➳ Did you really think it was over?

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"01. Você realmente achou que tinha acabado?"

Elizabeth Arantes

Um mês. Faz exatamente trinta dias que finalmente descobrimos quem era o homem sem rosto, faz trinta dias que o Richy está morto, faz trinta dias que o Jake está sumido.

O que me deixa mais preocupada é que o FBI me procurou na minha casa dias depois de tudo aquilo, e a coisa mais sensata que me veio na cabeça foi destruir meu celular, e depois tacar ele na privada mandando ele esgoto a baixo.

Se estavam ali, sabiam que eu conversava com o Jake, mas eu não sabia o quanto eles sabiam, então não quis arriscar. O mesmo conseguiu entrar em contato comigo, me mandando uma carta. Sim, ele é absolutamente doido, poderia facilmente ser pego com essa simples carta. Se já não tivesse sido, mas eu não gostava de pensar dessa forma.

Continuo falando com Jessy, a mesma está muito mal com a morte do seu velho amigo, mas continua dando o seu melhor e vivendo a vida como a pessoa otimista a qual ela sempre foi. Dan está fingindo que não se afetou por Richy ser o homem sem rosto. Thomas e Cleo foram os que menos ligaram pra isso, parecia que nem eram amigos. Mas, no fundo, sei que ambos sentem falta dele, mesmo com raiva de tudo que ele fez, apenas são melhores em esconder seus sentimentos. E Lily simplesmente está dividida entre raiva e tristeza. Raiva por sequestrar sua irmã e ficado com ela por meses, e tristeza por perder um amigo.

Eu me arrependo de quando Richy me perguntou se eu achava que ele estava arrependido, eu disse não, mas a verdade que eu não aceitei é que eu acreditava sim que ele estava arrependido, e talvez eu até poderia perdoar ele. Richy estava tentando fazer a coisa certa, mas do jeito errado.

Lembrei de como éramos no momento em que ele fez a piada com o Dan, isso despertou uma coisa em mim na qual eu nunca fui capaz de esquecer, o verdadeiro sentimento da traição. Foi nesse exato momento em que percebi que a pessoa na qual eu confiei tão cegamente claramente não teve nenhum sentimento verdadeiro por mim. Ou teve, às vezes também me recuso a acreditar que tudo que vivemos foi mentira, todas as brincadeiras, as conversas.

Sai do meu transe de pensamentos quando a tela do meu novo celular acendeu em cima do acolchoado em que eu estava sentada.

Amava minha casa, pois ela tinha uma janela com um sofá embutido, do tipo garota conhece o mundo, porém mais moderno.

Toda minha casa – que não era muito grande, mas confortável – era decorada de branco e prata, deixando só algumas coisas coloridas pela casa.

Estava uma noite nublada, caindo algumas gotas solitárias do céu. Até parece que o tempo combina com o meu humor.

Peguei o aparelho vendo que a notificação era do Dan.




Dan está online.

Dan
Ei, boo
Eu estava bebendo whisky hoje mais cedo e lembrei de você

Lizzie
E o que devo a honra de ser lembrada enquanto você toma whisky?

Dan
Lembrei que sempre te convido para um drink, mas nem sei se você bebe

Lizzie
Hahaha
Não acredito que me chamou só para isso
Sim, eu bebo
Não tanto quanto você, Jack Daniels

Dan
Não me julgue, estou entediado. É sexta a noite e Jessy está demorando uma eternidade para ficar pronta

Lizzie
Mulheres 🤷🏻‍♀️
Não temos culpa se vocês só colocam uma roupa, passam perfume e desodorante e estão prontos

Dan
Bem, eu dou graças a Deus por isso
Imagine só, logo eu demorar anos para me vestir
Como ia conseguir sair por aí detendo monstros? 😎

Lizzie
Você provavelmente não iria
Mas se ficar bebado, sofrer um acidente e ficar de cadeiras de rodas não te impediu, o que iria?

Dan
Você tem razão
Eu sou incrível

Lizzie
E eu sempre tenho razão 😝

Dan
Ah, senhorita Jessica acabou de sair.
Falamos com você depois Lizzie

Lizzie
Até mais, divirtam-se.

Dan está offline.








O pessoal iria sair até um restaurante novo na cidade, todos eles.

Ainda estavam meio eufóricos com a volta da Hannah, mas não posso julgá-los.

Como taquei meu antigo celular pela privada, nem sequer tenho as conversas com meus amigos e com ele, muito menos o contato dele. A minha sorte era que eu tinha marcado os números de todos eles em um caderno no qual eu usava para fazer anotações sobre o homem sem rosto e pistas importantes. Mas como Jake era um hacker, não achei o número dele nos dados sobre ele.

E sobre o caderno, era muitas pistas e eu lembrava raramente de algo rápido assim quando Jake ou qualquer outra pessoa citava, precisava ter minha própria fonte.

Olhei para minha mesinha de centro da sala, o caderno com capa toda colorida de cores pastéis estava sobre o vidro gelado. Me levantei e fui até ele, o pegando.

Sentei no sofá que continha uma coberta e aproveitei pra me cobrir, já que estava fazendo um leve frio.

Folheando aquele livro e relembrando tudo, eu me perguntava como pude ser tão cega.

Quer dizer, seria super capaz de eu estar fazendo isso comigo mesma, já que eu estava tão apegada com aquelas pessoas que eu me recusei fortemente a acreditar que alguma delas poderia ter envolvimento com aquilo.

Normalmente, você não quer acreditar em coisas como essa, coisas que te deixam triste e fazem te sentir traídos.

Mas infelizmente essas coisas acontecem sempre.





O barulho insuportável e alto ecoou por todo meu apartamento. Cocei os olhos olhando em volta, percebendo que dormi no sofá, com o caderno em cima de mim e a luz da sala acesa. E então percebi o silêncio, mas eu não tinha acordado com algo?

Me assustei quando ouvi o toque do meu celular, joguei a coberta para o chão e fui até a janela, tinha deixado ele lá.

Número desconhecido.

Por um momento, todas minhas esperanças estavam lá de volta. A ansiedade e adrenalina que só ele me dava estava lá, e atendi com toda a força de vontade do mundo, com um sorriso maior que tudo.

Esperei cinco segundos, e nesse meio de tempo me virei e sentei no sofá da janela, apoiando as costas no vidro gelado pela chuva que havia piorado nas últimas horas.

Dez segundos, e nada.

— Alô? — perguntei olhando para o teto, ainda com a esperança de ser ele.

— Você realmente achou que tudo tinha acabado, não é Elizabeth? — do outro lado da linha, pude ouvir uma voz que, no fundo, parecia familiar, mas ignorei esse pressentimento.

— Isso é algum tipo de brincadeira de mal gosto? — Meu sorriso sumiu aos poucos.

— Você vai desejar que sim — fiquei em silêncio, sem ter nada para dizer — não parece tão corajosa e esperta agora, não é?

Segurei o nó que se formou em minha garganta. De novo, não, por favor.

— Quem é? — falei o mais firme que eu podia.

— Você vai descobrir. Em breve. Mas até lá, se contar para alguém sobre isso, todos os seus amigos morrem.

E assim a ligação terminou.

𝐔𝐧𝐟𝐢𝐧𝐢𝐬𝐡𝐞𝐝 𝐬𝐭𝐨𝐫𝐲 - 𝐃𝐮𝐬𝐤𝐰𝐨𝐨𝐝.Onde histórias criam vida. Descubra agora