Capítulo 21

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Alguns minutos depois, nos levantamos e vamos novamente até o banheiro para tomar outro banho. Dessa vez, Alex entra comigo e sinto que meu corpo fica vermelho da cabeça aos pés.

— Não precisa ficar envergonhada, você é linda, Marjorie. -Sussurra me abraçando e respiro fundo em resposta.

Isso tudo é novo para mim, no entanto, me sinto estranhamente confortável. É como se estivesse esperando por esse momento a vida toda, apenas para me entregar à pessoa que sem que eu percebesse, se infiltrou no meu coração, criando raízes que me marcariam por toda a eternidade.

Nos lavamos silenciosamente, cada um no seu mundo, aproveitando a água morna que sai do chuveiro com aparência cara.

Me sinto diferente, como se uma porta fosse aberta e me mudasse, um caminho sem volta. Sei que foi apenas a minha primeira vez, mas para mim, esse momento tem um significado mais além do sexual. Meu coração foi oficialmente dominado pelo dançarino. Sorrio para mim mesma ao constatar que a apenas dois anos atrás, eu o odiava com todo o meu ser, e agora, estou completamente nua, tomando banho com ele.

Esfrego todo o meu corpo com o sabonete masculino enquanto Alex massageia meus cabelos com o shampoo.

Fecho meus olhos aproveitando aquela sensação de calma que suas mãos proporcionam.

De repente imagens que não tem absolutamente nada a ver com o momento, passam pela minha mente e antes que possa perceber, as palavras saem sem filtro pela minha boca.

— Alex, o seu pai vai mesmo conservar a quadra de basquete? - Me repreendo mentalmente quando percebo que quebrei o clima calmo.

Alex respira fundo antes de responder.

— Ele me disse que sim, Marjorie. Eu lhe dei várias razões pelas quais ele não deveria demolir...

— Que bom. Desculpa tocar nesse tema agora, é que eu ando nervosa esses dias, temos a final depois de amanhã e sabe o quanto eu amo o meu time.

— Tudo bem, eu te entendo. Mas... e a mim? -Pergunta e por uns segundos fico sem entender o que ele quis dizer.

— O que tem você?

— Quanto me ama? -Solto uma risada sincera e me viro ficando de frente para ele.

— Hum... deixe-me pensar. -Brinco observando sua expressão expectativa. — Te amo tanto, mais que... mais que a minha moto! -Caio na risada com a cara que Alex faz.

— Tanto assim?

— Sim! -Beijo sua boca molhada e nos abraçamos por alguns segundos.

— Falando na sua moto, o que aconteceu com o velhinho que te atropelou?

— Ele se mudou para outra cidade... conversamos por mensagem algumas vezes. Era um senhor muito sozinho sabe? -Lembro de Joseph e de como foi tão amável comigo. Ele teve que se mudar para ficar mais perto das netas, já que aqui se sentia solitário. Fiquei triste com a sua partida, mas ele me consolou dizendo que poderia visitá-lo quando quisesse.

— Não gostava dele... -Confessa e dou risada.

— Porque? Ele foi muito amável comigo.

— Eu sei... por isso depois fiquei com raiva de mim mesmo por odiar um velhinho solitário. -Sussurra e sou obrigada a amá-lo um pouquinho mais.

Ficamos mais alguns minutos debaixo do chuveiro, até que a água começa a esfriar. Nos trocamos e colocamos um filme qualquer para reproduzir na enorme televisão embutida na parede do quarto de Alex.

Alguns minutos depois, acabamos pegando no sono ao som da chuva incessante e penso nesse dia, como um dos melhores da minha vida.

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Não é mais um Clichê Americano - COMPLETOOnde histórias criam vida. Descubra agora