001. O Massacre na Sala do Arco-Íris

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ELGIN, ILLINOIS.

As imagens continuavam rodando em minha cabeça mesmo depois de uma soneca forçada por um sonífero que eu imaginava ser potente o suficiente para derrubar um cavalo. O teto branco continuava manchado de vermelho pelas imagens que Papa havia me mostrado.

E mais uma vez as lágrimas surgiram em meus olhos enquanto repassava tudo que havia acontecido duas horas atrás antes de acordar na enfermaria com uma mala de roupas já pronta.

— Você evoluiu muito, tenho recebido seus memorandos. — seu sorriso era quase orgulhoso. Ele colocou as duas mãos em meus ombros. — Estou muito feliz, Five.

Ele havia me guiado a uma sala que os cientistas sempre me alertaram a não cruzar as portas, agora eu sabia que era o escritório do papai quando ele vinha para Elgin. Ele nunca apareceu nesses quatro anos, essa deve ser a resposta para uma sala tão vazia quanto aquela: somente uma mesa com sua cadeira de um lado e duas poltronas no outro.

Na mesa haviam apenas um telefone e uma pasta dizendo "CONFIDENCIAL".

— Isso quer dizer que posso voltar ao laboratório de Hawkins? — perguntei vendo seu rosto endurecer. A preocupação me atingiu como uma parede de tijolos. — Disse que não veio em bons termos, o que aconteceu?

— De fato, as notícias que trago não são boas. — ele circundou a mesa e se sentou em sua cadeira. Parecia desconfortável, mas indicou a poltrona para que eu sentasse. — E você já está grande o suficiente para saber a verdade, Five. Por favor, abra a pasta.

Algo em seu tom sombrio me fez não querer abrir a pasta e encontrar o que quer que houvesse lá. Algo me dizia para dar as costas e voltar a levar socos no treino, mas ignorando esse aviso, deixei com a curiosidade me consumisse e me aproximei, deixando que meus dedos trabalhassem para desamarrar o laço.

Assim que abri, as imagens do que eu poderia chamar de massacre fizeram com que eu perdesse todo o ar em meus pulmões. Ainda assim eu não consegui parar de olhar as crianças mortas que eu convivi por tanto tempo.

Three, Four, Seven... Todos mortos com seus olhos arrancados do rosto, seus corpos virados em ângulos esquisitos. Sangue estava espalhado por todos os lados, manchando o lugar onde passei toda a minha infância.

Eu queria parar de olhar, mas minhas mãos continuaram a se mexer sozinhas. Meus olhos não se desviavam das mortes registradas em minhas frente, ficando cada vez mais aterrorizada. Quando cheguei a última foto, a mesa começou a tremer enquanto minhas mãos traziam a imagem para mais próximo de meu rosto.

— Eleven? — o horror que senti foi claro em minha voz. Minha garganta ardeu e senti meus olhos pinicarem. — Ela fez isso?

Sua roupa estava cheia de sangue e seu rosto com sangue, mas sem algum machucado aparente. Olhei para Brenner engolindo a vontade de chorar, ao mesmo tempo que me concentrava para não destruir a sala toda.

— Ela matou a todos?

— Sim. — apoiou as mãos unidas em cima da mesa. — E não. O que está vendo aconteceu há quatro anos, Five. Desde então, Eleven está doente e precisa de ajuda.

— Quatro anos? — perguntei sentindo algo borbulhar em meu estômago. — Foi o tempo que sai. Sempre me disse que eles estavam bem durante as ligações.

— Não queria atrapalhar seu progresso, Five. — ele se levantou. — Tentamos manter tudo sobre controle e curar Eleven, mas agora ela escapou do laboratório e trouxe algo terrível para o nosso mundo.

— Quatro anos... — sussurrei sentindo meu corpo todo tremer.

— Five, preciso de sua ajuda. — eu não soube em qual momento Papa parou a minha frente ou como a mesa foi parar do outro lado da sala. Ele colocou as mãos em meus ombros. — Precisamos voltar para Hawkins, mas primeiro você precisa se acalmar.

005 - Stranger ThingsOnde histórias criam vida. Descubra agora