Contos 3

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Roupas

- Eu não quero ir brincar com vocês – Paraíba fazia birra no canto da sala enquanto espetava sua faquinha de plástico no chão.

- Mas todas as meninas vão – Bahia tentava de alguma forma convencer a amiga.

- Eu não gosto de brincar de coisas de menina.

- Não são "coisas de menina", o Acre vai brincar com a gente também.

- É por que ele é um neném, ele vai onde a Amazonas for.

- Paraíba...

A baiana não teve oportunidade de terminar de falar já que Amazonas se aproximou correndo delas.

- Bahia – A menina ofegava por conta do esforço – O Pará pode brincar com a gente também?

- E ele quer brincar com a gente?

- Uhum, quer sim, Paraíba você não vem?

- Eu não quero brincar de vestir o Acre, é chato...

Amazonas olhou para a baiana, essa por sua vez fez apenas uma cara de dúvida.

- Depois que a gente vestir ele você pode ensinar o Acre a usar sua faca.

- Que?

- Posso? – A ruiva se levantou animada.

- Uhum, vamos?

As três foram juntas até chegar na aglomeração de meninas que estava ao redor do pequeno Acre, mas Amazonas percebeu algo errado assim que chegou:

- Ué, cadê o Pará? Ele não ia brincar com a gente?

- Assim que você saiu o Ceará apareceu aqui e arrastou ele lá pra fora.

- Eu não acredito nisso! Por que o Ceará não deixa ele em paz?

- Deixa o Pará brincar com os meninos Mazo – Santa Catarina se aproximou – Eu quero brincar logo.

- Ta bom...

Mesmo estando contrariada, Amazonas aceitou não ir atrás do amigo, até por que ela demorou pouquíssimo tempo para esquecer o assunto. As meninas colocavam várias peças de roupas que tinham no pequeno Acre, a maioria acabava ficando grande demais. Espirito Santo tentou fazer uma coroa de flores para colocar na cabeça do bebê, ela deu seu melhor, Bahia tirou seu colar e pôs no menino, Amazonas pintou uma faixa vermelha ao redor dos olhos dele, Santa Catarina se esforçou para vestir um colete rosa no garoto e Mato Grosso passou um batom vinho nos lábios do bebê.

Do outro lado da sala, longe de toda aquela animação, Goiás assistia como as meninas pareciam interessadas no pequeno nortista que estava com elas, ele não entendia muito bem o porquê, mas aquilo causava algum incomodo no menino.

- Ocê num senti um negocio isquisitu vendu elas brincando cum o Acre?

- Num sinto nada não – Minhas Gerais estava completamente distraído tentando fazer pãezinhos de queijo utilizando massinha de modelar.

- Eli num é isquisitu igual ocê – Mato Grosso do Sul que rabiscava furiosamente uma folha de papel não perdeu a chance de responder.

- Eu quiria brinca cum elas – Goiás fez um bico.

- Intão vai.

- Num possu Minas.

- Pur que?

- Num sei – Eram sensações que o garoto mal sabia sentir, imagine explicar – Elas são minina, num possu.

Contos da CrecheOnde histórias criam vida. Descubra agora