Para todos aqueles que são apaixonados pela lua e as estrelas.
Faça o seu desejo, eles sempre estão nos ouvindo.
★★★
A maresia ocultava a areia da praia. De onde Shouto estava, dava para ver o mar negro se estendendo em sua frente, brilhando com o prateado do luar. Era uma noite monótona e solitária, mas que fazia-o lembrar daquela noite. Daquela vista para o mar e do sumiço.
Shouto sempre olhava para o céu durante às noites e encarava a lua. O astro solitário que tirou o seu namorado. "Eu também não gosto dela" fora o que Midoriya disse, e agora ele entendia o porquê. Observa a lua enchia o seu peito de tristeza e solidão. Uma amante para os solitários e uma rival para os enamorados.
Fazia 730 dias que ele sentia que uma sombra havia se instalado ao redor do seu coração, uma sombra persistente e profunda. Fazia 730 dias que ele olhava para aquele mesmo céu e sussurrava súplicas, contava histórias e chorava, na esperança de que o ouvissem e realizassem o seu desejo mais profundo.
Ao mesmo tempo que ele implorava por pena, ele também duvidava. Duvidava do que tinha acontecido naquela noite, ou melhor, naquela semana. Duvidava de Izuku e de seus beijos mágicos, de suas sardas brilhantes e de seus olhos brincalhões. A dúvida persistia, mas a lembrança respondia.
Ele nunca conseguiria esquecer Midoriya Izuku. Nunca.
— Hoje foi um ótimo dia, sabia? Eu visitei um museu com um grupo de crianças e pensei em você, em como você teria amado ver todas aquelas coisas velhas e entediantes. Aposto que você ia falar algo chato e filosófico, e eu ia te beijar escondido só pra te fazer ficar quieto.
Ele riu soprado ao imaginar aquilo e baixou sua voz. Seu olhar continuava focado na lua, que o encarava de volta.
— Eu sinto a sua falta, Izuku. Eu sei que você está cansado de me ouvir falar isso, mas eu queria que você estivesse aqui. Eu queria que você tivesse conseguido ficar. Eu queria ter te conhecido mais cedo. Às vezes eu sinto tanto a sua falta que...
Dói para respirar. Ele pensou consigo mesmo.
A dor era tanta que ele sentia como se estivesse afundando em um mar escuro e turbulento. Não poder falar com ninguém sobre aquele assunto fazia com que tudo piorasse. Shouto sentia falta, mas de quem? Ninguém além dele sabia da existência de Izuku. Ninguém além dele sabia que estrelas caminhavam feito homens e fingiam ser homens. Era uma dor individual, única.
Era como velejar sozinho no Antártico.
Shouto fechou os seus olhos e respirou fundo. Seu peito doía, mas a dor já era de casa, então não lhe incomodava. Ele não iria chorar, não podia. Repetir palavras melancólicas não ajudavam em nada, só machucavam ainda mais. Por longos dois anos ele havia repetido aquilo; a saudade, a tristeza, o desejo de mudança, e nada mudou. Ele conseguiu até conciliar a dor e torná-la mais palpável, mas haviam dias que ele não conseguia existir sem sentir o peso da culpa, sem se perguntar, "e se?"
Quanto ele abriu os olhos, as coisas ainda permaneciam do mesmo jeito. O mar negro, as ondas calmas, as árvores balançando. Nada havia mudado.
— Se você voltasse, eu moveria céus e mares apenas para te fazer ficar — ele disse alto o suficiente para a lua ouvir. — Eu trocaria a minha humanidade apenas para te fazer ficar.
Naquele momento, uma estrela cadente cortou o céu. Solitária e rápida. "Quando uma estrela cadente corta o céu, a lenda do luar recomeça". Shouto rapidamente olhou para o céu e procurou por Izuku. A estrela brilhosa que se destacava no céu havia sumido.
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Star boy; tododeku
FanfictionShouto sempre fora cético sobre as coisas que aconteciam ao seu redor, lendas fantásticas sobre seres que, por acidente, visitavam a terra para ele só existiam em histórias fantasiosas. Mas essa sua percepção muda quando ele conhece Izuku, um garoto...
