CAPÍTULO DOIS

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Cynthia Thornton, filha do juiz Holden, filantropia e formada em doutorado em biologia marítima. Ela nunca sequer atuou e nem sei o motivo de ter escolhido tal profissão, mas esperta o suficiente para ter casado com um cara rico e garantir a linhagem perfeita em Outer Banks com Topper e, bom, a mim.

Ela era uma das princesinhas da ilha na sua época, junto com as demais. Acredito que a mãe de Rafe deveria ser uma das também, principalmente pelo modo como todos garante que a sua irmã, Sarah, se parece tanto com a falecida senhora Cameron.

De qualquer forma, ser filha de Cynthia exigia apenas algumas coisas. Sendo elas ser perfeita, impecável e simpática. Todas as características que teoricamente seriam fáceis de ter quando se era criada por ela, pronta para funcionar como um robô ao sair da caixão de papelão de qualquer loja de brinquedo infantil.

O grande problema era que nenhum desses robôs havia conhecido outra realidade fora de seu mundinho da caixa. Em compensação, eu tinha acabado de descobrir uma vida inteira em Durham e isso traria consequências. E ela sabia disso.

— O que aconteceu com seu cabelo?

Essas foram as exatas palavras de mamãe depois de não me ver em longos meses, os olhos tão parecidos com os meus se movendo por toda extensão do meu corpo, procurando mais coisas para reclamar.

— Apenas o iluminei um pouco.

Fui sucinta na hora, dando de ombros e movendo-me para abraça-la. Meus cabelos naturalmente eram um castanho-aloirado, dependendo muito do shampoo que usava para ficar mais claro ou mais escuro. Quando morava em Outer Banks, mesmo sendo a princesinha, não cuidava muito dele. Diferente de quando estava em Durham, onde me dava o direito de ser uma patricinha uma vez na semana e ignorar os outros em meu quarto.

— O que Kelce falou sobre?

Topper riu atrás de mim.

Pensei por uns segundos no meu namorado, depois que entramos na camionete de Rafe, ele parecia mais interessado em seu jogo de golf do que em mim. Não que eu seja uma pessoa que exija muita atenção, quanto menos melhor. Isso foi uma coisa aprendida em Durham. Todavia, ainda era a sua namorada e ele deveria ao menos aparentar estar feliz com minha chegada.

— Ele gostou.

Era uma mentira. Kelce nem ao menos deve ter reparado em meus cabelos. Mamãe suspendeu suas sobrancelhas, me observando devagar, tocando meu rosto.

— Você não pode perder aquele garoto, filha. — um sorriso opressor fervia em seus lábios — Entende o que estou dizendo?

Concordei.

— O seu sogro está concorrendo a prefeito, maninha. — Topper tombou seu braço na volta de meus ombros — E ele é o atual rei kook¹.

— E você deixou ele roubar seu cargo?

Um fingimento barato que fez Topper rolar os olhos na minha direção.

— Iremos fazer um jantar essa noite. — mamãe interrompeu o que seria uma série de provocações entre mim e meu irmão — Chame os Smith.

Não era uma sugestão.

Eu deveria e iria os chamar.

Não me leve a mal, mas quando você nasce em berço de ouro, com dinheiro pulando de seus bolsos, as pessoas costumam achar que você tem tudo aos seus pés. E elas realmente tem razão. Só é preciso ignorar certas obrigações nesse caminho.

Kelce era o cara da minha vida desde o momento que o vi na escola. Ele era bonito, negro, com o cabelo afro curto, maxilar retangular forte e lábios cheios que me fazia o querer beijar a cada segundo. E o melhor de tudo era que ele parecia interessado em mim. E, bom, não poderia ignorar que era um kook¹, mamãe o amava apenas por isso.

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⏰ Última atualização: Apr 24, 2023 ⏰

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BOYFRIEND | RAFE CAMERONHistórias para pegar e não largar. Descubra agora