apresentação 2

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Meu nome é Isabella Berdinazzy, tenho 24 anos, e minha vida

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Meu nome é Isabella Berdinazzy, tenho 24 anos, e minha vida... bem, digamos que nunca foi um conto de fadas. A carruagem virou abóbora antes mesmo de eu nascer.

Minha mãe era enfermeira, mas, logo após o meu nascimento, perdeu o emprego. Crescer sabendo como é ser mãe solteira na periferia me ensinou lições que nenhuma escola poderia dar. Meu pai? Um fantasma, uma sombra que pairava sobre a nossa existência. Sumiu antes mesmo de eu nascer. Confesso que, às vezes, a curiosidade me atormenta. Gostaria de saber como ele era, qual o tom da sua voz, o brilho do seu olhar. Mas esse é um assunto proibido em casa, um tabu que minha mãe se recusa a quebrar. Suspeito que ele a tenha magoado profundamente, deixando cicatrizes que o tempo não conseguiu apagar.

Cresci vendo o sacrifício diário dela, suas noites em claro, suas mãos calejadas, sua luta incansável para nos manter vivas. Por isso, nunca fui uma criança difícil. Aprendi a engolir o choro, a esconder meus desejos, a carregar o fardo da responsabilidade antes do tempo.

Sonhava com bonecas, roupas novas, festas de aniversário, tardes no parque, aulas de balé... mas esses sonhos eram luxos que não podíamos pagar. Tranquei-os em uma gaveta no fundo do meu coração, jogando a chave fora. Nunca reclamava, repetia para mim mesma que estava tudo bem, mesmo quando a barriga roncava de fome.

Passamos por tanta coisa... fome, frio, contas atrasadas, despejos... mas a gente sempre se agarrava uma na outra, como náufragos em meio a um mar revolto. O amor da minha mãe era o nosso bote salva-vidas, a nossa âncora, a nossa esperança.

Aos nove anos, cansei de ser apenas um peso. Decidi que era hora de ajudar, de carregar um pouco daquele fardo que esmagava os ombros da minha mãe. Comecei a trabalhar como babá, ganhando cem reais por semana. Não era muito, mas já fazia uma diferença enorme nas nossas contas.

Também fazia faxinas, esfregando chão, limpando banheiros, lavando roupas. Minha mãe chorava, implorava meu perdão, dizia que eu deveria estar brincando, não trabalhando. Mas eu sabia que não era culpa dela. A culpa era do sistema, da desigualdade, da falta de oportunidades.

Eu era apenas uma criança, mas já carregava o peso do mundo nas costas. E, apesar de tudo, eu nunca perdi a esperança. Acreditava que um dia a minha vida mudaria, que um dia eu seria feliz. Mas, por enquanto, eu continuava a lutar, a trabalhar, a sobreviver. Afinal, eu era a filha de uma guerreira, e a luta estava no meu sangue.

Por volta dos dez anos, a esperança renasceu em nossos corações: minha mãe começou a namorar. Osvaldo, um motorista de ônibus, surgiu em nossas vidas como um raio de sol. No início, era atencioso, gentil, um verdadeiro príncipe encantado. Trazia flores para minha mãe, ajudava com as contas, era carinhoso comigo. Chegou até a me dar uma boneca, a tão sonhada boneca que eu nunca tive.

Minha mãe estava radiante, vivia rindo pelos cantos, como se a felicidade tivesse finalmente batido à nossa porta. Ela confiou em Osvaldo, entregou-lhe todo o seu amor, toda a sua esperança. E ele, sorrateiramente, foi se infiltrando em nossas vidas.

Meu Ex-Marido Obsessivo.Histórias para pegar e não largar. Descubra agora