CAPÍTULO UM

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Voltar para casa sempre foi e sempre será a coisa mais assustadora do mundo, mesmo sendo por poucos dias, ou, no meu caso, apenas as férias de verão do ano. Acontece que eu havia saído com muitos problemas na última vez, desde brigada com meu irmão a até quase solteira depois de minha decisão por Duke.

A balsa movimentou-se de maneira perigosa quando bateu contra uma onda e, automaticamente, minhas mãos procuraram a proteção na sua volta, fazendo Topper rir ao lado. As mãos queimam quando aperto com mais aspereza o metal, antes de inclinar o corpo para o lado e bater o ombro contra meu irmão, o mandando calar a boca na linguagem dos irmãos.

Meu irmão e eu não somos as pessoas mais próximas do mundo, ainda mais quando por decisão minha, ignorei as universidades próximas a Outer Banks e me tornei uma figura menos participativa na cidade. Não me entendam mal, amo muito a ilha, mas não iria desperdiçar a chance de fazer meu curso numa das melhores universidades do estado apenas porque morava na "Outer Banks, o Paraíso na Terra".

Topper nunca irá falar nada, porém, sei que o motivo de seu afastamento tem algo a ver com isso.

Acontece, que não apenas o fato de ser a Duke, mas também da liberdade que viria com a escolha. Morar e estudar em qualquer lugar próximo a Outer Banks significava sempre estar a mercê de nossos pais, sempre precisar ser a melhor filha, sempre precisar ser a maldita princesinha da ilha. E, sério, não sei em que momento as pessoas idiotas do lado kook¹ se acharam no direito de me colocar como alguém inalcançável. Tipo, eu havia vomitado na primeira festa que fui liberada para participar logo depois de beber dois drinks.

Eu também havia vomitado na minha calourada, entretanto, naquela festa não houve o olhar decepcionado de mamãe, muito menos o sermão de duas horas de papai, apenas a minha veterana erguendo meu cabelo e dizendo que ia passar.

Essa era a diferença que me levou para longe da ilha.

Aqui, se eu tivesse sorte, seria capaz de me livrar do sermão de papai. Mas nunca dos olhos de águia de mamãe e de todas suas amigas em qualquer celebração ridícula kook¹ da próxima semana.

— Kelce vai estar no porto?

Minha pergunta chamou a atenção de Topper, fazendo o jovem homem de um metro e oitenta descer os olhos até os meus. Kelce Smith, meu namorado, não respondia minhas mensagens a duas semanas, algo sobre estar ocupado demais com os negócios da família. Todavia, ele ainda era um dos melhores amigos de meu irmão, então obviamente meu irmão saberia se ele fosse aparecer.

— Rafe e ele tem um jogo de golf marcado para hoje. — ele desviou os olhos, deixando claro sua mentira, me fazendo apertar os lábios — Mas ele vai estar no porto.

Algo no modo como ele falou com tanta certeza sobre a futura presença de meu namorado me fez o encarar com mais afinco. Parecia que Topper não queria a aparição de Kelce, me dando ainda mais certeza sobre ter algo por trás.

— Se estiver acontecendo alguma coisa, você sabe que pode me dizer né?

A pergunta sai baixa e os olhos azuis de Topper se voltaram a mim. Ele parecia duvidar de minhas palavras. Mas então ele retornou a atenção para a frente e eu o imitei, prendendo a respiração quando a imagem do porto se mostrou presente.

As casas dos pogues² na volta do porto não pareciam nada com todo o desastre e quebra de infraestrutura básica que todos falavam. De longe, tudo parecia perfeitamente bonito. Parecia que não havia uma divisão idiota na ilha. A visão que se mostrava diante de nossos olhos, por alguns instantes, sempre me deixaria sem fôlego.

— Bem vinda de volta a Outer Banks.

Um pequeno risinho saiu de mim, antes de jogar os braços pelos ombros de Topper.

BOYFRIEND | RAFE CAMERONOnde histórias criam vida. Descubra agora