Cap 42 - as palavras não ditas.

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SASUKE

Meu quarto da ala leste era amplo, luxuoso, e insuportavelmente vazio.

Eu estava sentado à beira da cama de linho bordado, as mãos entrelaçadas, os cotovelos apoiados nos joelhos.

A janela estava aberta, deixando entrar o ar fresco da madrugada. Lá fora, o jardim real dormia sob a luz pálida da lua. Aqui dentro, porém, não havia paz.

Passei a noite tentando evitar pensar nela. E, como nas outras noites, falhei miseravelmente.

Fechei os olhos. A imagem dela na fonte termal ainda dançava em minha mente. O vapor envolvendo seus ombros frágeis; seus olhos claros me fitando; a forma como ela dizia meu nome, baixa, quase como uma pergunta, quase como um convite.

Me levantei, impaciente. Caminhei até o espelho e encostei as mãos na moldura de prata.

Meu reflexo me encarava. Cabelos negros desalinhados, olhos profundos e escuros demais. O rosto agora mais maduro, mais duro.

Um guerreiro, diziam. Mas por dentro, ainda me sentia o menino que ficava quieto, observando Hinata sorrir para Naruto como se o sol tivesse nascido só para ele.

Naruto.

Pensar nele, agora, me dava nos nervos. Um amigo que um dia fora tão importante pra mim, hoje seu nome queimava como limão em minha garganta.

Três meses. Três meses longe, resolvendo crises do próprio reino, enquanto Hinata lidava sozinha com dois recém-nascidos, um reino recém herdado, e um coração que estava se partindo aos poucos.

E mesmo assim, ela nunca reclamava.

Nunca reclamava dele.

Durante os meses que se arrastaram, ele não fez questão de responder as cartas da princesa, que ficava constantemente preocupada com ele.

Hinata mandou cartas contando sobre os filhos, sobre Lua Clara e sobre nossos amigos da terra. Sempre deixava claro o quão preocupada estava com o sumiço de Naruto, que prometeu que mandaria notícias sempre que pudesse.

Hinata sabia que ele estava bem, pois Kakashi e Jiraiya a escreviam

Eu me mordia por saber que, se estivesse em seu lugar, jamais teria ido embora.

Mas que direito eu tinha de pensar isso?

Ele era perfeito para Hinata. Rei de um reino que poderá, um dia, ser próspero novamente.

E o pior, o principal:

Ela o ama. 

Caminho até a estante. Sobre ela, uma pequena caixa de madeira entalhada.

Um presente de Hinata, de meses atrás. Passei os dedos pela tampa da caixa, mas não a abri. 

Olhei em direção à porta. Sabia que o quarto de Hinata ficava alguns corredores adiante.

Sabia que, a essa hora, talvez estivesse acordada, como tantas noites desde o nascimento das crianças.

"Mesmo se você parasse, parte de mim ainda viria." Recordei-me das palavras que dissera na fonte.

Encostei a testa na parede fria. Eu a amava.

~~

O sol ainda mal havia nascido, mas o pátio interno já estava iluminado pelas tochas altas nas colunas de granito. A névoa da manhã pairava baixa, arrastando-se pelo chão como uma serpente preguiçosa.

Lua Clara Histórias para pegar e não largar. Descubra agora