Conto 10: Romance/Drama

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Último andar
da
felicidade.

(Capítulo Único)

Naquele nobre bairro do Rio de Janeiro, o então casal largamente invejado por muitos, e, famoso pelo amor notavelmente único e abundante entre eles, está separado!

A notícia pegou todos de surpresa, deixando muitos incrédulos.

》...《

Nos últimos vinte minutos, Sean permaneceu de pé em frente à janela em sua sala; ele observa o jardim no quintal de sua propriedade.
Pela primeira vez ele analisa, minuciosamente, cada rosa e flor nos quatro cantos do lindo jardim. No entanto, para seus olhos, a beleza está fosca em cores mortas. Os pássaros e o resto da natureza estão inaudíveis às tantas reflexões e lembranças que lhe preenchem a mente.
É explícito, em seu semblante, a desolação torturante pela então separação indesejada. Sua inércia e silêncio nunca fora tão respeitados.

Parentes e amigos lhe observam calados.

Decidiu eliminar a calada ao parafrasear, em tom plácido, uma de suas observações mais famosas:

- O universo nunca medirá ações para nos manter no caminho de nosso destino; o que tiver de acontecer, sempre vai acontecer!

Mesmo já dita inúmeras vezes, desta vez a frase carregou uma peso dramático pela excepcional situação.

Alguns já sabem o que estar para acontecer nas próximas horas: Aquela famosa história será narrada pelo homem de coração inconsolável.

Não tardou quando voz de Sean tornou a dizimar o ensurdecedor silêncio expondo uma voz tão fraca quanto decidida:

- Em 1963 - falou ainda de olhos firmes no florido viridário -, para ser bem exato, no dia treze de agosto do ano de 1963. Eu tinha vinte e seis anos...

《 ... 》

- Preto. - Respondeu o cliente vestido à advogado.

- Açúcar ou adoçante? - Perguntou a atendente mantendo a sensualidade do olhar ao encarar os olhos azuis do cliente do outro lado do balcão.

- Nem um nem outro; amargo!

- Nossa! É sério?! - Espantou-se.

- Sim, é sério.

- Está ficando raro encontrar quem beba café sem açúcar! - A atendente mostrou, ligeiramente, os dentes num sorriso revelador.

O blazer do terno do cliente, não conseguia esconder o corpo bem formado em músculos, nada exagerado, porém, perceptível e harmônico à beleza do homem loiro e de rosto másculo à sua frente.

- Qual é o seu nome? - Perguntou o cliente.

- Lurdes. -

- Um prazer, Lurdes! Eu sou Sean.

- Nossa, que nome bonito!

Sean sorriu agradecido e perguntou aonde que ficava o banheiro. Deixou o lugar, após receber as indicações do cômodo desejado.

...

- Estivesse pensando - indagou Sean sem deixar o assunto falecer, assim que retornou. - Muito raro não beberem café sem açúcar?! Deveria ser o oposto! Sabia que se não existisse o açúcar, não existiria o câncer.

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