4 | Sonata No. 23 op. 57 "Appassionata"

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CAPÍTULO 4

"and when i fell hard you took a step back.

Deixem o voto antes de iniciar a leitura, por favor <3

❣️



Taehyung mentiria se dissesse que não pensou em Hoseok depois do beijo que tiveram.

Não se atreveria a falar aquilo em voz alta ou admitir para si mesmo, mas nunca – nunca mesmo – havia sido beijado daquele jeito.

E sim, já tinha batido uma pra Hoseok, visto seu pau, o escutado gemendo, se esfregado nele que nem uma cachorra, corpos suados em cima de uma maca de tatuagem, tudo isso.

E ainda assim, o que rodeava sua mente, como a ameaça constante de um tornado, era aquele maldito beijo.

A mão de Hoseok em seu rosto, o encontro eletrizante de suas línguas, a sensação de puxar aqueles cabelos bicolores até que tufos macios escapassem das frestas de seus dedos. A respiração de Hoseok em seu rosto, mãos traiçoeiras invadindo o vão da sua camisa para tocar sua pele, envolver sua cintura. Olhos escuros que pareciam guardar uma infinidade de intenções irritantemente indecifráveis. Sorriso insuportavelmente arrogante.

Hoseok era como uma partitura daquelas mais difíceis, que por mais que Taehyung passasse horas e horas estudando, tentando executar, sempre terminavam o frustrando e o deixando irritado, como uma pedra em seu sapato.

Mas que seja, Taehyung pensava, porque não importava quantas pedras chatas e incômodas houvesse em seu sapato, nada tirava seu foco. Hoseok foi uma aventura de um fim de semana, um desvio, uma distração (in)conveniente dos seus problemas, frustrações, e irritações com a família.

Mas a brincadeira havia acabado, era uma nova semana, era hora de esquecer aquilo e voltar para sua rotina.

E por sorte, porque Taehyung se julgou sortudo com aquilo, Hoseok não o procurou mais, suas últimas palavras trocadas tendo sido aquelas em frente a casa de Taehyung. E o pianista só esperou que assim continuasse. Precisava de paz de espírito e Hoseok já tinha se revelado adepto em tirar qualquer uma de Taehyung.

Taehyung acordou todos os dias no horário certo aquela semana. Tomava seu café gelado, comia seu iogurte com frutas completamente dentro de sua dieta balanceada, preparava a comida de Kanji, escolhia quais partituras levaria para o campus e saía de sua casa às 06:45. Religiosamente, chegando no campus às 7h para a primeira mentoria com Jiho. Ensaio até às 12h.

Pausa para almoço de uma hora na qual Taehyung mantinha uma conversa de elevador com os outros músicos na mesa do refeitório. Se Zoé tivesse o horário livre dos seus próprios ensaios, os dois almoçavam num restaurante japonês não tão longe – mas aquela semana, curiosamente, Zoé não aceitou nenhum dos convites.

Depois de almoçar, de volta ao ensaio. Vivaldi. Debussy. Beethoven. Chopin. Taehyung só saía da sala quando era liberado por Jiho às 17h, isso quando não precisava esticar e sair do ensaio depois das 21h.

Quando não tinha trabalho, Taehyung ia da aula para a academia caríssima ao lado de seu apartamento, segundas e quartas Taehyung tinha turnos trabalhando na livraria, onde passava a maioria de seu tempo ocioso no caixa estudando algo em seu livro de partituras ou – quando estava muito de saco cheio – lendo algum livro de lá mesmo que julgava minimamente interessante.

Taehyung normalmente chegava em casa às 21:30h, com expressão séria e corpo firme como uma rocha mesmo que – por dentro – estivesse exausto. O primeiro e último sorrisos de quaisquer de seus dias eram dados a Kanji, um quando se despedia e um quando o pegava no colo para um cumprimento carinhoso ao chegar.

trouble trouble | vhopeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora