Cap. 5 - Sentire

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- Oi filha. Tudo bem? - Mãe de Nicole perguntou enquanto entrava no quarto.

- Sim - Respondeu e ficou olhando a mãe a olhar pensativa, como se quisesse contar algo.

- As coisas estão acontecendo mais rápido do que eu imaginei - Sorriu levemente e se sentou na cama do lado da filha - Bom, vou continuar com o significado da próxima frase "Et sentire potuit" significa "E ele podia sentir".

- "Sim o morango foi encontrado. E ele podia sentir"? - A mãe balançou a cabeça que sim - Mãe... deixa eu perguntar, por que vocês estão tão relutantes sobre o Rafael sendo que a briga de vocês é com os pais dele e não com ele?

- Filha, nós falamos isso pro seu bem. Sempre fizemos tudo para o seu bem e para te proteger. Existem outras coisas que não cabe a você sabe agora, tudo bem? Mas você realmente precisa ficar longe dele, pelo menos por agora.

- Tá bom... - Disse descontente.

Por que não falam logo de uma vez? É tão simples...

Nicole virou para dormir e a mãe se despediu dando um beijo na testa da filha. Quando fechou a porta, perguntou para o marido que também tinha acabado de sair do quarto do filho mais velho:

- Conversou com ele?

- Sim, eu disse que não podia explicar tudo por agora, mas ele entendeu.

. . .

- Você é a Nicole? - A beta perguntou e a ômega assentiu confusa - Você esqueceu um caderno na sala, eu deixei lá pra você pegar.

- Ah sim. Obrigada - Agradeceu e se virou para ir até a sala.

- Te espero aqui - Alice avisou.

Quando chegou na sua sala observou Rafael sentado em cima da sua carteira folheando o caderno dela.

- Então quer dizer que você gosta de estudar? - Ele perguntou folheando algumas páginas ainda sem a olhar.

- Eu gosto um pouco - Respondeu se aproximando. O cheiro do alfa a deixava absorta e os raios de sol pegando nos seus cabelos totalmente negros a estavam deixando quase que encantada.

- Eu tive que pedir pra alguém te chamar já que pelo visto seu irmão não vai nem me deixar chegar perto de você - Finalmente se levantou e foi até a ômega.

- Por que isso? Eu sei que nossas famílias são inimigas, mas os filhos não tem culpa pelos erros dos pais - Respondeu abaixando o olhar, desviando do olhar que o alfa estava lançando sobre ela, brincando com os dedos nervosamente.

- Quando perguntei pros meus pais, eles apenas disseram que nós não deveríamos ter nos encontrado em um determinado momento e isso fez com que os seus pais ficassem com medo da profecia e estão adiando o nosso encontro o máximo possível - Explicou e colocou a mão no queixo de Nicole, a fazendo olhar para si.

- Você diz a profecia da salvação contra os Captivus?! - Perguntoh chocada e o alfa assentiu.

- O seu cheiro é muito perigoso sabia? - Disse passando a mão do queixo para a nuca da ômega. Rafael estava lutando contra o impulso de beijar a ômega para não a assustar.

- Meu cheiro? O que tem de errado nele?

- Errado? Não tem nada de errado com ele. Eu apenas não consigo me afastar dele mesmo que toda a minha família quase implore pra eu ficar o mais longe possível de você.

- Também me dizem pra ficar longe de você, mas eu não consigo... - Nicole admitiu e Rafael riu achando a ômega fofa.

- Eu sinto que nós... - O sinal bateu fazendo os dois se afastarem pelo susto. Rafael rapidamente segurou na mão da ômega e começou a correr para fora da escola tentando desviar da multidão de alunos.

- Rafael! O que vc tá fazendo? - Perguntou lutando para acompanhar o ritmo do alfa começando a sentir seu peito arder depois de saíram do segundo andar até a parte de trás do colégio, onde ficava a quadra.

- Calma... deixa... eu... respirar - Nicole disse ofegante sentando no chão.

- Foi mal, era isso ou não conseguiríamos sair depois - Ao ouvir a ômega se deu conta do que fizeram e levantou rapidamente.

- Eu não posso matar aula! - Olhou desesperada para Rafael e ele a olhou com um olhar irônico.

- Relaxa, depois na outra aula nós voltamos.

- Vou falar que você me sequestrou e me obrigou a vir aqui se nos pegarem - Disse brincando apontando o dedo para o alfa e ele riu alto.

- Tá certo, então.

- Mas então, o que você ia dizer? - Perguntou sentando no casaco que o alfa colocou no chão para ela sentar.

- Eu não tenho certeza, mas acho que a profecia estava se referindo a nós dois - Amelie o olhou perplexa - Nós dois somos lúpus e é inegável que parecemos ter uma conexão, como se tivéssemos tido um imprint em algum momento...

- Você acha? Mas por que nossos pais querem nós dois longe um do outro então?

- Eu não sei. Talvez esteja relacionado com o fato que deveríamos ter nos encontrado quando um de nós tivessem 18 anos.

- Ainda sim não faz sentido, não seria algo bom a profecia acontecer mais rápido? - Nicole questionou e apoiou a cabeça no ombro do alfa sem perceber.

- Realmente - Colocou a mãos na cintura da ômega e Nicole corou ao perceber que estava apoiada em Rafael.

- Meus pais não vão dizer nada e meu irmão não parece saber muito. Como podemos descobrir mais sobre isso tudo? - Perguntou pensativa.

- Talvez se vasculhássemos o escritório do meu pai ou até mesmo conversar com os Captivus já que eles sabem de tudo que acontece nas alcateias de dominam...

- Não é muito arriscado? E se teu pai nos pegar no seu escritório?

- Ele vai viajar hoje de tarde e volta amanhã ou de tarde ou final da tarde, podemos ir la de manhã - Nicole pensou e concordou com a ideia do alfa.

- Certo, me passa o endereço da sua casa, esse é o meu número - Passou o seu contato e se levantaram quando o sinal tocou.

Eu queria ficar mais com ele, parece que eu esperei a vida toda por esse momento...

- Não deixa os seus pais descobrirem do nosso plano - Beijou a testa da ômega e riu do rosto corado dela.

Nicole saiu por um lado e Rafael por outro. Quando ela chegou na porta da sala dela, Alice e Nicolas estavam lá.

- Onde você estava?? - Nicolas perguntou irritado.

- Eu fiquei te esperando lá, mas como você não apareceu fui procurar você quando bateu o sinal e você não tava na sala então... - Explicou preocupada e Nicole ficou pensando em alguma desculpa.

- Por coincidência o Rafael também não estava na sala. Você não tava com ele, né? - Perguntou se aproximando da irmã.

Mas o que?! Por que o Nicolas tá tão superprotetora comigo desse jeito?? Que saco.

- N-não - Gaguejou revelando que estava mentindo e Nicolas rosnou passando a mão no cabelo.

- Caramba, Nicole! Para de ser teimosa e me escuta.

- Desculpa! Nós acabamos esbarrando e... e... - Olhou desesperada para Alice pedindo ajuda.

- Vamos voltar pra sala. Não é como se ela tivesse que ignorar completamente ele fingindo que ele não estuda nessa escola.

- É exatamente isso que ela tem que fazer! - Respondeu irritado e Nicole segurou na mão do irmão e pediu:

- Por favor, foi só dessa vez, não conta pro pai e pra mãe! - Pediu fazendo carinha de choro, isso sempre funcionava com o irmão. Nicolas rosnou e respondeu sem conseguir ignorar o pedido da irmã:

- Só dessa vez. E para de se encontrar com ele, pro seu próprio bem! - Disse e saiu indo em direção a sua sala.

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