03 de Abril
Victor encarava o próprio reflexo no espelho com aquela cara de "meu Deus, por que eu nasci?". Respirou fundo. Ele tava todo arrumadinho com o uniforme do Colegio Elencía — camisa branca, blazer escuro com o brasão da escola, calça social cinza… mas, mesmo com aquele visual todo certinho, ele continuava sendo ele. Emo até o osso.
Cabelo preto desgrenhado, batom preto realçando os olhos castanhos e as unhas pintadas com esmalte escuro. Tava na cara que ia chamar atenção. Só que não da forma legal.
Há 11 dias atrás, ele havia acabado de se mudar do Brasil para a Espanha com sua mãe, Mônica, em busca de uma vida melhor. Desde a morte de seu pai, eles enfrentaram dificuldades financeiras, mas agora tinham uma oportunidade de recomeçar em Salamanca.
— Victor, está na hora de ir. Não quero que se atrase no seu primeiro dia de aula. - Mônica chamou, puxando Victor para a realidade.
Ele pegou a mochila, desceu com os fones no ouvido, tentando ignorar a ansiedade martelando o peito. O começo da primavera na Espanha deixava tudo parecendo cena de filme: árvores floridas, casarões antigos que pareciam castelos, ruas limpas...
Enquanto o brasileiro caminhava pelas ruas em direção ao Colegio. Seus cabelos bagunçados caíam sobre seus olhos melancólicos, e seu rosto pálido contrastava com a multidão colorida e animada de estudantes ricos, ao seu redor. Ele sentia o peso de sua diferença.
— "Eu espero que eu consiga me encaixar aqui..." - Pensou ele, com determinação.
Chegando na escola:
Os corredores fervilhavam de alunos rindo, gritando, mexendo no celular. Victor só queria passar despercebido. Mas claro que isso era pedir demais.
De longe, uma garota com cabelo curtinho e mechas loiras o notou e soltou:
— ¡Oye! Não esquenta com esses babacas.— disse com um sorrisinho de canto e um ar debochado.
Sem entender o que ela estava dizendo, deu um breve sorriso de lado, meio perdido seguiu o fluxo dos alunos.
Achou a sala e foi direto pra última carteira, querendo sumir. Sentou quieto, tentou se encolher, mas não adiantava. Os olhares tavam ali, julgando. Enquanto olhava ao redor, seus olhos encontraram os de Letícia Godoy, um dos filhos do casal que havia oferecido a oportunidade de sua mãe trabalhar lá. Com seus cabelos castanhos escuros, pele morena e óculos, sentada em cima da carteira, lendo um livro.
O tempo passou devagar até a professora entrar. Victor até tentou prestar atenção, mas a cabeça tava uma bagunça. Os cochichos e risadinhas dos colegas cortavam qualquer concentração.
Na troca de aula...
Andando apressado pelos corredores, Victor esbarrou em alguém — ou melhor, em uma parede de músculos.
— ¡QUE JODER!
— Desculpa, foi sem que...- Vic, antes de concluir a frase percebeu na grande encrenca que tinha se envolvido.
O enorme rapaz era nada menos que Juan M. Shauce.
Alto e intimidador, seus cabelos curtos, seu porte físico imponente e sua postura dominante, junto com seu grupo de amigos, fazem com que ele seja notado em todos os cantos da escola. Exalando confiança, ganhando o respeito de alguns e o medo de outros.
Juan, ao se virar, olhou Victor de cima a baixo observando aquela criatura rara que estava na sua frente.
— Olha só, temos un "palillo" por aqui! - debochou Juan para seus amigos que estavam ao redor.
Sem entender muito bem o que Shauce estava dizendo, o brasileiro ficou sem palavras para retrucar.
Ao olhar atentamente Vic, percebeu que um outro filho da família Godoy estava presente.
Alex, com pele bronzeada, cabelos médios e olhos esverdeados intensos, se aproximou de Victor se agachando para ficar do tamanho do mesmo.
— ¿Esse é o tal hijo da empregada que seus pais contrataram? - Alex pregou seu olhar para o rapaz que estava com braços cruzados olhando a cena.
Guilherme revirou olhos com desprezo e acenou com a cabeça.
Shauce, indo apoiar seus braços nos ombros do Godoy, debochou junto:
— NEM FUDEND*! - disse, rindo.
Eduardo, com uma postura atlética ao ver a confirmação de Gui, começou a rir alto, zombando ainda mais o brasileiro.
O corredor se encheu de risinhos e olhares. Gente cochichando, filmando no celular. Victor engoliu seco, mas manteve a cabeça erguida. Ele já tinha passado por muita coisa, mas aquilo....
Nesse momento, a garota de mechas loiras apareceu e colocou uma mão no ombro dele, mostrando seu apoio silenciosamente. Ela entendia que ele precisava de alguém ao seu lado durante esse momento. Tanto que entra no meio para apartar o que Juan e seus amigos estavam fazendo com o pobre brasileiro.
— ¡Puta mierd*! Essa escola não tem nenhum dia de paz, sem vocês "atazanar" alguém, - diz, firme, defendendo Victor.
— Oye Maky, ninguém te chamou na conversa — retrucou Henry, olhando fixamente para ela.
Sem nenhum esboço de empatia para o "grupinho", Maky apenas fez um gesto ofensivo com um dos dedos.
— Aff, vamos. Deixemos esses m*rdinhas para trás. Temos coisas melhores para fazer do que perder tempo com eles — disse, arrastando o brasileiro consigo enquanto eles se afastavam do grupo.
Victor olhou para trás uma última vez, vendo Juan e os demais rindo dele.
Indo em direção a biblioteca:
— A propósito, ¿cuál es tu nombre? Vi o Shauce te chamar de "palillo" , creio que esse não seja seu nome — Maky sendo sarcástica outra vez.
Vic, olhou para Maky, surpreso e um pouco desconfiado.
— Meu nome é Victor... Victor de Oliveira e.... Obrigado por me defender lá atrás, ainda estou me familiarizando com o espanhol — responde, com gratidão.
Maky, com um sorriso de lado, coloca a mãos no bolso, esboçando um pouco de empatia.
— Relaxa, não precisa agradecer. Desafortunadamente conheço aquele grupo desde o primário, são os "babacas" digamos assim. Falando nisso, meu nome é Maky Lene Romero.
Enquanto a conversa continua, Victor percebe que, apesar do bullying sofrido, ele encontrou uma nova amizade.
Enquanto conversavam, Edu, Ádrian e Alex observando a cena de longe.
Eduardo, com um olhar de desconfiança, faz uma provocação.
— Olha só, Romero, defendendo o novo amiguinho emo. ¿Será que ela vai se apaixonar por ele?
— ¿Que pasó? Acha que sua "ex- namoradinha" vai estar se rebaixando ao nível extremo? — Ironizou Ádrian.
Edu levanta uma das sobrancelhas olhando diretamente para D'angelo.
— Hm...No sé , conheço ela, pode simplesmente rebaixar para esse nível — rindo e imaginando a situação.
CONTINUA...
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Destinos Cruzados
FanfictionVictor Andrade sempre viveu em Apiaí, uma cidade pequena do interior de São Paulo, onde tudo parecia seguir o mesmo ritmo de sempre. Ao lado da mãe, dos amigos e de quem ele ama, nunca imaginou que sua vida pudesse mudar tão de repente....Mas uma op...
