de mim, o quanto ela zelou por cada um de nós, inclusive com as pessoas que nos fizeram tudo isso... Como podem não ter amor ao próximo a esse ponto?

Todo mundo passava pelo local, mas ninguém parava para ajudar, ninguém ao menos voltava o seu olhar sobre nós, parecia que nada disso estava acontecendo, que não havia uma mulher morta caída na calçada. Heis que então um carro para na rodovia, e então vejo aqueles olhos, aqueles lindos olhos, o homem que me estava a me alimentar nas últimas semanas.

Ele rapidamente desceu do carro e me pegou em seu colo, me colocou no banco do carona e as lágrimas escorriam pelo meu rosto se juntando ao sangue dos ferimentos.

— Mama, mama, mama... — Eu falava e ele parecia me entender, adormeci quando o via colocando no banco traseiro.

(...)

Quando acordei, me deparei com algumas pessoas vestidas de branco rodeando a minha maca e na maca ao lado estava a Mama.

— Ghru... — Era o som que saía quando eu tentava falar, nada além disso saía da minha boca por conta dos respiradores que estavam inseridos em meu rosto.

— Calma Suzan, a mamãe está do seu lado, tudo vai ficar bem! — Uma mulher linda, mas que aparentava ser apenas um pouco mais velha do que eu me falava enquanto fechava os meus olhos.

(...)

Todas as vezes em que por ventura eu abria os meus olhos, ele estava lá, apesar de não saber o seu nome, eu sabia que o conhecia.

- Shhh... Fica calma meu amor, tudo logo ficará bem, você é forte, você é capáz! - O rapaz falava enquanto acariciava o meu rosto.

— Robby, vá se alimentar, eu cuido dela! — Uma mulher de voz familiar falava.

Eu precisava abrir os meus olhos para saber se eu estava a sonhar, e não, eu não estava, era a Mama! Rapidamente lágrimas de alegria tomaram conta do meu rosto quando eu a vi ao meu lado, sentada em uma poltrona, toda limpinha, com os seus longos cabelos presos e aparentemente sem nenhum arranhão.

— Você salvou a minha vida, minha garotinha, descansa. — Ela falava enquanto secava as minhas lágrimas e eu via as dela rolarem por seu rosto.

Eu passei aquela noite inteira a admirando e pensando quanto tempo eu estava ali, como a Mama já havia se recuperado se eu ainda estava deitada naquela maca sem ao menos poder falar...

— Eu sei que estás se questionando sobre tudo isso, mas amanhã, quando completar os seus 18 anos, irá entender que todo o seu caminho foi predestinado para que hoje estivesse aqui, eu te amo! - A Mama falava enquanto eu apenas chorava e concordava com a cabeça.

Eu não tenho ideia de como isso aconteceu sem que eu acordasse, mas eu estou muito bem vestida, limpa, com os meus cabelos penteados e bem perfumada.

(...)

— E a Suzan? — Perguntou o Robby.

— Ela acaba de pregar seus olhos para dormir senhor, pedi que descansasse, pois amanhã será um grande de dia e ela terá que estar pronta para assumir tudo o que por direito é seu!

— Perfeito, você conviveu muito tempo com ela, sabe o que eu poderia lhe dar para lhe agradar logo quando acordar? — Falou com um olhar meio tímido.

— A menina não teve muito nessa vida, sempre se encantava com homens românticos que passavam com buquê de rosas nas mãos, dizia que um dia alguém a amaria a ponto de lhe presentear com algo tão puro. — Falou em um tom sugestivo.

— Anotado, amanhã ela receberá não apenas a vida eterna, mas também ganhará flores e bombons.- Falou confiante, com um sorriso no rosto enquanto caminhava até a saída do quarto.

— Ai, ai KKKK, esses jovens... — Pensou alto a Mama.

De todos os sonhos da minha vida, aquele parecia o mais lindo, eu estava com um longo vestido vermelho, ao meu lado estava o moço bonito e nos anunciavam no palco a frente do salão, eu não sabia o que estávamos recebendo, mas via em nossos olhares o quão gratos estávamos por isso, eis que então, ele se levanta, me estende a mão para que pudesse levantar me dá os braços e vamos juntos até o local de destaque. Todos pareciam nos admirar, era possível enxergar lá de cima cada pessoa que cuidava de mim neste quarto, incluindo a Mama que estava em um cantinho chorando e nos aplaudindo. O homem a nossa frente me entregou o microfone e sem delongas eu discursei algo, e o rapaz parecia orgulhoso, não retirava o sorriso do seu rosto nem por um segundo, foi então que finalizei o meu discurso e fui surpreendida por um beijo dele. O que? Que sonho louco é esse?

O sonho continuou, após esse inesperado beijo, todos estavam a nos parabenizar por nossos feitos, eu ainda não sabia do que se tratava mas estava muito grata por cada palavra, fui cumprimentando a todos até chegar nestas pessoas das quais cuidam de mim todos os dias, chegando lá a senhora bonita que disse ser minha mãe falou:

"Vá, querida! O carro está a sua espera!"

Apenas sorrindo a ela fui em direção ao carro, lá um motorista abriu a porta para mim e para o Robby, nos sentamos um ao lado do outro enquanto ele acariciava os meus cabelos, tudo parecia muito perfeito, até que por um instante perdi o ar, comecei a sufocar e quando me dei por conta estava acordando, todos estavam me rodeando na maca, eu ainda estava tentando processar tudo o que estava acontecendo, eu não me sentia mais eu mesma, algo gelado corria por minhas veias, sentia o meu corpo inteiro pulsando e em um fração de segundos comecei a me sentir forte. Percebi que os equipamentos que me mantinham viva já haviam sido removidos, foi então que eu questionei:

— Mama, o que está acontecendo comigo? Quem são essas pessoas? - Estava muito confusa e falava rápido demais

Alguém tentou me tocar e então eu o empurrei, não sabia que possuía toda essa força.

— Perdão, eu não quis, eu não queria... -Falei tentando me justificar.

Neste momento adormeci novamente e apenas senti os braços de alguém me apanhando para que não caísse no chão.

Suzan KylerOnde histórias criam vida. Descubra agora