Fazia mais ou menos 30 minutos que eu estava sentada no sofá, abraçando meus joelhos, segurando uma taça de vinho pra ver se eu conseguia engolir aquele convite de casamento. Era sério aquilo?! Eu mal tinha saído da cidade, ok, talvez eu estivesse exagerando. Fazia 4 anos que eu tinha saído de Barbacena para vir trabalhar no Rio de Janeiro, mas mesmo assim. Eu podia estar um pouco ausente da vida do meu melhor amigo, porém, tinha sido a vida adulta que tinha me mastigado diversas vezes, cuspido e ainda pisado em cima.Era difícil se virar na cidade grande sozinha.
A última namorada que o Kakashi tinha tido foi no segundo ano do ensino médio, e achei que seria a última, já que ele tinha uma vocação excelente para ser um belo de um galinha. Eu sei, não deveria falar assim do meu melhor amigo, no entanto, ele era mesmo um grande cafajeste. Perdi as contas de quantos respingos recebi das bebidas que garotas jogaram nele, ou de quantos tapas na cara presenciei, ou até mesmo só um: vai se foder. Nosso ensino médio foi animado, mas a faculdade superou todas as minhas expectativas.
O melhor dia da minha vida ainda era ter visto o Kakashi atravessando o jardim dos dormitórios pelado por que ele dormiu com a namorada de alguém, e o cara foi levar café da manhã na cama pra garota e o Kakashi teve que pular a janela. E bom, eu assisti de camarote sentada na cafeteria da faculdade; bons tempos. Contudo, hoje, não lembro qual foi a última vez que ouvi a voz dele; nos falamos toda semana, mas apenas por mensagens.
Eu sentia falta dele, sentia falta dele todo maldito dia.
Às vezes sentia vontade de largar meu emprego e voltar para aquela cidade que eu odiava, só para sentar na pracinha em frente a igreja e passar horas conversando com ele. A única coisa que eu não odiava no interior era ele, sempre quis ir embora daquele lugar. Kakashi não, ele se estabeleceu quando abriu um bar na cidade, diferente de todas aquelas espeluncas que tinham por lá. Ele amava o interior, gostava da proximidade das pessoas, da paz que rondava a cidade e de ele poder ficar atrás do balcão lendo enquanto os outros bebiam no seu bar.
Eu odiava tudo que envolvia meu passado e aquela cidade. Odiava as pessoas tomarem conta da vida alheia, odiava a calma e a tranquilidade com que os anos passavam naquele lugar. Apesar de às vezes sentir falta da tranquilidade, não era isso que eu queria todos os dias da minha vida. Quando finalmente chegou a ida para faculdade, foi libertador, eu e o Hatake tínhamos combinado desde a adolescência em ir estudar em BH, seria como nossa primeira experiência como adultos.
Ledo engano, se aquilo fosse a vida adulta eu estaria bem feliz.
A vida adulta… ela te engole e você nem vê, um casamento é anunciado e você nem conhece a noiva do seu melhor amigo.
Não que eu tenha dado importância, lembro de ele ter comentado há algumas semanas, ou seriam meses?! Não quis saber a respeito, sempre mudava de assunto ou inventava uma desculpa para simplesmente abandonar a nossa conversa. Aquele assunto não me deixava nem um pouco confortável, muito pelo contrário, ficava extremamente desconfortável. Entretanto, nunca poderia cobrar algo que nem mesmo eu fui capaz de fazer.
Dizer que sou e sempre fui apaixonada por ele.
[...]
Voltar para Barbacena me dava arrepios, era essa a sensação, mas eu não podia faltar ao casamento da melhor pessoa que eu tinha na minha vida; por mais que isso arrancasse meu coração do peito. Eu queria vê-lo feliz, mesmo que não fosse comigo.
— Sa! — Olhei para trás e vi aquele homem imenso, os braços torneados, o sorriso que sempre enfeitava o rosto bonito e os olhos espremidos ao expressar a felicidade em me ver.
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Minha garota
FanfictionApesar da distância da vida adulta, Kakashi e Sakura nunca deixaram sua amizade virar passado. Sendo assim, Sakura se vê de volta ao interior para celebrar o casamento do Hatake. Mesmo que vê-lo dizer sim enterraria de vez os sentimentos que queria...