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O quarto era pequeno, iluminado apenas por uma luz fria e artificial, o típico ambiente de hospital. O cheiro de desinfetante impregnava o ar, misturado ao leve aroma das flores que decoravam o criado-mudo ao lado da cama. O monitor cardíaco emitia um bip ritmado, preenchendo o silêncio com uma presença constante, quase monótona.

Na cama, um jovem de aparência frágil estava deitado, os cabelos desgrenhados e a pele pálida contrastando com os fios escuros sobre o travesseiro. Seu peito subia e descia lentamente, mas seus olhos continuavam fechados, selados por um sono forçado que já durava quase uma década.

Do outro lado da sala, próximos à porta, um médico e uma enfermeira conversavam em tons baixos.

— O que aconteceu com esse garoto? — perguntou o médico, folheando o prontuário com uma expressão curiosa, mas sem demonstrar empatia.

A enfermeira hesitou por um instante antes de responder:

— Parece que ele foi atropelado por um trem. Mas o mais impressionante é que sobreviveu.

O médico arqueou as sobrancelhas, interessado.

— Atropelado por um trem? Isso não deveria ser fatal?

— Sim. Todos se perguntam como ele ainda está vivo. Quando chegou aqui, estava à beira da morte.

— Qual o nome do paciente?

— Takemichi Hanagaki. Ele entrou em coma logo após o acidente.

O médico virou mais algumas páginas do relatório antes de continuar.

— Alguma outra complicação além do coma?

A enfermeira suspirou.

— Ele ficou paralítico. E quase perdeu a visão completamente.

O médico apertou os lábios, assimilando a informação.

— Por quanto tempo ele está assim?

— Nove anos. Descobrimos que antes disso, ele se envolveu em uma briga de gangues. Seus amigos morreram nesse incidente. Ele foi o único sobrevivente.

O silêncio se instalou brevemente entre os dois, mas logo foi interrompido por outra pergunta do médico.

— Algum parente o visitou nesse tempo?

A expressão da enfermeira se tornou sombria.

— Não... — ela começou, a voz carregada de algo parecido com tristeza. — O pai dele também entrou em coma, e a mãe... ela perdeu completamente a sanidade.

O médico levantou o olhar.

— O que aconteceu com a mãe?

A enfermeira umedeceu os lábios antes de continuar:

— Ela... começou a matar homens bonitos.

O médico franziu a testa, surpreso.

— O quê?

— Parece que ela queria uma cópia do marido. O estado dele era crítico, e ela sabia que a qualquer momento ele poderia morrer. Então, ela começou a procurar alguém que se parecesse com ele. Mas nunca encontrou.

A enfermeira fez uma pausa, desviando o olhar para o jovem na cama, antes de concluir:

— No fim, ela tirou a própria vida.

O médico manteve o olhar fixo no prontuário, sem dizer nada.

— E o mais perturbador... — a enfermeira continuou, quase sussurrando — ... a primeira pessoa a encontrar o corpo foi Takemichi.

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