O desfecho não esperado

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Depois de algum tempo, Little Thing acordava com os barulhos de destruição, o mesmo se levantava assustado usando seu cajado como apoio, vendo o pequeno mundo ser consumido pelo Vortex.
– Droga... – Little Thing olhava a sua frente, vendo o livro próximo do vortex, caminhando até o mesmo usando seu cajado como apoio, pegando o livro e rapidamente abrindo um portal, caindo para dentro do mesmo e aparecendo na biblioteca, onde sem pensar muito caminhou com dificuldade até uma enorme porta ao fundo do local, descendo uma longa escada enquanto cambaleava, um local gelado mas repleto de pinturas antigas em suas paredes cinzentas, iluminadas por várias tochas de fogo azul. Ao chegar no final das escadas, Little Thing abria uma porta azul, cujo havia um símbolo de uma mão amarela com formato abstrato no centro da porta, ao entrar para dentro Little Thing se deparava com uma sala brilhante, com diversas mesas e pergaminhos abertos, todos protegidos por barreiras de vidro, no centro da sala havia um grande pedestal de vidro, com um suporte dentro do mesmo, parecendo ser o local de um grande livro, Little Thing ao ver o pedestal vazio se assustava com a situação. – Como ela conseguiu... foi por isso que ela me feriu, ela tem meu livro... – Little Thing avançou pela sala, chegando até um cômodo onde uma grande banheira de águas cristalinas iluminavam todo o local, o garoto tirou toda sua roupa, se jogando rapidamente dentro do local, ficando ali por algum tempo, milagrosamente as águas curavam as feridas de Little Thing! Que depois de curado saiu do local, colocando sua roupa novamente e subindo para o salão principal da biblioteca. – Pai... eu falhei em minha missão, deixei que alguém entrasse na biblioteca, permiti que essa pessoa causasse um alvoroço no multiverso...meus sentimentos foram maiores que meus deveres, acreditei em algo que não possuía mais solução... eu salvei um vortex e eu... eu me afeiçoei a ela, porque sei que ela tem algo de especial... ainda restam três livros... e um deles é o meu... eu irei salvá-la, pai... mas sei que não voltarei vivo, me perdoe por colocar o meu amor por uma pessoa acima de minhas obrigações, acima de minha vida. – Little Thing chorava enquanto conversava com o suposto criador, o mesmo guardava os três livros que estavam na bolsa enquanto falava com o mesmo, sendo interrompido por uma luz com teor divino, que tomava conta de toda a biblioteca, chamando atenção de Little Thing, que sorria ao entender a resposta, na mesma hora o garoto era transportado para um mundo, surgindo em uma floresta escura, com um céu nublado e uma névoa que tomava conta de todo local, as árvores eram escuras e não possuíam folhas, o solo era cinzento e morto. – Então esse é o mundo sombrio... Obrigado, pai. – Little Thing ajeitou a mochila em suas costas e correu pela floresta, encontrando uma cerca de espinhos e crânios de seres humanos em suas pontas, avistando no centro do terreno uma enorme casa de madeira velha, se aproximando lentamente da mesma e se agachando próximo da janela. 
– Me solte! Little Thingue vai vir me salvar e ele vai acabar com você! – Exclamava Luna, que estava presa, amarrada com várias cordas em cima de uma cama.
– Calada! Ninguém virá te salvar, assim que eu a devorar, irei até os livros e enfim cumprir o meu dever, preciso encontrar aquele maldito! – Explicou Baba Yaga, preparando uma água para seu ensopado, com a porta de sua casa sendo arrombada de uma vez, com a velha se assustando ao ver Little Thing em sua porta.
– Little Thingue!! – Gritou Luna, com um sorriso no rosto.
– Eu disse que viria até você!
– Maldito! – Baba Yaga deixou seu cajado no chão, conjurando uma foice gigante, indo para cima de Little Thing que desviava e a golpeava com um soco em seu rosto. – Como ousa! – A velha batia três vezes no chão com seu pé, causando um tremor em todo o local, fazendo Little Thing se desiquilibrar com a bruxa aproveitando a oportunidade para chutar Little Thing para fora, com o mesmo caindo fora da casa e enxergando a cabana começar a subir no ar, sendo erguida por pernas enormes de uma ave, pernas que surgiam debaixo do solo da casa, erguendo a mesma e correndo pela floresta.
– Merda... – Little Thing se levantou rapidamente e começou a voar atrás da cabana que corria depressa por todo o local, com a janela da casa brilhando com uma cor vermelha toda vez que sentia a presença de Little Thing se aproximar.
– Deixarei para cozinhá-la depois, agora preciso começar os processos... – Baba Yaga pegava um caldeirão e começava a jogar diversas poções e pronunciara palavras estranhas, palavras que mais pareciam sussurros, enquanto isso Luna começava a tentar se soltar, com a pequena vendo uma lamparina próxima da cama.
– Estou quase lá! – Exclamava Little Thing, que voava próximo da casa que por sinal parava e ecoava um enorme grito, causando uma enorme dor de cabeça a todos, exceto a Baba Yaga, rapidamente Luna se esforçava para se balançar mesmo com tamanha dor, conseguindo derrubar a lamparina no chão, espalhando o óleo e fogo no chão da cabana e criando um incêndio no local, chamando a atenção de Baba Yaga.
– Maldita criança! Não a tempo a perder, que morra queimada! – A velha rapidamente fazia o caldeirão flutuar e se equilibrava na borda do mesmo, voando para fora da cabana rapidamente, seguindo para longe dali, a casa se balançava ao sentir o fogo dentro de si, começando a desfalecer e desmoronar, parando de gritar no processo.
– Luna! – Little Thing voava para dentro da casa, procurando a pequena.
– Little Thingue! – Gritou a garota.
– Já estou indo, Luna! – Little Thing correu até a garota, tirando destroços do caminho enquanto a casa se balançava, chegando até a pequena e a desamarrando, a pegando no colo e pulando pela janela junto da garota, voando para longe, na mesma hora a casa explodia e soltava seu último grito, que derrubava Little Thing e Luna os arremessando para longe com ambos perdendo a consciência após baterem em algumas árvores.

Depois de alguns minutos Little Thing acordava próximo de um penhasco, se levantando com a mão em sua cabeça. – O que aconteceu?
– Little Thingue! – Gritou Luna, chamando atenção do mesmo, vendo a sua frente Baba Yaga, a direita da bruxa estava o penhasco e a esquerda estava seu caldeirão, os outros dois últimos livros estavam atrás de Baba Yaga, ambos no chão, a velha segurava em sua mão esquerda um livro grande e diferente de todos os outros, no qual ela estendia acima do caldeirão em chamas, já com sua mão direita a bruxa mantinha Luna no ar, a controlando sobre o penhasco.
– Merda! Luna... aquele é meu livro... – Disse o garoto, olhando toda a situação a sua frente.
– Eis nosso momento final, qual escolha Little Thing o protetor das palavras, guardião das histórias e vigia do multiverso tomará! Sua própria vida e suas obrigações ou sua preciosa Vortex? Um vive, mas outro morrerá!!!
– Você não vai se safar dessa, sua bruxa... – Little Thing soltava seu cajado no chão.
– Little Thingue... eu estou com medo... – Exclamou Luna, enquanto chorava e balançava suas pernas sob o ar, vendo o gigantesco penhasco abaixo de si.
– Nunca conseguirá salvá-la, no momento em que tentar, você morrerá! E ela cairá. – Baba Yaga gargalhava e todo o mundo começava a estremecer, como se um mal estivesse sendo libertado.
– Little Thingue... não me deixe cair!! – Gritava Luna em meio ao choro, o garoto observava o livro e a garota, sabendo que teria que escolher entre a pequena Luna, que o acompanhou até aquele momento ou sua vida e deveres com o universo, Little Thing suspirava e corria em direção de Luna, a bruxa soltava Luna pelo penhasco e o livro no caldeirão, que começava a queimar na mesma hora, Little Thing saltou sobre o penhasco e começou a queimar de dentro para fora, esticando sua mão para alcançar Luna que caia rapidamente pelo penhasco, o corpo de Little Thing começava a sumir, desaparecendo aos poucos, o garoto alcançava Luna e abraçava em meio a queda. – Little Thingue... desculpa... – Dizia a garota, em meio ao choro.
– Brilhe, minha pequena Luna... – Disse Little Thing, enquanto chorava junto com a pequena, desaparecendo aos poucos, o mesmo estendia sua mão em direção a queda, usando todo o seu poder que ainda restava, abrindo um portal e soltando Luna que caia para dentro do portal.
– Little Thingue!! – Gritou Luna, vendo o garoto sumir e explodir.

Baba Yaga observava o livro ser consumido pelo caldeirão e enxergava o cajado de Little Thing desaparecendo, a velha sorrio e estendeu a mão para o céu. – EU VENCI!!! – A mesma continuava rindo como reposta a sua vitória, uma névoa roxa saia do caldeirão e consumia Baba Yaga, que gritava com o êxtase do poder que recebia, seus olhos brilhavam como rubis vermelhos, a mesma se agachou e pegou os dois últimos livros que estavam no chão, se levantando e abrindo um portal, subindo em cima do caldeirão se apoiando nas bordas do mesmo, fazendo o caldeirão voar em direção do portal, que se fechava logo atrás.


  Em outro local...

Um portal se abria e do mesmo Luna saia, caindo no chão como se fosse cuspida por algo, ficando ali enquanto chorava, a garotinha se via sozinha na grande biblioteca, se encolhendo no chão. – Little Thingue... – A garotinha soluçava e chorava incansavelmente, adormecendo no processo depois de um tempo.

Little ThingHistórias para pegar e não largar. Descubra agora