capítulo [1]- Laços do passado.

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Estava escuro quando um garotinho se encontrava sentado no chão em uma fria cela.

O silêncio era mais que notável no lugar, tudo que era possível escutar apenas uma respiração e o som do leve movimento de correntes vez ou outra, mas muito pouco.

Sozinho o garoto olhava em direção ao chão, caso alguém olhasse diretamente nos olhos do menino se assustaria.

Seus olhos eram turvos, e por mais lindos que fossem as cores, eles eram sem vida, sem esperança.

Por incrível que pareça, a criança não achava o lugar tão ruim, quando estava lá ninguém o batia ou gritava consigo.

Mas era frio, e ele estava cansado e com fome.

Depois de tanto tempo olhando para o chão os olhos do garoto se voltaram para uma pequena janela protegida por uma grade, a única em sua cela, sua visão foi de encontro a lua.

Oh a lua, ela sempre significou algo para o menino, ele nunca soube o porque mas ela sempre funcionou como um ímã para ele.

Só que ao mesmo tempo ela o dava um pouco de receio, ou medo em alguns casos, ela o atraia, ela o lembrava de que estava preso, mas ela também o confortava, seu brilho o acalentava em sua solidão.

O garoto sabia o motivo de ser tão maltratado. Tinha algo dentro de si, um monstro. Bom, foi isso que o disseram, porém Atsushi sabia muito bem quem era de verdade.

O menino nunca soube ao certo o que era ele e porque estava junto de si, mas não importava, pelo menos com aquele que estava junto de si ele se sentia menos solitário.

O garoto nunca teve certeza de quando a besta passou a estar com ele, mas caso ele tivesse que adivinhar diria que sempre esteve lá.

Byakko. Era o nome da entidade. Ele não sabia o como ou a razão de saber este nome, mas, esse era o nome da entidade.

Um nome tão tolo para algo tão perigoso não?

Seus olhos, um raro bicolor que iam de roxo para amarelo, passam a brilhar em tom um azul, estava claro que o garoto estava entrando em um profundo transe.

Ele não estava sozinho. Sentia a presença daquela coisa, sentia as emoções do tal "monstro", ele o sentia.

A fome, o frio, e acima de tudo, o ódio. Ódio que ele sentia por todos aqueles que o maltratavam.

Aquele sentimento fazia o garoto se sentir levemente melhor, já que pelo menos alguém realmente se importava com ele. Ele não estava sozinho, mesmo se quisesse (mas ele não queria) .

Logo Atsushi é retirado de seus pensamentos, passos ecoavam descendo as escadas chamando assim a atenção do menino albino de olhos bicolores. Ninguém iria aparecer lá a essa hora, era tarde da noite e seus cuidadores tinham medo de si.

Ao sessar dos passos um dos cuidadores do orfanato aparece, seguido de um homem alto de sobretudo preto e cabelos da mesma cor penteados para trás.

Atsushi não conhecia aquela pessoa e aquele não era seu cuidador principal. Diferente do homem que tomava conta de si normalmente, esse homem era um dos que o maltratava diariamente, não que fizesse alguma diferença para o menor. Todos que cuidavam de si eram maus.

- É esse aqui - fala o cuidador olhando para o homem de sobretudo tendo pra si também a atenção de Atsushi que ainda tinha um  leve brilho azul em seus olhos, quase imperceptível, mas ainda causando arrepios no cuidador.

- Interessante- fala o de sobretudo com um sorriso no rosto e a mão repousada em seu queixo. - Pode sair agora, quero conversar com ele a sós - diz virando a cabeça para o cuidador com um sorriso no rosto.

O vulto branco da mafiaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora