Contos 2

1.6K 149 256
                                        

Flores

Goiás fazia aquele percurso todo dia, a creche ficava próxima da casa do pequeno goiano, então ele rapidamente juntava suas coisas e saia caminhando até seu primeiro objetivo do dia.

O garoto parava em um amplo campo todos os dias, escolhia a flor mais bonita que encontrava e levava para a creche. A primeira coisa que o moreno fazia ao entrar na escola era ir direto conversar com a tia Brasília:

- Oi tia Brasília, bom dia.

- Bom dia Goiás, tudo bem?

- Tudo bem, oía u qui eu trouxe procê – O menino colocou uma das mãos nas contas, abaixou o tronco e estendeu a flor.

- Uma florzinha, pra mim?

- Claru tia.

- Obrigada Goiás – A professora aceitou o presente, igual ela fazia absolutamente todos os dias.

O pequeno goiano saiu com um sorriso radiante, ele não sabia explicar o que sentia, mas seu coraçãozinho se enchia de felicidade todas as vezes que a professora aceitava o presente, uma vez Brasília tinha até colocado a flor atrás da orelha.

Depois que todas as crianças chegaram e os professores entraram na sala Goiás viu que aquilo tinha acontecido novamente, Brasília colocou o presente atrás de uma das orelhas, um sorriso de orelha a orelha tomou conta do rosto dele.

- Ta rindu di que Goiás? – Minas Gerais se aproximou sentando na cadeira ao lado do amiguinho.

- Eli fica igual um bobo trazendo flor pra tia – Mato Grosso do Sul respondeu antes que o goiano o fizesse.

- Eu num so bobo – Goiás tentou fazer a melhor cara feia que conseguia.

- Ocê fica trazendo flor pra tia igual um bobo, intão é bobo.

- Eu façu issu pur que ela fica feliz.

- Ela nem liga – O pequeno sul mato-grossense fez uma cara de desdém e tombou a cabeça para o lado.

- Num fala assim du Goiás – Minas Gerais fez um biquinho triste na direção do amigo.

- Ela liga sim!

- Ocê é um bobão Goiás.

Ele não gostou de nada do que ouviu, o menino passou a manhã toda emburrado por conta daquelas palavras, mas o que doeu mesmo foi no horário do almoço. Goiás tinha voltado para a sala afim de pegar a caixinha de suco que ficou na mochila, porém, no meio do caminho ele viu que a professora conversava com outro adulto. Ele observou o professor da outra turma, um homem de pele branca, óculos e cabelos escuros, beijar de leve o rosto da tia Brasília. O goiano não entendeu bem o que aconteceu, mas ele ficou triste, entrou na sala, pegou seu suco e voltou cabisbaixo para a hora do almoço.

Durante o restante do dia parecia que o mundo do menino tinha ficado cinza, até os amiguinhos e professores perguntaram se algo tinha acontecido, ele não era de ficar tanto tempo em silêncio, mas o garoto não sabia explicar o que aconteceu. Quando ele estava sentando em um cantinho, tentando desenhar, outra pessoa tentou falar com ele:

- Goiás?

- Oi Matinha...

- Ta tudu bem? – Ela sentou na cadeirinha próxima do amigo.

- Achu que sim... Ocê sabia qui a tia Brasília tem um namorado?

- Achu que eu num sabia não...

- É...

- Ocê ta tristi pur causa dissu?

- Não, eu...

- Goiás ocê ainda é criança...

Contos da CrecheOnde histórias criam vida. Descubra agora