Nuvem de dor

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Era como uma nuvem de dor

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Era como uma nuvem de dor.

Assim que observou Hermione sumir após usar o Pó de Flu, conseguiu se concentrar no caos que estava acontecendo ao seu redor. A primeira vez que aconteceu aquele ataque repentino da maldição, Draco era um homem recém-casado que não tinha crianças ao seu redor que pudesse se preocupar. Não parecia que haviam se passado quatro anos desde que toda a sociedade bruxa tivesse que começar a se adaptar aquela nova realidade. E daquela vez ele estava ao lado de todos os pais que apenas desejavam que seus filhos permanecessem vivos.

Quando abriu a porta deu de cara com Luna que estava com o rosto molhado de lágrimas enquanto segurava seu filho no colo como se tentasse o proteger de toda loucura que estava acontecendo. Os moradores do prédio estavam correndo completamente malucos enquanto levava seus filhos nos braços tentando salvá-lo. Poderia contar nos dedos quantas vezes ele interagiu definitivamente com Luna, na época da escola ela era apenas mais uma amiga do Potter e quando saiu de lá, se tornou alguém insignificante. Contudo, naquele momento Draco apenas a encarou como alguém que estava compartilhando a mesma dor que ele, independente do momento, todos compartilhavam da mesma sensação sufocante do desespero. Exatamente por isso que ele apenas pegou a criança no colo e segurou no pulso dela enquanto a arrastava para fora do prédio e acompanhou uma multidão de pessoas indo em direção aos hospitais em puro pânico.

A cada passo ele sentia o próprio coração bater mais rápido em uma agonia que fazia anos que havia sentido. A sensação de querer fugir de toda aquela situação apenas para se manter protegido, porém, daquela vez ele não pensava em si mesmo, apenas em um ser que nem havia se formado ainda e já que fazia seu coração se apertar com a angústia de perdê-lo.

Às vezes o lado racional poderia dizer que não deveria se apegar, mas como? Quando havia aquela sensação gostosa de felicidade que sentia toda vez que pensava que iria ser pai? Era difícil se manter impassível quando a vontade imensurável de prosseguir desejando conhecer o rosto do seu filho acaba sendo maior do que a autoproteção de não querer se apegar.

Assim que seus pés pisaram no chão do hospital, seus olhos apenas registraram diversos profissionais tentando organizar aquela fila de crianças e mulheres grávidas. Havia tantas pessoas tentando ajudar com o que era possível apenas para impedir que um ser inocente pudesse morrer.

Draco correu colocado Dominic numa maca que rapidamente uma enfermeira se aproximou para examiná-lo e mesmo com os olhos claros manchados por uma vermelhidão e inchados - constatando que havia chorado -, a mulher apenas tentou focar em Dominic que estava desmaiado e mal conseguia respirar direito.

— Preciso examiná-lo! — ela apenas disse isso antes de arrastá-lo para longe enquanto deixou uma mãe chorosa para trás. Luna agarrou em seu braço como se fosse para tentar se manter consciente e que deveria permanecer em pé mesmo diante daquela situação.

Draco nada disse, não teria nada para falar. Apenas deixou que Luna se agarrasse a ele, o usando como apoio. E mesmo naquela situação ele estava preocupado com Hermione, sentia uma vontade urgente de sair correndo de lá apenas para ir ver se ela estava bem, contudo, aquele cenário construído no caos perdeu o controle completamente quando minutos após a segunda onda da maldição começou a aparecer as primeiras vítimas. E a comprovação disso foi um grito de um pai que estava jogado no corredor na sua frente enquanto segurava sua filha e Draco engoliu em seco sentindo seus olhos lacrimejarem e suas mãos tremerem.

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