Notas da autora: Boa noiteee, meus queridos! Pequena explicação sobre o universo da fic, só a primeira temporada de ordem é canon aqui, então a Agatha não é salva pela ordem e não é uma agente, pelo contrário, ela é uma esoterrorista. Queria explorar esse lado antagonistico da Agatha junto com a temática de vampiro para poder aproveitar as nuances da personalidade insana que fazem dela uma personagem tão cativante.
É isso! Aproveitem a leitura!
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Ao abrir seus olhos você pode ver uma fina neblina na altura dos seus joelhos, suas mãos e pernas estão amarradas resistentemente na cadeira que está sentada, as cordas das amarras atrapalham sua circulação sanguínea e deixam suas mãos e pés dormentes.
Uma gota de água cai na sua cabeça fazendo um barulhinho familiar que lhe faz despertar, você não está mais na estrada.
Essa gota vem do andar de cima, esse lugar fica debaixo da terra, dá para perceber, pois o ar é rarefeito e a água absorvida pelo solo durante a chuva umedeceu as tábuas de madeira do teto, fazendo com que esse lugar tenha um cheiro desagradável devido ao mofo causado pelas infiltrações.
As paredes do cômodo são de alvenaria, e tem uma escada que vai até um alçapão no teto de madeira, há uma mesa cheia de livros, velas e potes de vidro com todo tipo de coisas nojentas como olhos de animais, rins, fígados e até um coração que parecia ser de um humano de verdade, sua mente cria a ilusão de ter visto ele bater por um momento, você sente um mal-estar imediato e desvia o olhar.
As paredes têm desenhos com símbolos que você nunca viu antes, pintados com sangue fresco que ainda escorria pelas paredes, o que fazia desse lugar ainda mais repugnante.
Rangidos de passos vem do andar de cima, o alçapão é aberto e um pequeno feixe de luz entra nesse porão que só não é completamente escuro pelas velas queimando. A mesma garota que tinha acabado de te atacar entra naquela espécie de porão e começa a descer as escadas e fecha o alçapão, não deu tempo de prestar atenção antes, mas ela tem tatuagens nos mesmos padrões dos desenhos na parede, e vários cortes pelo corpo
Ao descer as escadas ela nota que você acordou, o seu andar ressona na madeira envelhecida que quase é arrebentada por aquele pisar, o som é como uma melodia maquiavélica composta por rangidos agudos e enferrujados de um chão que está prestes a ceder, ela carrega uma bandeja nas mãos.
" Parece que você está acordada, pensei que iria morrer. " a garota diz sem esboçar nenhuma preocupação, colocando a bandeja na mesa e se aproximando de você vagarosamente, o que te fez tentar se soltar mas o nó nas suas mãos e pernas não permitiu que você se movesse.
" O que você pretende fazer?" Você chega a cadeira pra trás e diz com dificuldade, sua garganta fica dolorida pelo medo.
Ela segue andando devagar e chega a poucos centímetros de você, sua respiração fica descompassada e seu coração disparado de pânico, ela encosta a orelha do lado esquerdo do seu peito te deixando arrepiada por um instante, parece que ela está tentando ouvir seus batimentos cardíacos, você engole seco quando ela se afasta.
" Seu pulso parece mais rápido agora." ela coloca a mão no queixo pensativa. " Você tá com medo?" Ela tem um sorrisinho trocista estampado na cara revelando seus caninos pontudos.
Essa garota é idiota? quem não estaria com medo em uma situação dessas? Essa pergunta te deixa enfurecida.
" Não é óbvio que eu tô com medo? Você tentou me matar e agora me amarrou nesse lugar tenebroso, e que porra de fumaça é essa?" Você pergunta se referindo a neblina cobrindo a sala.
" Heh, tenho certeza que você está com medo... até porque foi o seu medo e a sua dor que afinaram a membrana, só queria te ouvir dizer que estava." a garota olha para a sala, parece bem satisfeita com o estado que ela está agora.
" Membrana?" você diz confusa.
" A membrana tá fraca o suficiente agora, graças a você!" Ela parece estar bem humorada, mas ainda sim não respondeu sua pergunta.
" O que é membrana?!"
Ela olha pra você " Vou resumir pra você garota, essa neblina que você tá vendo aqui nessa sala é paranormal, e ela te permite transcender, que basicamente é uma forma de ganhar poder por meio da sua experiência com o paranormal." Ela fala isso tranquilamente como se fosse algo cotidiano e não fosse completamente absurdo e sem sentido para você.
Você pensa que ela é louca, essa história não faz nenhum sentido. Esse lugar te dá arrepios, a atmosfera é terrível e não faz sentido nenhum que tenha neblina num lugar como esse, e nem que essa garota tenha caninos afiados como os de um morcego, pensar sobre isso te faz perder a cabeça, você não acredita que algo como o paranormal exista por mais que tudo isso que tem acontecido não tenha nenhuma explicação lógica.
Quase como se tivesse lido seus pensamentos, ela dá de ombros. " Não ligo se você acredita em mim ou não, o que importa é que eu posso transcender agora." a garota parece excitada com a ideia de "transcender ".
" Tá mas... o que eu tenho a ver com isso? Você precisa de mim pra transcender?" Você pergunta tentando entender a situação, sua vontade é só sair dali o mais rápido possível, esse lugar te dá náuseas.
" Tecnicamente nada, não preciso de você, mas seria um desperdício te deixar ir assim quando eu ainda posso te usar... você deveria me agradecer, poderia já ter morrido lá fora de hipotermia." Ela diz cheia de si, ela tem um olhar presunçoso e cruel ao mesmo tempo.
Com um estalo você se lembra que quando chegou nessa casa aparentemente abandonada estava com várias camadas de roupas encharcadas e morrendo de frio, e que agora olhando pra si mesma percebe que está vestindo um vestido branco de frio, que lembrava de ter trazido na mala, e meias nos pés.
" Você me trocou? Como achou essas roupas?! "
Isso só deixa tudo mais confuso, o que essa garota quer afinal? Ela quase te mata a sangue frio para depois te impedir de morrer por hipotermia? Qual é o problema dela?
" Eu queria entender da onde você tinha surgido, ninguém é burro ao ponto de se enfiar na mata no meio da noite com um temporal, então fiquei curiosa e acabei achando um carro quebrado no meio da rua quando estava andando pelos arredores, e meio que liguei as peças, só isso." diz simplista.
" Você não queria me matar?" sua cabeça está em confusão.
" Eu queria, mas não dava pra te matar daquele jeito, você tava toda gelada que nem um cadáver, eu não gosto de beber sangue gelado, não ia valer a pena sabe?." Ela tem um olhar sanguinário e um leve sorriso de canto.
Várias perguntas surgem na sua cabeça, ela tem algum distúrbio psicológico? Isso é tão insano que chega ser ridículo ao ponto de você não conseguir acreditar em nenhum milímetro dessa história sem pé nem cabeça, sendo uma espécie de vampiro (o que você não acredita) ou uma psicopata totalmente fora de si, ela parece falar sério sobre querer te matar e beber seu sangue, e isso é aterrorizante.
" Isso quer dizer que depois você vai me matar?"
" Talvez ( seu nome)" ela sorri e passa a língua por debaixo dos caninos.
Você sente um arrepio quando ela fala seu nome.
" Como você sabe meu nome?"
Ela puxa sua carteira de motorista do bolso da sua calça e a estende na sua frente, segurando com o indicador e o polegar como se sua mão fosse uma pinça.
" Ah, também achei isso aqui no seu carro." a garota diz cínica.
" Mas que porra?!"
Ela se aproxima de você novamente e segura seu maxilar de maneira violenta, inclinando seu rosto pra cima para que você olhe somente para ela.
" Escuta (seu nome), eu saber seu nome é o menor dos seus problemas agora, se te interessa eu sou Agatha, e provavelmente não deve ser um prazer me conhecer." Agatha tem um sorriso sarcástico no rosto, você só tem certeza de uma coisa, essa garota é um demônio.
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Sangue frio
VampireSangue Frio | Imagine Agatha Volkomenn Em um universo onde Agatha Volkomenn não foi resgatada pela ordem e pessoas com alta exposição paranormal conectadas ao elemento de sangue desenvolvem traços de vampirismo. fem!reader créditos da fanart: @Masum...