cap 3- Entre o Desejo e a Culpa

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Isabella.

15 de março....
Sábado 18:30h

.................................um ano depois..........................

Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias se arrastou desde que fechei a porta daquela casa, deixando para trás não apenas um lar, mas também um pedaço da minha alma. Nos primeiros dias, o telefone tocava incessantemente, mensagens implorando pelo meu retorno inundavam minha tela. Era Bruno, desesperado, tentando me arrastar de volta para a escuridão que ele mesmo havia criado. Mas, com o tempo, o silêncio se tornou ensurdecedor. Sua irmã, com a voz embargada pelo sofrimento, me revelou a verdade: Bruno estava perdido, consumido pela própria amargura, irreconhecível até para aqueles que o amavam. Ela me implorou para sumir, para jamais cruzar seu caminho. "Ele está irreconhecível, Isa", ela disse, "um poço de amargura do qual nem eu consigo me aproximar".

Em meio a esse turbilhão de emoções, Dalila, minha amiga de todas as horas, surgiu como um raio de esperança. Ela planejou uma fuga, uma viagem para me libertar das correntes do passado, para me permitir respirar e reencontrar a alegria. E assim, Dalila, Rayssa e a Charlene, uma nova amiga que a vida me presenteou, embarcamos rumo a Salvador, em busca de um recomeço.

Durante um mês, mergulhamos em um mar de cores, ritmos e sabores, tentando afogar a saudade e a culpa em meio a festas e risadas. Mas, por mais que eu tentasse me entregar à leveza daquele momento, meu coração permanecia preso a um passado doloroso.

E não, eu não me entreguei aos braços de outro alguém. Dalila tentou, coitada, me apresentar alguns pretendentes, rapazes interessantes e cheios de charme, mas meu coração simplesmente se recusava a abrir as portas para outro alguém. A verdade é que, por mais que eu tente negar, o Bruno ainda exercer um poder inexplicável sobre mim. E como explicar que, mesmo livre, meu coração ainda carregava correntes?

Eu o amo, SIM, e essa é a minha maior fraqueza... Amo Bruno.... Amo o homem que me machucou, que me sufocou com ciúmes e inseguranças. Parece loucura, não é? Mas a verdade é que não consigo odiá-lo. Não consigo simplesmente apagar os anos que vivemos juntos, os momentos felizes que se perderam em meio à escuridão.

Não, ele nunca foi o príncipe encantado dos contos de fadas. Mentiria se dissesse que me cobria de flores e serenatas. Mas, no início, ele me amava. Me tratava com carinho, me dava tudo o que eu queria, cuidou da minha mãe com dedicação e lhe proporcionou a paz que ela tanto desejava antes de partir. Nos tirou da miséria, nos deu um lar, nos protegeu da violência das ruas.
E, por muito tempo, foi minha família, meu porto seguro. A culpa? Talvez um pouco dele, mas também da influência do pai, um homem controlador e amargurado que o envenenava com suas ideias, e dos amigos, que o incentivavam a ser machista possessivo e controlador.

Dói, sabe? Dói admitir que o amor da minha vida se transformou em um monstro. Dói saber que, mesmo longe, ele ainda tem poder sobre mim. Sinto falta do seu toque, do seu cheiro, da familiaridade de seus braços. E me culpo por isso, por ainda me importar com alguém que me fez tanto mal.
Ainda vivo perguntando a sua irmã como ele está, se está se cuidando, se está com alguém. Talvez seja masoquismo, talvez seja teimosia, talvez seja apenas a dificuldade de deixar para trás um passado que, apesar de doloroso, também foi repleto de momentos de felicidade.

Dói admitir, mas a separação não tem sido fácil.
Mas como esquecer o primeiro amor? O primeiro namorado, o primeiro homem, única família que eu tenho? Não é fácil virar a página, seguir em frente quando o passado insiste em me puxar para trás.

E é por isso que eu fujo. Fujo das lembranças, fujo da dor, fujo da saudade. Mas, acima de tudo, fujo da culpa. Porque, no fundo, eu sei que uma parte de mim sempre o amará. E essa é a minha maior maldição.

Meu Ex-Marido Obsessivo.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora