Quebra-Cabeça

338 63 6
                                        

POV. RAFAELLA

Depois de explicar melhor a história da maldição de Iaru com detalhes para o avô de Gizelly, ele pareceu entender.

- Mesmo que o meu avô seja o guerreiro de asas perdido, como ele vai quebrar o pacto? Gi perguntou.

- Dia da luz só pode ser o dia que nossa filha vai nascer e o cipó da vida deve ser o cordão umbilical. respondi esperançosa, só podia ser isso.

Após alguns minutos em silêncio, Gizelly desviou o olhar para o avô.

- Vô eu não sei até quando o senhor pretende ficar aqui, mas por favor, não vai embora antes da Sofia nascer, precisamos de você, é a nossa única esperança. pediu.

- Não, tudo bem minha neta, eu permanecerei aqui, farei tudo que estiver ao meu alcance para ajudar vocês e minha bisneta. ele disse sorrindo.

Um misto de alegria e esperança se apossou de mim. O nome do avô de Gizelly era de um anjo, ele era a nossa salvação.

Ou não...

...

Dali em diante, duas semanas se passaram, eu estava com 37 semanas, Sofia podia nascer a qualquer momento, a qualquer hora. Eu passava praticamente o meu dia no quarto, estava sentindo muitas fincadas e mesmo o médico vindo me olhar dizendo que era normal nesse final, eu sabia que parte era Iaru e suas ameaças contra minha filha.

Fui tirada dos meus pensamentos com Gizelly entrando no quarto com uma bandeja em mãos.

- Olá guria, vim trazer seu café da tarde. disse colocando a bandeja sobre a cama.

- Gizelly eu posso descer lá embaixo sabia? comentei rindo.

- Pode, mas não deve nesse momento ficar subindo e descendo escada toda hora.

- Só você mesmo, eu tô bem.

- E tá querendo me convencer falando com essa carinha triste? disse e eu respirei fundo.

- Eu só tô preocupada, nós temos pouco tempo, nossa filha pode nascer a qualquer momento e tudo pode acontecer. falei.

- Não vai acontecer nada Rafaella, você mesma nos deu a esperança do meu avô quebrar o maldição, por que está assim agora?

- Porque eu tô sentindo a Iaru, ela se anunciando e eu não queria morrer sem te dizer umas coisas.

- Ei não fala assim, você não vai morrer.

- Eu vim ao mundo com uma missão, cumprir essa terrível maldição de Iaru, desde que soube, eu não quis, não achava certo, mas não tinha outra escolha, eu tinha que me aproximar de você... mas acabou que você me encontrou primeiro né? E assim que eu te vi gaúcha, eu me apaixonei, e com você eu descobri que a única coisa que vale nessa vida é amor e é também a única coisa pela qual vale a pena morrer, e hoje eu sinto que posso morrer em paz, que nossa filha que carrego aqui, é a minha continuação, é a nossa continuação. Sua mão veio até o meu rosto e eu deixei um beijo ali. - Eu comecei a sentir essas fincadas depois que implorei Iaru pela última vez pra me levar.

- Você invocou Iaru outra vez? Já te falei pra não fazer isso Rafa. disse firme. Gizelly não gostava que eu invocava o espírito de Iaru, eu sempre me sentia mal depois.

- Eu não sei o que pode acontecer daqui pra frente, o nosso destino é incerto, mas eu pedi de novo, implorei, e ela vai ter que me aceitar, ela vai ter que me levar no lugar da nossa filha, no seu lugar.

- Não, você tem que ficar viva pra cuidar da nossa filha.

- Você cuida, tenho certeza que vai ser uma mãe maravilhosa, e chegar de pessoas brancas morrerem inocente, dessa vez precisa ser uma índia.

- Muito bem, muito bem. dona Madalena disse nos dando um susto. - Agora o casal está discutindo quem vai morrer primeiro, presta atenção os dois, não se brinca com a vida, nem eu que já estou velha, falo em morrer, agora vocês dois jovens, precisam cuidar da minha bisneta e como aqui ninguém sabe quem vai morrer primeiro, vamos viver o presente sem ter medo do futuro.

Ela caminhou até a cama e sentou na mesma em minha frente.

- Rafaella, desde que te conheci, eu tive um pé atrás com você, eu não queria Gizelly perto de ti não, mas tu mostrou valor e agora eu gosto de ti, gosto muito de ti e eu faço gosto que minha neta esteja com você, ela está em boas mãos. ela disse por fim, se levantou e deixou um beijo na minha testa antes de sair do quarto.

- Tá vendo, ela gosta de você.

- Agora ela gosta. falei rindo.

- E ela tem razão, vamos parar com esse assunto de morte, temos uma esperança e vamos se agarrar nela.

- É tudo um quebra-cabeça muito confuso e só vamos saber o final quando Sofia vier ao mundo. falei por fim e Gizelly assentiu, e se sentou ao meu lado.

- Agora come que nossa pequena deve está com fome.

- Toda hora ela tá. comentei e rimos.

Ficamos ali conversando sobre outros assuntos. Mais tarde meu avô veio me ver, conversei um pouco com ele, sentia falta da sua presença contínua, ele não gostava muito de vir aqui na fazenda, era da mata que ele gostava.

Ao anoitecer, tomei um banho e com muita insistência, convenci Gizelly a deixar eu descer para a cozinha e jantar. Após saborear a comida deliciosa de Clara, Gi e eu subimos e logo fomos dormir.

Naquela noite, sonhei outra vez com Apoena e Antonia, não disseram nada, apenas me olhavam esbanjando um sorriso no rosto.

Não sabia o real significado daquilo. Mas tomei pra mim como um sinal positivo.

...

Voltei e já estamos chegando na reta final. Será que Gabriel é mesmo o anjo que vai quebrar a maldição? 🤔

A Maldição da Índia Onde histórias criam vida. Descubra agora