A ansiedade estava comendo Todoroki Shouto vivo. Cada minuto era como uma penitência. Hoje era o dia D, o dia em que Izuku morreria, ou poeticamente falando. Era o dia em que ele voltaria para casa, alcançaria as estrelas e dormiria com elas para todo o sempre, sem perspectiva alguma de voltar ou sequer de acordar.
A sexta feira havia começado com uma mudança brusca no tempo; estava frio e nublado, e ficou assim toda tarde. Não importasse quantos minutos passassem ou quanto as horas mudassem, o Sol havia se escondido atrás de nuvens escuras e assustadoras. Ele sabia o que aconteceria e pelo visto, não queria ter a sua parcela de culpa. Izuku havia se mantido quieto durante toda a tarde, diferente dos outros dias, ele estava distante e diferente, como se sua mente estivesse em um outro mundo e apenas o seu corpo físico tivesse ficado na Terra.
Os alunos conversavam, gritavam e riam, mas ele continuava parado, com o seu olhar distante. Em alguns momentos o bicolor deu chutes leves na banca, apenas para fazê-lo "acordar", mas ele conhecia muito bem os olhos de Midoriya Izuku para saber quando eles estavam fora de órbita. Apenas no final da tarde que eles conversaram sobre o encontro que iriam ter.
Às seis da tarde o bicolor começou a se arrumar. Ele optou por vestir um moletom preto que havia ganhado em um sorteio do fã clube do Xota — seu YouTuber favorito, e também uma calça rasgada e larga. Natsuo ficou relutante em emprestar o seu carro pela segunda vez na semana, mas foi facilmente comprado com a promessa de que ele ficaria insento de fazer as tarefas domésticas por três semanas seguidas.
Às sete e meia, Todoroki Shouto foi até a janela de seu quarto e observou a lua cheia. Grandiosa e impotente. Não era uma super lua, mas ela estava tão perto da Terra que chegava a ser assustador. Segundo o que Midoriya contou, a Lua o conhecia e o escutava, então não machucava conversar com ela. Shouto demorou alguns segundos para escolher as suas palavras, tudo o que o seu cérebro sugeria parecia bastante antiquado, mas confissões não eram todas assim?
Sua voz baixa e tímida ressoou:
— Deixa o Midoriya ficar comigo, por favor.
O pedido soou patético e bastante vergonhoso. Como esperado, a Lua não lhe respondeu.
— Ele não merece voltar, não agora. Se ele ficar, eu prometo...
O que eu prometo? O que eu tenho a oferecer que importaria numa barganha?
— Eu prometo fazer ele feliz. — Concluiu.
Seus olhos permaneceram na lua cheia. Nada aconteceu. Na verdade, o que ele esperava acontecer? Não era como se a lua fosse o responder, como se um pó mágico fosse descer dos céus e brilhar ao redor dele como na Cinderela. Nada mudou, e ele murchou.
Perto das oito, ele saiu de casa com a certeza de que não iria sobreviver. Em sua mente passava um filme de todas as conversas e todos os momentos que ele tivera com Izuku, todas aquelas memórias que iriam sumir feito ele.
O prédio de tijolos vermelhos se ergueu em sua frente, agora intimidador e esquisito. Shouto estacionou na frente da casa e buzinou, no mesmo segundo a porta foi aberta e da escuridão saiu Midoriya Izuku.
Ele estava usando um moletom preto, jeans claros e All Star vermelho. Um sorrisinho tímido brincava em seus lábios e seu colar brilhava no peito. Quando ele entrou no carro, deixou escapar:
— Eu estou nervoso.
Todoroki riu com a honestidade.
— Eu também estou. Mas vamos fingir que esse é um encontro de amigos, tá? Um encontro normal.
Midoriya fez beicinho ao ouvir aquele comentário e se afundou no banco do carro.
— Mas eu não quero ser o seu amigo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Star boy; tododeku
FanfictionShouto sempre fora cético sobre as coisas que aconteciam ao seu redor, lendas fantásticas sobre seres que, por acidente, visitavam a terra para ele só existiam em histórias fantasiosas. Mas essa sua percepção muda quando ele conhece Izuku, um garoto...
