Prólogo

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Esse era o nome tatuado em meu antebraço. Nada de nomes bonitos para mim, Papa dizia que eles era irrelevantes e eu aceitei.

Papa estava certo. Ele sempre estava certo.

Era o que sempre me diziam, e ele mesmo sempre reforçou que eu deveria confiar em suas palavras. Papa só queria o melhor todos nós e eu não podia me dar o luxo de pensar o contrário.

Quando fiz doze anos ele disse que estava na hora de deixar meu cabelo crescer, e logo estranhei o tufo laranja que começou a aparecer. Ele também disse que eu estava pronta para aprender sobre o mundo exterior e me mandou para outro laboratório, longe de meus irmãos e irmãs. Eu não queria deixá-los, mas Papa disse que eu estaria de volta em um piscar de olhos.

Descobri, então, que um piscar de olhos pode demorar mais do que imaginamos. No laboratório de Illinois aprendi a escrever, a falar diferentes línguas, assistia documentários e séries de televisão. Meu cabelo cresceu e se tornou bonito, o tipo de cabelo que vi nas séries e descobri serem aprovados pela sociedade.

Eu ainda não sabia porque Papa havia me mandando pra cá e porque eu deveria aprender essas coisas. Parte de mim apenas queria voltar a brincar na sala do arco-íris, mas outra também gostava de assistir os novos episódios de Mulher-Maravilha às quintas-feiras.

A única coisa que eu nunca tive foi um nome além daquele tatuado no interior do meu braço. Papa dizia que aquilo era o suficiente e eu, novamente, acreditei nele.

Um ano se passou, meu cabelo já estava abaixo do queixo. No segundo ele chegou na altura do ombro e no terceiro, ele já chegava na cintura. No quarto ano, ele havia atingido a altura do quadril.

Foi quando papai voltou.

Naquele dia, os treinamentos estavam intensos. Além de aprender química, física e matemática, também tinha aula para monitorar e aprender a controlar meus poderes.

Alguns dias eles apenas pediriam para levitar algumas coisas, outros eles atirariam em mim ou avançariam em minha direção com facas. Eu não sabia naquele momento, mas Papa estava me treinando para ser uma arma, combinando habilidades de combate com meus poderes meta-humanos.

Não havia um dia que eu saísse sem algum roxo ou rastro de sangue quando as aulas eram corporais. No dia em que Papa apareceu para me levar de volta, eles haviam escolhido facas enquanto eu estava desarmada.

Defendi os primeiros cinco golpes com facilidade. Um guarda havia sido jogado contra a parede enquanto o outro estava desmaiado no canto da sala, mas o terceiro era o maior além de ser o mais forte e rápido.

Eu nunca consegui derruba-lo, mas naquele dia havia acordado com a esperança de conseguir tal feito. A esperança havia sumido no momento que ele me deu uma rasteira e senti a dor da minha cabeça atingindo o chão.

Mal tive tempo de admitir a derrota quando vi uma faca vindo em minha direção. Levantei às mãos vendo o objeto parar a milímetros do meu rosto.

Respirei com dificuldade pelo susto e vi o guarda que segurava a faca me direcionar um sorriso diabólico. Algo dentro de mim me avisou que, se tivesse a oportunidade, ele teria colocado aquela faca no espaço entre meus olhos.

A porta se abriu e eu me levantei com dificuldade, sem ajuda alguma do babaca que havia me derrubado. Levantei o olhar limpando o sangue que escorria pelo canto da boca, qualquer tipo de dor sumiu quando vi a cabeleira branca bem conhecida por mim.

— Papa! — corri em sua direção, esquecendo a dor que sentia pelo corpo. O abraço frio de Brenner foi a primeira pista de que algo estava errado.

— Five, você cresceu. — falou e eu sorri assentindo. — Infelizmente, não estou aqui em bons termos. Precisamos conversar.

E foi aí que o problema começou.

005 - Stranger ThingsOnde histórias criam vida. Descubra agora